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Pesquisadores observaram que a textura da superfície dos implantes influencia diretamente no grau de periculosidade do material

Em estudo publicado ontem (21) na revista científica Nature Biomedical Engineering, uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT, nos Estados Unidos, analisou como a arquitetura de superfície encontrada nos implantes mamários de silicone influencia o desenvolvimento de efeitos adversos.

Em alguns casos, esses efeitos podem incluir um tipo incomum de linfoma. Segundo os pesquisadores, as descobertas podem ajudar os cientistas a projetar implantes mais biocompatíveis no futuro.

Todos os anos, cerca de 400 mil pessoas recebem implantes mamários de silicone nos Estados Unidos. De acordo com dados da agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), a maioria desses implantes precisa ser substituída em até dez anos, em virtude do acúmulo de tecido cicatricial e outras complicações.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e já é o país que mais realiza cirurgias plásticas estéticas no mundo, registrando o impressionante número de 1 milhão e 498 mil procedimentos em 2018. O aumento mamário com implante de silicone lidera o ranking de intervenções mais procuradas pelas brasileiras.

Análise de superfície

Os implantes mamários de silicone estão em uso desde a década de 1960, e as primeiras versões tinham superfícies lisas. No entanto, com esses implantes, as pacientes frequentemente experimentavam uma complicação chamada contratura capsular, na qual o tecido cicatricial se forma ao redor do implante e o comprime, criando dor ou desconforto, além de uma deformação visível do implante. Esses implantes também podiam virar após a implantação, exigindo ajustes cirúrgicos ou até mesmo sua remoção.

No final da década de 1980, algumas empresas começaram a fabricar implantes com superfícies mais ásperas, com a esperança de reduzir as taxas de contratura capsular, fazendo com que o material “colasse” melhor ao tecido e permanecesse no lugar.

No entanto, em 2019, a FDA solicitou a um fabricante de implantes mamários que retirasse todos os produtos altamente texturizados comercializados nos Estados Unidos, em razão do alto risco de Linfoma Anaplásico de Células Grandes Associado ao Implante Mamário (BIA-ALCL), um câncer do sistema imunológico.

Foi aí que uma nova geração de implantes mamários, com uma arquitetura de superfície única, foi projetada para prevenir essas complicações. Em 2015, pesquisadores se uniram para explorar como essa superfície única, bem como outras comumente usadas, interagem com o tecido circundante e o sistema imunológico.

Eles começaram testando cinco implantes disponíveis comercialmente com diferentes topografias, incluindo grau de rugosidade – desde o modelo altamente texturizado até o completamente liso, incluindo outros três de textura intermediária.

Em um estudo com coelhos, os pesquisadores descobriram que o tecido exposto às superfícies mais ásperas dos implantes mostrou sinais de aumento da atividade dos macrófagos – as células do sistema imunológico que normalmente eliminam células estranhas e detritos.

Todos os implantes estimularam células imunes chamadas células T, mas de maneiras diferentes. Os implantes com superfícies mais ásperas estimularam mais respostas de células T pró-inflamatórias, enquanto os implantes com topografia de superfície única, incluindo rugosidade média, estimularam as células T que parecem inibir a inflamação do tecido.

As descobertas dos pesquisadores sugerem que implantes mais ásperos se esfregam contra o tecido circundante e causam mais irritação. Isso pode explicar por que os implantes mais ásperos podem levar ao linfoma: a hipótese é que parte da textura se desprende e fica presa no tecido próximo, onde provoca uma inflamação crônica que pode levar ao câncer.

Os pesquisadores também testaram versões miniaturizadas desses implantes em ratos. Eles fabricaram esses implantes usando as mesmas técnicas usadas para fabricar as versões em tamanho humano, e em seguida mostraram que os implantes com textura mais alta provocavam mais atividade dos macrófagos, mais formação de tecido cicatricial e níveis mais altos de células T inflamatórias. Os pesquisadores também realizaram o sequenciamento de RNA de uma única célula de células do sistema imunológico desses tecidos para confirmar que as células expressavam genes pró-inflamatórios.

Segundo os pesquisadores, embora os implantes de superfície completamente lisa também tenham apresentado níveis mais altos de resposta de macrófagos e fibrose, os experimentos evidenciaram que as células individuais estavam mais estressadas e expressavam mais um fenótipo pró-inflamatório em resposta à maior rugosidade da superfície.

Por outro lado, os implantes com a arquitetura de superfície única, incluindo um grau otimizado ou “ponto ideal” de aspereza da superfície, pareceram reduzir significativamente a quantidade de cicatrizes e inflamação, em comparação com ou os implantes com maior rugosidade ou uma superfície completamente lisa.

Buscando implantes mais seguros

Depois de realizar seus estudos em animais, os pesquisadores analisaram amostras de um grande banco de amostras de tecido canceroso para estudar como pacientes humanos respondem a diferentes tipos de implantes mamários de silicone.

Nessas amostras, a equipe encontrou evidências dos mesmos tipos de respostas imunológicas que haviam visto nos estudos com animais. Entre as descobertas, foi observado que as amostras de tecido que haviam hospedado implantes altamente texturizados por muitos anos apresentavam sinais de uma resposta imunológica crônica e de longo prazo. Os pesquisadores também descobriram que o tecido cicatricial era mais espesso em pacientes que tinham implantes mais texturizados.

Os autores esperam que seus conjuntos de dados ajudem outros pesquisadores a otimizar o design de implantes mamários de silicone e outros tipos de implantes médicos para oferecer maior segurança aos pacientes.

As doenças do silicone

Além do BIA-ALCL, existem outras complicações de saúde associadas à implantação de próteses mamárias. As doenças do silicone englobam uma série de sintomas que podem ocorrer em pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia.

Existem duas complicações de saúde mais recorrentes associadas a esse tipo de cirurgia plástica: a Doença do Silicone, ou Doença do Implante de Silicone, e a Síndrome ASIA. Como causam os mesmos sintomas, elas são comumente confundidas, embora sejam doenças diferentes. Saiba mais na matéria Doenças do silicone: os riscos das próteses mamárias.