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A teoria da simulação foi formulada por Nick Bostrom e sugere que nós, seres humanos, vivemos um uma simulação

A hipótese da simulação diz que nós, seres humanos, estamos vivendo em uma simulação dirigida por uma entidade fora de nossa compreensão. Ou seja, tudo que vivemos e experimentamos em vida faz parte de um programa computacional extremamente complexo e poderoso. 

Embora tenha sido concretizada em 2003 por uma pesquisa do filósofo suéco Nick Bostrom, a hipótese da simulação ganhou popularidade através do filme “Matrix”, de 1999. No longa dirigido pelas irmãs Wachowski, máquinas capturaram a maior parte da humanidade e aprisionaram suas mentes dentro de uma realidade artificial conhecida como “Matrix”, a fim de coletar o calor corporal e a energia eletroquímica dos humanos.

No entanto, a ideia também reflete tradições filosóficas ocidentais e orientais, como a alegoria da caverna de Platão. Segundo o filósofo, os humanos não percebem o mundo como ele realmente é, e apenas conseguem ver sombras na parede do que realmente é o universo.

O trabalho de Bostrom, de acordo com especialistas, ajudou a impulsionar a teoria de Platão. E, além disso, o seu argumento mostrou que pelo menos uma proposição no seguinte trilema deve ser verdadeira:

1. O ser humano será extinto em breve.

2. As civilizações avançadas não produzem simulações contendo entidades que pensam ser inteligências sencientes de ocorrência natural.

3. Estamos em uma simulação.

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Qual a chance de estarmos vivendo uma simulação?

O empresário Elon Musk, popularmente conhecido por suas crenças na hipótese de que vivemos em uma simulação, disse em uma conferência em 2016 que “a probabilidade de estarmos na realidade básica é de uma em milhares de milhões”. 

“Musk está certo se você assumir que [as proposições] um e dois do trilema são falsas”, diz o astrônomo David Kipping, da Universidade de Columbia. “Como você pode presumir isso?”

Pensando nisso, Kipping decidiu fazer seus próprios cálculos usando o Teorema de Baye. Este tipo de análise permite calcular as probabilidades de algo acontecer (chamada de probabilidade “posterior”), primeiro fazendo suposições sobre a coisa que está sendo analisada (atribuindo-lhe uma probabilidade “anterior”).

Kipping começou transformando o trilema em um dilema. Ele reuniu as proposições um e dois em uma única afirmação, porque em ambos os casos o resultado final é que não existe uma simulação. Assim, o dilema opõe uma hipótese física (não há simulações) contra a hipótese de simulação (há uma realidade básica – e também há simulações).

Assim, cada hipótese obtém uma probabilidade anterior de metade.

A próxima etapa da análise exigiu pensar em realidades “parosas” – aquelas que podem gerar outras realidades – e realidades “nulíparas” – aquelas que não podem simular realidades descendentes. Se a hipótese física fosse verdadeira, então a probabilidade de vivermos num universo nulíparo seria fácil de calcular: seria de 100 por cento. 

Kipping mostrou então que mesmo na hipótese de simulação, a maioria das realidades simuladas seriam nulíparas. Isto porque à medida que as simulações geram mais simulações, os recursos computacionais disponíveis para cada geração subsequente diminuem ao ponto em que a grande maioria das realidades serão aquelas que não têm o poder computacional necessário para simular realidades descendentes que são capazes de hospedar seres conscientes.

Após aplicar isso ao Teorema de Baye, chegou à uma única conclusão: a probabilidade posterior de que estejamos vivendo na realidade básica é quase a mesma que a probabilidade posterior de sermos uma simulação. 

Ou seja, as chances de que vivemos em uma simulação é 50-50. 

Mas, então, quem controla a Matrix? 

No filme das irmãs Wachowski, a Matrix é controlada por máquinas que derrotaram a humanidade. Porém, entre pensadores que acreditam na hipótese da simulação, existem outras teorias que exploram outras possibilidades. 

Bostrom, por exemplo, afirma que as gerações futuras poderão ter “mega computadores” capazes de executar simulações numerosas e detalhadas dos seus antepassados, nas quais os seres simulados estão imbuídos de uma espécie de consciência artificial. Portanto, o intelectual confirma que, se nós estamos vivendo em uma simulação, não somos a primeira espécie de seres humanos a existir. 

“Poderia ser o caso que a grande maioria das mentes como a nossa não pertença à raça original, mas sim a pessoas simuladas pelos descendentes avançados de uma raça original. É então possível argumentar que, se este fosse o caso, seríamos racionais ao pensar que provavelmente estamos entre as mentes simuladas e não entre as mentes biológicas originais”, explica em seu artigo.

Por outro lado, outros filósofos revelam a possibilidade da simulação ser um resultado de um programador de computadores de outra realidade, ou outro universo. 

“[O programador] pode ser apenas um adolescente hackeando um computador e executando cinco universos em segundo plano… Mas pode ser alguém que, mesmo assim, é onisciente, onisciente e todo-poderoso sobre o nosso mundo”, explica  David Chalmers, professor de filosofia da Universidade de Nova York. 

Foto de Markus Spiske na Unsplash

Como uma simulação funcionaria?

Alguns estudiosos creem que, se estamos mesmo vivendo em uma simulação, isso poderia ser realizado através de um de dois cenários:

  1. Tudo que sabemos e conhecemos é simulado: tudo que existe, incluindo pessoas, ambiente, objetos e sensações, são subprodutos de códigos computacionais. Nesse caso, o cenário exigiria hardware poderoso o suficiente para simular todos esses componentes da existência no universo. 
  2. O mundo como o conhecemos é simulado: assume que os próprios humanos são reais e orgânicos, mas que o mundo e uma série de pessoas que nos rodeiam são simulados.

Argumentos contra e a favor de que vivemos em uma simulação 

Entre o debate se vivemos em uma simulação ou não existem inúmeros argumentos que apoiam ou negam a existência de uma simulação. Confira: 

Contra

Simular a experiência humana seria “estranho”

Em 2016, durante o 17º Painel de Debate Anual Isaac Asimov no Museu Americano de História Natural de Nova York, a teoria da simulação foi discutida por um painel de especialistas científicos, entre elas está Lisa Randall, física de Harvard. 

“Simplesmente não se baseia em probabilidades bem definidas. O argumento diz que haveria muitas coisas que querem nos simular. Na verdade, tenho um problema com isso. Estamos principalmente interessados ​​em nós mesmos. Por que nos simular? Quero dizer, há tantas coisas para simular. … Não sei por que esta espécie superior iria querer se preocupar conosco”, disse Randall. 

Simular uma realidade alternativa exigiria uma tecnologia muito avançada

Desde o início da hipótese da simulação, especialistas afirmam que esse cenário exigiria um computador extremamente capaz de abrigar todas as complexidades do universo. Portanto, muitos debatem se uma tecnologia nesses parâmetros realmente existe. 

A favor

Os limites tecnológicos ainda estão sendo descobertos

“A verdadeira questão é quais são os limites dos poderes computacionais. (…) Podemos ter um universo virtual em nosso computador e calcular o que acontece se colidirmos galáxias. Não é loucura acreditar que em algum momento no futuro distante poderá haver computadores que possam simular uma fração bastante grande de um mundo”, disse o astrônomo Martin Rees em entrevista ao Space.com.

Multiversos e universos virtuais já existem 

Em seu artigo, Bostrom discute a possibilidade de que se os humanos forem capazes de sobreviver milhares de anos, alcançando a maior parte das capacidades tecnológicas, é provável que eles tenham as capacidades para executar simulações ancestrais.

“Os matemáticos provaram que uma máquina de computação universal pode criar um mundo artificial que é ele próprio capaz de simular o seu próprio mundo, e assim por diante, ad infinitum. Em outras palavras, as simulações aninham-se dentro de simulações dentro de simulações”, disse o cosmólogo Paul Davies em 2003. 


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