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Equipamento inovador evita que partículas plásticas de roupas sintéticas sejam liberadas no sistema de esgoto. Tecnologia foi compartilhada com concorrentes

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Estima-se que 60% de todas as roupas fabricadas no mundo usem o petróleo como matéria-prima. O material dá origem a tecidos como o poliéster e o nylon, que liberam microplásticos quando lavados. Essas partículas são muito pequenas para serem retidas na filtragem do esgoto e acabam atingindo os oceanos, contaminando peixes e outros animais.

Pensando em formas de impedir essa contaminação, a Arçelik lançou uma máquina de lavar roupas equipada com filtros de várias camadas. A tecnologia desenvolvida pela empresa, uma das maiores do mundo no setor de eletrodomésticos, consegue reter cerca de 90% das fibras microplásticas e está aberta aos concorrentes para que criem equipamentos similares.

A Arçelik vende seus produtos em 146 países e possui 12 grandes marcas de eletrodomésticos – umas das mais conhecidas é a Beko, segunda mais vendida em seu mercado na Europa. A marca planeja para este ano o lançamento comercial da nova máquina de lavar, equipada com esse sistema de filtragem especial que impede o escape dos microplásticos.

As novas máquinas de lavar roupa contêm filtros com várias camadas atrás do compartimento do detergente. Ao final dos ciclos de lavagem, quando a água é empurrada para fora da máquina, 90% das fibras microplásticas ficam presas nos filtros e não saem da máquina.

A Arçelik compartilhou sua tecnologia com os concorrentes no final do ano passado, em discurso durante uma conferência para a indústria de eletrônicos de consumo. “Basicamente, dissemos que estamos solicitando patentes, mas não buscaremos nenhuma proteção à propriedade intelectual e convidamos nossa concorrência a usar essa tecnologia”, disse Hakan Bulgurlu, CEO da Arçelik.

A empresa também fabrica uma geladeira biodegradável, construída a partir de bioplástico feito de resíduos de alimentos, como cascas de ovo e milho, e um compartimento interno de máquina de lavar roupa feito com garrafas plásticas recicladas.

Fazer uma geladeira biodegradável é caro e seu custo é quase proibitivo. Mas Bulgurlu acredita que as pessoas se adaptarão aos custos mais altos para preservar o meio ambiente. “Com o passar do tempo, as pessoas estarão dispostas a pagar mais”, analisa. “E, à medida que a produção aumenta, o custo diminui e esses produtos se tornam mais acessíveis.”

Outras alternativas

Uma máquina de lavar produzida pela empresa Grundig também promete solucionar esses problemas. A máquina FiberCatcher já foi feita com um filtro de microplásticos embutido. Feito de 98% de materiais reciclados, esse filtro tem a vida útil de seis meses e pode ser substituído por outros da marca, com seu envio de volta para a sua reutilização sendo de graça. 

Outros filtros que podem ser adaptados para se anexar em máquinas de lavar já existentes também estão sendo produzidos ao redor do mundo para tentar solucionar o problema. 

Produzir roupas e tecidos que não perdem tantas microfibras e desenvolver melhores sistemas de gestão de águas residuais também são boas alternativas para o problema.Por isso, novas alternativas além de fibras sintéticas estão sendo desenvolvidas para quebrar o ciclo de uma vez por todas. Empresas estrangeiras como a AlgiKnit e a Orange Fiber estão criando fibras orgânicas a partir de algas marinhas (kelp) e suco de laranja, que são biodegradáveis e não oferecem riscos para o mar. 

Além de ser uma ótima alternativa para fibras poluentes, roupas produzidas a partir desses materiais também têm a promessa da durabilidade, que pode ser a solução de outros problemas da indústria têxtil, como o fast-fashion.