Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

A brisa terrestre é uma resposta às variações verticais do aquecimento da superfície

Imagem de Rowan Heuvel em Unsplash

A brisa terrestre é uma corrente formada por ventos noturnos que sopram do continente em direção ao oceano. Ela está associada às diferenças entre os calores específicos da água e da areia e com o fenômeno de convecção, que pode ser entendido como um processo de transferência de calor. De acordo com estudos, a brisa terrestre possui influência local sobre o clima de diversas regiões.

Vale ressaltar que calor específico é a quantidade de calor necessária para que cada grama de uma substância sofra uma variação de temperatura correspondente a °C. Essa grandeza é uma característica de cada tipo de substância e indica o comportamento do material quando exposto a uma fonte de calor.

Em comparação ao solo, a água possui um alto calor específico, o que significa que ela precisa de uma grande quantidade de calor para variar a sua temperatura em 1 °C. Com isso, da mesma forma que a água demora para se aquecer durante o dia, ela leva mais tempo para se esfriar durante a noite, já que retém calor por mais tempo e demora mais para irradiar a energia absorvida.

Como ocorre a brisa terrestre?

A radiação emitida pelo Sol permite que ocorra um aumento na temperatura da água e da areia diariamente. No entanto, como o calor específico da areia é menor que o da água, ela aquece e esfria com mais facilidade, já que retém pouca energia. Sendo assim, a temperatura nas proximidades dela será maior ou menor que a temperatura nas proximidades da água em determinado horário do dia.

Durante o dia, a areia se aquece mais rapidamente que a água, o que cria um ambiente de baixa pressão acima da plataforma continental. Essas diferenças de temperatura e pressão entre as massas localizadas sobre a areia e o oceano fazem com que haja a formação de uma corrente de ventos que sopram do continente em direção ao oceano.

À noite, ocorre o processo inverso, que recebe o nome de “brisa terrestre”. No final do dia, a areia apresenta uma temperatura menor que a da água, o que faz com que o ar nessa região seja mais frio. Dessa maneira, a pressão do ar sobre a areia é maior que a pressão do ar sobre a água, causando um deslocamento de ar da plataforma continental em direção ao oceano.

Esse evento acontece porque a água retém calor por mais tempo e demora mais para irradiar a energia absorvida. Assim, os continentes esfriam com maior rapidez quando a incidência solar diminui ou cessa.

Brisa marítima

A brisa marítima é uma corrente formada por ventos diurnos que sopram do oceano em direção ao continente. Ela também está relacionada com as diferenças entre os calores específicos da água e da areia e com o fenômeno de convecção.

Estudos sugerem que a brisa marítima pode mitigar as ilhas de calor que se formam na Região Metropolitana de São Paulo. Além disso, ela também pode interferir na qualidade do ar ao promover a dispersão temporária dos poluentes acumulados na atmosfera. Para saber mais sobre esse tema, acesse a matéria “O que é brisa marítima?”.

Influências da brisa terrestre

A brisa terrestre representa um importante papel na circulação de poluentes nas áreas urbanas localizadas em regiões costeiras. Ela tende a elevar significativamente os níveis de ozônio sobre os oceanos durante a noite. No entanto, como esse composto não se dissolve em água, ele é levado de volta ao continente pela circulação da brisa marítima na parte da manhã.

Por fim, estudos mostraram que durante o período noturno, por ocasião das circulações de brisa terrestre e dos ventos de montanha, altas concentrações de monóxido de carbono são verificadas sobre grande parte do litoral paulista. Em contato com seres humanos, esse gás pode ocasionar efeitos tóxicos cumulativos, como insônia, cefaleia, fadiga, diminuição da capacidade física, de aprendizado e trabalho, tonturas, vertigens, náuseas, vômitos, distúrbios visuais, alterações auditivas, doenças respiratórias, anorexia, mal de Parkinson, isquemia cardíaca, miocardiopatias e aterosclerose.



Veja também: