Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Estudo mostra que a quantidade de gás carbônico absorvido pela Amazônia é influenciada pelo tempo de vida das árvores na floresta

  • Cerca de 124 mil árvores da Bacia Amazônica foram monitoradas ao longo de três décadas por pesquisadores britânicos, brasileiros e peruanos; segundo o estudo, o principal fator de risco que explica a morte das árvores é a taxa média de crescimento das espécies.
  • O sul e o oeste da Amazônia apresentaram as maiores taxas de mortalidade, mas por fatores de risco diferentes: o vento parece causar mais danos no oeste amazônico, enquanto o sul, mais próximo do Arco do Desmatamento, teve mais mortes devido ao estresse hídrico e à seca.
  • As descobertas têm implicações importantes para a luta contra as mudanças climáticas, dado que a Amazônia responde por 12% da captura terrestre de carbono do planeta, mas está perdendo essa capacidade devido ao aumento da mortalidade das árvores.

À medida que mais árvores morrem na Bacia Amazônica, a capacidade da floresta de absorver dióxido de carbono diminui. Mas, para entender por que as árvores estão morrendo mais rápido, os pesquisadores precisam compreender antes de mais nada por que elas morrem, algo que, em grande escala, não se sabia até agora.

Um estudo publicado na revista Nature Communications fornece informações sobre os padrões que levam à morte de árvores na Amazônia e pode ajudar os cientistas a explicar por que e como a floresta está mudando.

De acordo com o estudo, o principal fator de risco que explica a morte das árvores é a taxa média de crescimento das espécies. Espécies que crescem mais rápido tendem a ter uma expectativa de vida menor, e, portanto, registrar mais mortes num determinado período.

À medida que as mudanças climáticas avançam, essas espécies de crescimento rápido estão se saindo melhor. Mas as espécies que crescem mais rápido também morrem mais jovens, o que significa que absorvem menos carbono do que as espécies de crescimento lento e vida longa. Isso pode representar um problema para o clima, já que a Amazônia responde por 12% do sequestro terrestre de carbono.

“A capacidade da Amazônia de absorver carbono está diminuindo com o tempo. E a principal razão é que a mortalidade [das árvores] está aumentando. Por isso precisamos entendê-la. Isso se tornou uma questão muito urgente”, diz Adriane Esquivel-Muelbert, autora líder do estudo do Instituto de Pesquisa Florestal de Birmingham, no Reino Unido.

Como a maioria das árvores vive comparativamente mais do que outros seres vivos da floresta, entender por que, como e onde as árvores morrem requer a coleta de muitos dados por um longo período de tempo. Para esta análise gigantesca, cerca de 124 mil árvores e 23 mil mortes foram monitoradas e analisadas ao longo de um período de 30 anos.

“Entender os principais motivos que levam à morte das árvores nos permite prever as tendências futuras e nos planejar para elas – mas essa é uma empreitada enorme, uma vez que há mais de 15 mil espécies diferentes de árvores na Amazônia”, declarou Esquivel-Muelbert.

Os dados usados no estudo vêm da Rainfor, uma iniciativa de monitoramento de longo prazo da Amazônia, que reuniu as pesquisas de mais de cem cientistas para esta análise. Os cientistas monitoraram 189 áreas de 1 hectare cada, e a cada três anos aproximadamente mediram todas as árvores maiores de 10 centímetros de diâmetro, anotando a saúde e a aparência de cada uma.

As árvores mortas passaram por uma “autópsia”, seguindo um protocolo que avalia se a árvore morreu quebrada ou em pé, e se há marcas visíveis de doença. Uma árvore caída e arrancada, por exemplo, provavelmente morreu num vendaval. Já uma que morreu em pé, provavelmente sucumbiu a fatores fisiológicos como seca ou estresse por patógenos.

“Isso envolve um exame detalhado e culmina num imenso esforço à la ‘CSI Amazônia’, conduzido por investigadores habilidosos de uma dúzia de países”, declarou Oliver Phillips, professor da Universidade de Leeds e coautor do artigo.

Mais da metade, 51%, das mortes de árvores estudadas foram atribuídas a danos estruturais, principalmente por vendavais, mas diferentes regiões da Amazônia mostraram diferentes fatores de risco para as árvores. No geral, o sul e o oeste da Amazônia tiveram taxas mais altas de mortalidade. O vento pareceu causar mais danos no oeste da Amazônia, enquanto o sul teve mais árvores mortas por estresse hídrico e seca.

“Em toda a bacia, não há um lugar onde o vento não tem importância”, diz Esquivel-Muelbert, “mesmo no centro da Amazônia, onde o vento não é o principal fator, continua sendo responsável por uma grande proporção das mortes.”

A região mais seca e quente da Amazônia está ao sul, então os pesquisadores esperavam que as árvores de lá estivessem em grande parte adaptadas a condições secas e quentes, diz Esquivel-Muelbert. Contudo, o sul da Amazônia foi o único lugar com um risco maior de morte de árvores devido à seca e à tolerância das árvores à seca, o que significa que algumas espécies dessa região estão sendo levadas ao seu limite de adaptação.

“É preocupante porque o sul já está potencialmente em risco”, afirma Esquivel-Muelbert. “Mas também é bom saber que o resto da bacia [Amazônica] parece estar bastante protegida, ou ainda não foi afetada. Não conseguimos detectar sinais de seca ainda.”

“Agora que podemos ver com mais clareza o que está acontecendo em toda a floresta, há oportunidades claras para agir”, declarou Beatriz Marimon, da Universidade Estadual do Mato Grosso, que coordenou a pesquisa em várias áreas do país para o estudo. “Descobrimos que a seca também está levando à morte das árvores, mas até agora apenas no sul da Amazônia. O que está acontecendo aqui serve como um alerta de que precisamos evitar que as árvores de outras partes tenham o mesmo destino.”

Citação:

Esquivel-Muelbert, A., Phillips, O. L., Brienen, R. J. W., Fauset, S., Sullivan, M. J. P., Baker, T. R., … Galbraith, D. (2020). Tree mode of death and mortality risk factors across Amazon forests. Nature Communications11(1), 5515. doi:10.1038/s41467-020-18996-3