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Comportamento das pessoas quando mentem e trapaceiam é tema de pesquisa da Universidade de Washington

Quem nunca ouviu falar da história do Pinóquio e da lição de moral que ela contém quando se refere às mentiras? Ou então, a fábula do coelho e da lebre e a questão das trapaças? Essas histórias que povoaram a infância de muitas pessoas, na verdade, ilustram duas das muitas características do comportamento humano: a mentira e a trapaça.

E foram justamente essas as duas características abordadas por um estudo publicado pela American Psychological Association com o objetivo de verificar o comportamento do mentiroso ao trapacear e mentir e quais são as circunstâncias motivacionais envolvidas.

Os fins justificando os meios

De acordo com o estudo coordenado pela professora Nicole E. Ruedy, da Universidade de Washington, as pessoas que mentem e não prejudicam diretamente terceiros, ou pelo menos acreditam que não prejudicaram diretamente terceiros, tendem a se sentir otimistas ao invés de arrependidas.

Os participantes da pesquisa, mais de mil pessoas originárias dos Estados Unidos e da Inglaterra, antes de realizarem os testes, admitiram que se sentiriam mal caso trapaceassem nas atividades propostas.

As atividades propostas eram testes de lógica e matemática que deveriam ser solucionados em um determinado período de tempo no computador. Na tela do teste havia um botão com as respostas dos testes e os participantes foram orientados a não clicar no botão para visualizar as respostas. Certamente, os pesquisadores tinham como visualizar quem havia usado o botão e quem não tinha.

Aos participantes da pequisa foi também prometida uma recompensa para quem finalizasse os testes, o que, segundo os pesquisadores, é um fator motivacional para a mentira. Além disso, a satisfação de ter conseguido terminar os testes, não importa quais foram os meios empregados para isso, também pode ser considerado um forte fator motivacional. Desse modo, foi constatado que os envolvidos na pesquisa que trapacearam, 68% do total dos participantes, demonstraram bem estar e prazer.

Segundo a professora Ruedy, isso pode ser chamado de cheaters high (ou “embriagação do trapaceador”) e pode ser entendido da seguinte forma: quando as pessoas fazem algo errado especificamente para prejudicar alguém, como aplicar um choque elétrico, a reação constatada em pesquisa anterior foi que elas se sentem mal sobre o seu comportamento. Já nesse estudo, foi revelado que as pessoas realmente podem sentir satisfação depois de fazer algo antiético, desde que ninguém seja diretamente prejudicado.

Nesses termos, é possível concluir que não é o ato antiético em si que determina se a pessoa sentirá remorso, prazer, culpa ou satisfação. Mas sim, qual é a relação, direta ou indireta, que esse ato tem com outras pessoas que eventualmente estão envolvidas. E é bom deixar claro que isso não necessariamente tem a ver com a realidade. Uma pessoa pode achar que não está fazendo mal a outras e na verdade está, ou vice-versa.

A cabeça da mentira e da trapaça

Apesar de, via de regra, as pessoas serem capazes de mentir e trapacear, não é constatável que esse capacidade pode ser convertida na detecção de mentiras ou trapaças. A porcentagem de acerto de uma pessoa que tenta adivinhar se está sendo enganado ou não, não atinge nem a marca dos 50%, segundo estudos.

Outro fato interessante referente ao tema diz respeito ao funcionamento do cérebro daquele que está mentindo ou trapaceando. Em tese, verifica-se uma tendência do cérebro humano em contar a verdade ao invés de mentir talvez porque mentir é uma atividade que requer maior atividade cerebral do que contar a verdade. Pesquisas baseadas em técnicas de neuroimagem mostraram que a prática da mentira e da trapaça contraria essa tendência. Além disso, o cérebro apresenta mais atividade quando estamos mentindo e trapaceando.

Essa atividade é mais intensa especialmente no córtex pré-frontal, o que indica que mentir e trapacear exige maior autocontrole e até mesmo criatividade, uma vez que inventar histórias e buscar escapatórias requer esse tipo de habilidade.


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