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Furano é uma classe de compostos químicos tóxicos que apresenta riscos à saúde

Imagem de Harris Vo em Unsplash

Furano é um nome genérico dado a um grupo de compostos químicos de natureza orgânica, heterocíclicos e aromáticos, que podem ser obtidos pela destilação de algumas variedades de madeira. Chamados cientificamente de dibenzofuranos policlorados (PCDF- polychlorinated-p-dibenzofurans), esses elementos possuem estrutura e propriedades físicas e químicas semelhantes as do grupo dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDD- polychlorinated-p-dibenzodioxins).

Apesar de não possuírem anel aromático completo em sua estrutura, os furanos apresentam certa aromaticidade. Isso se deve ao fato de um dos pares eletrônicos do átomo de oxigênio interagir com as ligações duplas do anel, o que provoca uma certa deslocalização desses elétrons, chegando-se a um comportamento químico próximo ao de uma molécula de benzeno.

Entre as suas reações características, pode-se citar a cloração, sendo que seus átomos de carbono sofrem substituição de modo análogo ao benzeno. “Esses compostos são formados como subprodutos não intencionais em determinados processos industriais e de combustão, mas podem resultar de processos naturais, como incêndios florestais, erupções de vulcões e a partir de processos catalisados enzimaticamente”, de acordo com um estudo.

Emissões de furano

O furano é produzido inadvertidamente por meio de processos industriais, como a incineração de resíduos, a produção de substâncias químicas e a combustão ou por meio de técnicas utilizadas para realizar o branqueamento do papel. Dessa maneira, os compostos que fazem parte dessa classe podem ser encontrados na água, no solo e no ar.

Assim como as dioxinas, os furanos estão presentes na lista de poluentes orgânicos persistentes (POPs) da Convenção de Estocolmo, um tratado internacional que visa a eliminação segura desses compostos e a limitação de sua produção e uso, do qual o Brasil é signatário. Isso significa que eles podem ser considerados tóxicos, já que permanecem muito tempo no meio ambiente e sofrem processos de bioacumulação e biomagnificação ao longo da cadeia alimentar.

Por isso, esses compostos químicos podem chegar até os alimentos que consumimos. Se você come a carne de um animal que contém muito furano, por exemplo, ela ficará acumulada no seu corpo. A partir de então, seu organismo tentará se livrar dessa substância por um bom tempo. Para saber mais sobre esse tema, acesse a matéria “O que é bioacumulação?”.

Riscos à saúde

Existem 75 congêneres (compostos químicos com até oito átomos de cloro em sua fórmula) das dioxinas cloradas e 135 dos furanos clorados, totalizando 210 substâncias. Destas, somente 17 possuem relevância em relação à toxicidade.

Vale ressaltar que, em contato com seres vivos, esses compostos se acumulam em tecidos gordurosos e são liberados lentamente na corrente sanguínea, gerando diversos riscos à saúde. Além disso, não há um nível saudável de exposição ao furano e até uma quantidade pequena pode ser perigosa, exatamente porque ele se acumula no organismo.

Segundo uma pesquisa realizada pela Agency for Toxic Substances and Disease Registry, a alimentação é responsável por cerca de 96% das contaminações por furano. Os principais tipos de alimentos que contêm compostos químicos pertencentes a esse grupo são aqueles de origem animal, como carnes, peixes, ovos e leite. A contaminação também pode ocorrer quando ingerimos alimentos que tiveram contato direto com embalagens que possuem furano (principalmente as feitas com papel branqueado industrialmente, como pratos de papel e caixas de comida feitas de papel).

Outra forma de o organismo humano ser invadido pelo furano é a respiração de gases, vapores e outras emissões provenientes de lixões que costumam incinerar seus resíduos. Plantas industriais, como fábricas de papel, de cimento e de fundição de metais, também podem liberar compostos químicos dessa classe no ar. Viver em uma região próxima a esse tipo de estabelecimento pode acarretar exposição crônica ao furano via respiração.

A exposição humana a altos níveis de furano por curto prazo pode resultar em lesões na pele, como cloracne, e alterações no fígado. A exposição crônica, por sua vez, pode estar associada a danos aos sistemas imunológico, nervoso, endócrino e as funções reprodutivas. Estudos com crianças também indicaram atraso no neurodesenvolvimento e efeitos neurocomportamentais, incluindo hipotonia neonatal. Por isso, é importante evitar alimentos e locais que emitam esses tipos de compostos químicos.



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