Estudo mostra impacto da poluição em recém-nascidos

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A partir de estudos com ratos, obteve-se uma estimativa de como a poluição deve influenciar negativamente a saúde das crianças

poluição

Pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo constatou que a exposição de recém-nascidos a ambientes em que o ar é muito poluído pode levar ao desenvolvimento de asma na fase adulta.

Essa constatação é preocupante, uma vez que em cidades como São Paulo, a poluição atmosférica já mata mais que o trânsito caótico que verificamos no dia a dia. Só no ano de 2011, segundo o Instituto Saúde e Sustentabilidade, a poluição provocou a morte de 4.655 pessoas enquanto que o trânsito provocou a morte de 1.556.

Ser criança nas cidades grandes

A pesquisa coordenada pelo Departamento de Farmacologia da Universidade de São Paulo apontou que a exposição de recém-nascidos aos poluentes presentes no ar em grandes cidades pode torná-los altamente sensíveis a agentes ambientais infecciosos na fase adulta. Isso significa que os bebês que respiram tais poluentes apresentam considerável predisposição a desenvolverem asma quando se tornarem adultos.

Para desenvolver o estudo, foi utilizado o poluente 1,2-naftoquinona (1,2-NQ), resultante da queima do combustível diesel e muito comum no ar que respiramos nas cidades grandes.

A equipe de pesquisa realizou os estudos com camundongos na primeira semana de vida. Esses animais foram expostos a ambientes com baixa concentração desse composto por 15 minutos em três dias alternados na sua primeira semana de vida.

Depois de dois meses, esses mesmos animais foram novamente estudados e foi realizada uma investigação na resposta inflamatória alérgica (asma) por meio da exposição dos animais a ovoalbumina, proteína presente na clara do ovo. Os resultados obtidos apontaram que os animais expostos ao poluente apresentaram uma resposta alérgica muito mais intensa que os animais do grupo controle, que não foram expostos ao poluente.

Sedentarismo

Não é só a poluição que tem tornado o que deveria ser conhecido como anos dourados em anos acinzentados. Os índices de criminalidade e os diversos compromissos profissionais que os pais se veem obrigados a assumir fez surgir, de certa forma, um tipo de infância que se cria na frente das televisões, dos computadores e com o controle remoto nas mãos.

O resultado disso são crianças que dominam com facilidade diferentes tipos de tecnologias, mas que são sedentárias e sofrem de problemas como colesterol alto e obesidade.

Segundo o relatório do Projeto Se Mover, incentivar as crianças a praticar exercícios físicos e a dar uma folga aos jogos de computador pode estender em 5 anos a expectativa de vida delas (veja mais aqui). Por isso, por mais que seja difícil encontrar uma área verde na cidade em que você mora ou até mesmo um espaço na sua agenda, fica a sugestão de investir um pouco do seu tempo ao proporcionar experiências simples para seus filhos, como a visita a um parque. Você estará não só investindo em lembranças prazerosas com a sua família, como também em saúde e bem-estar.

Tempos de criança em tempos de poluição

Os pais, de primeira viagem ou não, sempre buscam oferecer o melhor conforto para seus filhos. Proteção e cuidado talvez sejam as palavras chaves que, em geral, orientam os investimentos que a maternidade e paternidade demandam. É sabido que tais investimentos não são baratos: para criar um bebê em seus três primeiros anos de vida, uma família de classe média intermediária, com renda mensal entre R$ 4 e R$ 5 mil, precisaria reservar em média R$ 26 mil do seu orçamento para cobrir despesas como cuidados pré-natais, pediatra, remédios, plano de saúde, carrinho de bebê, entre outros (veja mais aqui).

No entanto, é preciso estar consciente de que não há porção do orçamento suficiente capaz de proteger as futuras gerações dos impactos ambientais que foram, são e serão provocados. Nem de garantir que esses danos não afetarão a vida delas. Aliás, esses danos já estão afetando a infância das nossas crianças.

Em cidades muito poluídas, como Pequim, em que os níveis de poluentes altamente nocivos ultrapassam em até 40 vezes o permitido pelas autoridades, o cotidiano das crianças já é está sendo visivelmente alterado. Brincar ao ar livre, andar de bicicleta e jogar bola já são atividades estranhas para muitas crianças chinesas. Para se ter uma ideia, muitas famílias chinesas estão optando por deixar seus filhos isolados em casa para evitar o contato com essas substâncias tóxicas. Além disso, excursões escolares são canceladas, salas de aula são equipadas com sistemas complexos de filtração de ar e até cúpulas são construídas ao redor das quadras esportivas para permitir uma respiração saudável para os pequenos.

Informações como essas mostram que de nada adianta nos auto denominarmos responsáveis pelas nossas crianças e buscar oferecer a elas todo o conforto possível quando fazemos escolhas ambientalmente irresponsáveis. Ou quando nos mostramos indiferentes a elas.

Veja também:
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-Crianças com estilo de vida sedentário têm desenvolvimento prejudicado, diz pesquisa 


 

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