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Sediado no IEA, o Biota Síntese é um Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza (SbN)

Por Beatriz Herminio em IEA USP  — Com a missão de desenvolver paisagens mais sustentáveis tanto em áreas rurais quanto urbanas por meio do subsídio a políticas públicas, o projeto está apoiado em dois princípios: trabalhar com as SbN e propor uma nova abordagem de fazer ciência, com a ciência de síntese.

O evento de lançamento do projeto aconteceu no dia 18 de maio e marcou o compromisso de todos os parceiros com a iniciativa que atuará ao longo de cinco anos, de 2022 a 2027. Para o diretor Jean Paul Metzger, o Biota Síntese é uma oportunidade de aliar pesquisa com atividades de retorno para a sociedade, uma vez que ele lida com problemas de impacto socioambiental e, portanto, de interesse social direto.

“O Biota Síntese é um cluster de entidades de diversas extrações que se juntou para tratar da causa que mobiliza boa parte da humanidade, a da sustentabilidade. De modo que possamos deixar para as futuras gerações um mundo pelo menos não pior que o que recebemos, mas desejavelmente melhor”, afirmou Guilherme Ary Plonski, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP.

O projeto é um dos Núcleos de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP) aprovados pelo programa Ciência para o Desenvolvimento da Fapesp. Segundo o presidente da fundação, Marco Antonio Zago, o programa foi criado para propor à comunidade científica temáticas focadas nas necessidades do mundo atual.

A atuação do núcleo envolve 27 instituições, entre as quais estão secretarias estaduais, prefeitura, universidades públicas paulistas e federais, institutos de pesquisa e organizações não governamentais da área ambiental. A principal parceira do projeto é a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima).

Soluções baseadas na Natureza e Ciência de Síntese

Inspiradas na natureza e em processos ecossistêmicos, as SbN buscam promover simultaneamente benefícios ambientais, sociais e econômicos, auxiliando a construir sistemas mais resilientes. Segundo o diretor, isso ocorre em diferentes escalas e ambientes.

Manguezais e sistemas úmidos, por exemplo, permitem proteger as zonas costeiras, prover mais alimentos para os peixes, potencializar a pesca litorânea, controlar fluxos de água e evitar enchentes. Em escala menor, nas áreas urbanas, os jardins de chuva e as biovaletas permitem reduzir os fluxos superficiais e aumentar a infiltração de água.

Pensando na emergência climática, Metzger apontou que um estudo publicado em 2021 pela Nature mostra que as SbN são capazes de retirar 10 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. Isso ocorre tanto por meio de ações que evitam a emissão de CO2 através da proteção de áreas naturais ou práticas agrícolas mais sustentáveis quanto por ações que aumentam a capacidade dos sistemas naturais de capturar o CO2, seja através de restauração, seja através de um bom manejo de áreas produtivas.

“Grandes incubadoras de ideias, de insights, de novas hipóteses e de novos modelos com dados já existentes.” Assim Metzger definiu as atividades dos centros de síntese, que promovem a ciência de síntese.

Os centros funcionam como suporte para grupos de trabalhos heterogêneos compostos por pesquisadores de diferentes áreas e stakeholders, onde se procura estimular o pensamento lateral, associativo e criativo para que as pessoas saiam de suas zonas de conforto e busquem conhecimentos oriundos de diferentes áreas. A ideia por trás do método não é ir a campo e gerar novos dados, mas potencializar e reanalisar os dados já existentes e pensar como propor soluções e produzir novos conhecimentos a partir deles, afirmou.

Atividades e desafios

O projeto apresenta quatro desafios temáticos mencionados pelo diretor: aumentar a produtividade agrícola e otimizar a polinização e a resiliência do cultivo; regular doenças zoonóticas; prevenir doenças crônicas não transmissíveis em áreas urbanas (como doenças cardiovasculares e desordens mentais comuns); e promover a restauração dentro do estado de São Paulo com base na meta do Plano de Ação Climática (PAC) de restaurar 1,5 milhões de hectares até 2050, pensando em estimular uma economia de base florestal a partir das áreas restauradas.

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“Espera-se promover a pesquisa transformadora, na borda da ciência com a política”, disse Metzger. Luis Fernando Guedes, diretor de Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, enxerga um descompasso entre a produção de conhecimento e a formulação de políticas públicas no país. “A ciência é o livre pensar, tem que ter a liberdade da curiosidade do cientista, mas é super importante a conexão do conhecimento e do avanço do conhecimento para influenciar políticas públicas”, pontuou.

Para Metzger, o espaço de implementação de políticas públicas ainda envolve lacunas tanto na síntese dos dados necessários quanto na implementação do conhecimento científico em sua formulação. Mesmo que com pequenas atuações, o diretor acredita que o Biota Síntese pode fazer grandes transformações no estado de São Paulo.

Com início das atividades no começo deste ano, a chamada “primeira jornada de síntese” do projeto constitui o período de fevereiro a maio, e tem a construção do planejamento do PAC como foco das atividades, informou Rafael Chaves, especialista ambiental na Sima.

O projeto fez o levantamento de artigos já produzidos para poder dar embasamento às SbN, e está em fase de seleção e classificação dos artigos de acordo com as demandas do PAC e do Programa Refloresta SP. Com o objetivo de produzir os materiais da primeira jornada, foram feitas reuniões com participantes do governo, da academia e da sociedade civil para troca de ideias e experiências.

“Em dois meses de trabalho, a gente já teve muito claro as três premissas – de que o cientista quer ser ouvido, o gestor público quer embasamento científico e a sociedade civil quer apoiar ambos –, mas no processo de cocriação todos precisam sair da zona de conforto e fazer concessões”, declarou Chaves.

No evento também estiveram presentes Marcelo Gomes Sodré, coordenador do Instituto de Pesquisas Ambientais, e Eduardo Trani, subsecretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.