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Problema ocorre devido à troca de micro-organismos no momento em que a água é coletada ou descartada

Pode ser que você nunca tenha pensado nisso, mas a atividade portuária pode causar diversos problemas à biodiversidade marinha. Quer saber o motivo? O Portal eCycle te explica!

Água de lastro: um grande problema

Todos os navios de dimensões grandes precisam utilizar a água do oceano para compensar a perda de peso decorrente do desembarque de cargas e do gasto de combustível, a fim de manterem a estabilidade e a segurança da embarcação. Quando um navio zarpa de um porto rumo a outro, ele precisa encher um reservatório específico para a água de lastro (que é a coletada do oceano). Ao longo da viagem, ele vai, vagarosamente, devolvendo essa água ao mar. Se ele faz uma escala na viagem para carregar ou descarregar mercadorias, há esvaziamento e um novo preenchimento do tanque, para que o navio se mantenha estável nesse processo. O mesmo ocorre ao final da viagem (confira a figura abaixo para entender melhor).

Esse ciclo é extremamente perigoso para a fauna marinha que habita as redondezas do porto, pois a água de lastro, quando é jogada ao mar de uma localidade muito distante de onde foi coletada, traz micro-organismos exóticos às populações de animais locais, além de vírus, bactérias, algas, entre outros. Essa atitude causa o desequilíbrio de ecossistemas da região em que ocorre o despejo das águas, provocando instabilidade na cadeia alimentar. Tudo isso também pode afetar os moradores humanos da região costeira (eles podem ter enfermidades e sofrerem caso um organismo patogênico seja predador de um animal do qual essa população humana depende).

Áreas portuárias

Além do problema da dispensa e captura da água de lastro, as regiões portuárias têm outras atividades que podem trazer riscos ambientais, como a limpeza de casco dos navios e o tráfego de pessoas de várias origens (que “carregam” diversos micro-organismos). Os problemas estão na diversidade ambiental dos portos, o que pode fazer com que determinado organismo que veio “de carona” com as águas não tenha competidores, predadores ou parasitas. 

No ano de 1990, a Organização Marítima Internacional (IMO) criou, junto com o Comitê de Proteção e Meio Ambiente Marinho (MEPEC), um grupo especifico de trabalho para combater a água de lastro. No ano seguinte, foram publicadas as primeiras diretrizes internacionais para o gerenciamento de lastramento dos navios, cujo cumprimento tinha caráter voluntário. Com o decorrer dos anos, a MPEC aprimorou as diretrizes, que originaram outras duas resoluções sobre o assunto: a resolução A.774(18) e a resolução A.868(20), ambas criadas no ano de 1997.

Entre as diretrizes estabelecidas pelo IMO, a de maior destaque foi a de que a água de lastro deveria ser feita na troca oceânica, ou seja, foi sugerido que os navios trocassem a água contida em seus tanques antes de alcançarem a distância de 321.87 km (200 milhas) até a linha de costa do porto de destino. Os locais de troca deveriam possuir no mínimo 200 metros de profundidade e a troca volumétrica de lastramento deveria atingir uma eficiência de 95%. Essa diretriz foi designada para reduzir o risco causado pela água de lastro, pois a água costeira captada seria substituída pela água oceânica, que apresenta propriedades físico-químicas e biológicas diferentes – assim, as espécies costeiras não sobrevivem em ambientes oceânicos e vice-versa, evitando os problemas descritos ao londo da matéria.

Em fevereiro de 2004, a IMO criou a Convenção Internacional para Controle de Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos de Navios. A convenção entrará em vigor um ano após ser confirmada por pelo menos 30 países que, juntos, representam 35% da frota total mercante mundial – o número de confirmações pode ser conferido aqui. O Brasil confirmou o instrumento de ratificação junto com a IMO em 2010.

A convenção visa prevenir os efeitos potencialmente perigosos provocados pela dispersão global de organismos aquáticos através do lastramento. Para isso, os navios deverão possuir a bordo um plano de gerenciamento e um livro de registro da água de lastro. Foram definidos padrões para a troca e o tratamento da água no navio. Os países deverão promover, de forma individual ou conjunta, a realização de pesquisas técnicas sobre a gestão da água de lastro e o monitoramento dos seus efeitos.

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