Cemitérios brasileiros têm problemas ambientais

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O chorume que escorre das sepulturas contamina lençóis freáticos

Um problema “escondido” no subsolo foi encontrado e agora deixa os cemitérios do Brasil em alerta: o necrochorume.

O geólogo, mestre em Engenharia Sanitária e professor da Universidade São Judas, Lezírio Marques Silva, realizou um levantamento que teve resultados preocupantes. Dos 1107 cemitérios públcos vistoriados por ele, em todo o Brasil, cerca de 75% apresentam graves problemas ambientais. O principal deles é o vazamento do necrochorume, um líquido proveniente da decomposição dos corpos e que, por conter substâncias tóxicas, como a putrescina, cadaverina, metais pesados, bactérias e micróbios, pode contaminar os lençóis freáticos.

Para se ter uma ideia do perigo, passados seis meses da morte de uma pessoa de aproximadamente 70 quilos, esse corpo perde até 30 quilos na forma de necrochorume. E se um lençol freático estiver muito próximo do túmulo, esse líquido "viaja" pela terra, chegando aos lençóis freáticos.

Locais inapropriados e retirada prematura

Segundo o geólogo, os cemitérios geralmente estão em locais inapropriados - muito próximos a lençóis freáticos. Para que isso não aconteça, ele sugere que seja feito um planejamento antes da construção do cemitério, com vistoria técnica sobre a viabilidade da obra.

Outro motivo que contribui para a contaminação é a retirada prematura dos corpos das sepulturas. Muitas vezes, por conta da falta de espaço, os corpos ainda em estado de decomposição são retirados das sepulturas, fazendo com que a possibilidade de contaminação aumente. Para evitar esse problema adicional, o administrador ou o próprio parente deve respeitar os prazos para retirada dos restos mortais e envio ao ossário, que são de cinco a sete anos.

Soluções

Lezírio e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizam pesquisas complementares para comprovação e busca de soluções para o problema. Maior cuidado com as covas e impermeabilização do fundo das sepulturas ou do caixão, sendo forrados por fora com uma manta de tecido especial é uma das principais reivindicações, além da recomendação de que os cemitérios sigam os mesmos padrões dos aterros sanitários (serem construídos em locais com lençol freático mais profundo possível, em região de rochas impermeáveis e com distância dos centros urbanos).

A cremação é uma solução possível, mas a cultura brasileira privilegia o sepultamento, mesmo o primeiro processo sendo muito mais barato. Um destino criativo para as cinzas é a BioUrna, que fertiliza sementes de árvores com os resultados da cremação. Uma maneira simbólica e ecológica para homenagear os mortos.

Abaixo, confira um vídeo explicativo sobre o tema:

Com informações da Agência Brasil


 

Comentários  

 
0 #1 2013-01-19 11:19
Com relação à cremação, será que a população não adere por ser um procedimento muito caro? ou não teria tanta diferença de valores assim? E além do mais, não é toda região que possui um crematório...(infelizmente).
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0 #2 2013-01-19 11:20
Esse problema é conhecido há anos, pelo menos em Praia Grande. Uma engenheira química que trabalhava na prefeitura chegou a ganhar prêmio e foi pra Portugal fazer mestrado após ter desenvolvido um filtro de carvão ativado que era instalado nas gavetas do cemitério e praticamente limpava o necrochorume. Não lembro detalhes do projeto, mas lembro bem de dois pontos: o grande problema são os famosos 7 palmos abaixo de chão e que, segundo essa engenheira, o necrochorume é X vezes mais poluente que esgoto in natura
O problema é realmente grave e fora esse trabalho, do qual tomei conhecimento quando trabalhei na assessoria de imprensa da prefeita (de 1995 a 2000), esse texto acima é a primeira vez, depois de anos, alguém tocando nessa ferida.
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