Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Ideologia de gênero é um termo que se refere, de forma pejorativa às políticas de educação sexual, direitos femininos e LGBTQIA+

“Ideologia de gênero” é um termo sem legitimidade acadêmica utilizado por conservadores para deslegitimar os direitos das mulheres e comunidade LGBTQIA +. O termo ideologia de gênero é usado em abundância pela comunidade conservadora para justificar sua oposição a políticas de igualdade de gênero, educação sexual e direitos LGBTQIA + como casamento, adoção e tecnologias de reprodução. De acordo com as pessoas que utilizam essa terminologia, a ideologia de gênero é uma movimentação da comunidade feminista e homossexual para acabar com a estrutura da família tradicional.

Significado de ideologia

A ideologia é um sistema de ideias, valores e princípios que definem uma certa visão do mundo. Desta forma, a ideologia é capaz de fundamentar e orientar a forma de agir de uma pessoa ou de um grupo social, sendo ele um movimento político ou religioso.

Gênero

O gênero é uma construção social que determina como as pessoas irão se portar diante da sociedade. Segundo a sociedade conservadora atual, existem dois gêneros, o feminino e o masculino. Essas duas categorias de seres humanos tem que seguir normas e padrões predefinidos para a sua existência, para que sejam aceitos socialmente.

Essa ideia tem se tornado cada vez mais ultrapassada, conforme pesquisadores encontram mais provas de que gênero é algo que se transforma de acordo com o tempo e a cultura. Algumas pesquisas também mostram que em diferentes períodos da existência humana se acreditou na existência de mais de dois gêneros.

Ideologia de gênero

Ideologia de gênero é um termo que se refere, de forma abrangente às diversas pautas da comunidade feminista e LGBTQIA+, mas as coloca como algo negativo. 

Um exemplo discutido nos últimos anos é a educação sexual. Para grande parte da comunidade conservadora, a educação sexual nas escolas seria um projeto de ideologia de gênero. Desta forma, as escolas passariam a ensinar os seus alunos a serem homossexuais e também dariam “aulas de sexo”. 

Apesar dessa não ser a proposta apresentada a respeito de aulas de educação sexual, os defensores da existência da ideologia de gênero conseguiram espalhar a desinformação. Logo, a discussão entrou em cena, e diversas pessoas que não tinham conhecimento da situação ficaram chocadas com uma informação criada para atacar a imagem de movimentos feministas e pro-LGBTQIA +.

Família tradicional

Para o entendimento do conceito de família tradicional é preciso ter em mente que o termo tem fundamento nos ensinamentos religiosos e em uma sociedade centrada na binaridade de gênero. O que isso quer dizer? Bom, é uma norma comum entre os seres humanos acreditar que existem apenas dois gêneros, o homem e a mulher.

A partir dessa ideia, existe a crença que cada um desses gêneros tem o seu respectivo papel no mundo. Desta forma, algumas sociedades enxergam o papel da mulher como mais fraco e sentimental, enquanto o homem é forte e racional. Segundo os ensinamentos conservadores, geralmente baseados na religião, a mulher e o homem devem estar em matrimônio. 

É a partir daí que surge a ideia de família tradicional. A crença de que o homem e a mulher devem se casar também impõe que os dois devem ter filhos. Assim, a família tradicional seria montada por um homem e uma mulher, o pai e a mãe, e os seus filhos. 

Contexto histórico

A primeira vez que o termo ideologia de gênero surgiu foi durante os anos 90, quando o Vaticano passava por um momento difícil. Naquela época as Nações Unidas haviam finalmente reconhecido os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas e a ideia de gênero começava a ser discutida pela sociedade. 

Com o avanço da discussão sobre os direitos das mulheres, a igreja católica começou a se sentir ameaçada. Para a instituição, isso significava a abertura dos portões para ações promiscuas e a prática do aborto. O que levaria para o fim das crenças da civilização ocidental.

Em 1997 foi publicado o texto “Dale O’Leary’s The Gender Agenda”, que ajudou na disseminação do termo ideologia de gênero e ainda utilizou da palavra “sexo” como sinônimo de gênero. Essa leitura foi essencial para os membros do Vaticano na época, e fortaleceu a falsa ideia de que a movimentação pelos direitos femininos e LGBTQIA+ eram apenas um esquema para dissolver a família tradicional e refazer a sociedade. 

Foi nos anos 200 que nasceu um movimento transnacional que se colocava contra a “ideologia de gênero”. O Brasil foi um dos países que se juntou a essa movimentação, ao lado da Polônia, Alemanha, França e da Irlanda. 

No ano de 2018, com a candidatura do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, o tema começou a ganhar um espaço significativo na mídia e na boca do povo. Conhecido por sua campanha conservadora, Bolsonaro se posicionou diversas vezes contra a tal ideologia de gênero. Por isso, ganhou o voto de milhares de outros brasileiros que também se consideravam parte da comunidade conservadora que preza pela família tradicional.

Educação nas escolas

Com o avanço da luta das causas LGBTQIA + surgiram cada vez mais políticas que visavam assegurar os direitos dessas pessoas. Como os projetos de educação sexual nas escolas. A intuição desses programas é combater discriminações de gênero e orientar os jovens sobre a saúde sexual, evitando a gravidez precoce e até mesmo doenças sexualmente transmissíveis. 

Porém, essa ideia pareceu ser algo que não agradou toda a população. Isso porque algumas pessoas passaram a ver essas iniciativas como uma forma de “implantar a ideologia de gênero”. Com a ajuda da desinformação espalhada a respeito, os indivíduos começaram a acreditar que políticas de educação sexual serviam para ensinar jovens e crianças a serem LGBTQIA + ou praticarem sexo. 

Junto desse conceito errôneo também surgiu o termo “Kit Gay”. Uma fake news espalhada com intuito de fazer com que as pessoas acreditassem que as escolas iriam receber materiais educativos que ensinavam os alunos a serem homossexuais.

Na verdade, o termo se referia ao projeto Escola Sem Homofobia, material solicitado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ao Ministério da Educação (MEC). Ele servia para garantir que os estudantes entendessem mais sobre a comunidade LGBTQIA + e dessa forma, fosse reduzido o número de casos de homofobia no país. 

Discriminação

O termo ideologia de gênero surgiu como uma forma de gerar medo de tudo que difere padrões e normas estabelecidas pela sociedade. Desta forma, ele trabalha como uma grande teoria da conspiração, que pretende prejudicar o alcance e a manutenção dos direitos de minorias de gênero. 

A partir do medo as pessoas, que sempre tiveram seus privilegios, começam usar a discriminação como uma forma de impedir a mudança. Desta forma, elas acreditam que com uma minoria ganhando espaço, os seus direitos e privilégios serão automaticamente cancelados, e ela será uma pessoa considerada inferior. 

Para mudar essa situação é preciso entender mais sobre as pautas de minorias marginalizadas, como pessoas LGBTQIA+ e mulheres. Ou seja, é preciso criar um espaço seguro para que esses indivíduos possam expressar a sua dor e angústia. Isso pode ser alcançado através da educação de temas relacionados às causas e aposentando o termo “ideologia de gênero” de uma vez.