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Comportamento perigoso é passado de mãe para filhotes e tem colocado populações inteiras de ursos em risco

No início de 2019, mais de 50 ursos polares famintos invadiram a vila costeira russa de Belushya Guba durante um período de três meses, atraídos pelo cheiro do lixão local. Alguns deles arrancaram portas de casas e empresas e subiram pelas janelas. Essas invasões têm aumentado constantemente nos assentamentos do Ártico. Embora poucas pessoas tenham sido atacadas, o número de ursos mortos aumentou.

De acordo com biólogo especializado no tema, em entrevista ao The Conversation, esses episódios se devem às mudanças climáticas, que estão gerando a perda de gelo marinho e tornando a temporada de forrageamento mais curta. Aproximadamente 40% menos gelo existe hoje do que apenas três décadas atrás.

Olfato e memória apurados

Os ursos polares possuem o olfato apurado, e isso faz com que eles encontrem os lixões a longas distâncias. Além disso, eles são capazes de encontrar carne de caça pendurada do lado de fora das casas, churrasqueiras e até sementes de pássaros. Eles também possuem uma excelente memória, o que faz com que eles não esqueçam os locais desses lixões.

Impactos na cadeia alimentar

No topo da cadeia alimentar do Ártico, os ursos polares se alimentam principalmente de focas (Pusa hispida), que se alimentam de peixes, que por sua vez se alimentam de plâncton. A interrupção desta cadeia alimentar tem consequências graves para o ecossistema. E os ursos podem estar entrando em risco de extinção.

Quando os ursos polares entram nesses lixões em busca de comida, eles são atraídos por substâncias com cheiro forte, algumas das quais não são comestíveis. Por exemplo, o anticongelante atrai ursos – e é fatal quando ingerido. Os muitos produtos químicos nos lixões se tornam poções tóxicas, que matam os ursos ou enfraquecem seus sistemas imunológicos. Além disso, os ursos ingerem ,adeira, plástico e metal, materiais que já foram encontrados nos estômagos dos ursos mortos. Envoltórios, bolsas e outros itens semelhantes a membranas obstruem a pequena abertura do estômago do urso até o intestino, resultando em uma morte lenta e dolorosa.

Uma vez que os ursos vasculharam completamente os lixões, eles se dirigem para aldeias próximas – confrontando pessoas, atacando seus animais de estimação e gado e vasculhando estruturas, dentro das quais esperam encontrar comida. Já existem soluções para remediar esta situação. No entanto, eles exigem dinheiro e vontade política.

Existem soluções?

A cerca elétrica é altamente eficaz para separar os ursos do lixo, mas pode ser cara para uma pequena vila. Armazenar o lixo e depois transportá-lo para fora do local para instalações onde possa ser descartado com segurança também é eficaz, mas caro. Incineradores foram usados ​​em algumas aldeias como Churchill, no Canadá, e reduziram bastante a quantidade de lixo. Mas essas soluções têm um custo ainda maior, então as aldeias precisariam de assistência financeira para colocá-las em prática. A educação sobre como armazenar adequadamente alimentos e substâncias que atraem ursos também ajudaria a resolver o problema.

Avatar do autor Stella Legnaioli
Escrito por:

Stella Legnaioli

Gestora ambiental formada pela Universidade de São Paulo e jornalista pelo Portal eCycle, nasci na Avenida Paulista, sou vegana e livre de glúten e aceito convites para morar em uma ecovila!