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Em sua primeira semana de trabalho como novo ministro do Meio Ambiente, Leite já teve que encarar 326 km² de área desmatada. No acumulado de 2021, a área com alertas já é 17,1% superior a do mesmo período de 2020

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Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, indicam que o desmatamento segue com tendência de alta na Amazônia, números que não param de crescer desde 2019. Os dados do mês de junho mostram uma área destruída de 1.062 Km2, aumento de 1,8% na área com alertas de desmatamento em relação aos registrados em junho de 2020. Somente na última semana do mês passado foram 326 Km2. No acumulado do ano, essa área já chega a 3.610 Km2, número 17,1% maior que o mesmo período de 2020.  

Os números chegam em um momento crítico para o meio ambiente brasileiro, com uma temporada intensa de seca, um novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Leite, que ao que tudo indica, seguirá à risca a agenda de destruição de Salles, e a insistência do governo federal em manter uma operação cara e comprovadamente ineficaz para lidar com o problema, enviando tropas militares, através da GLO, para combater o desmatamento. 

“É mais um triste recorde para a floresta e seus povos. Esse número só confirma que o Governo Federal não tem capacidade, nem interesse de combater toda essa destruição ambiental”, declara Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

Esse tipo de operação vem, há dois anos, mobilizando recursos públicos, muitas vezes superiores ao orçamento anual do IBAMA para fiscalização, e um grande número de militares sem efetividade na prevenção do desmatamento e queimadas. Além de não evitar o desmatamento, o próprio governo divulgou os 26 municípios onde atuarão as Forças Armadas, o que compromete o “elemento surpresa” necessário para encontrar e punir criminosos.

Ainda de acordo com o DETER, no período de janeiro a junho, na comparação com o mesmo período do ano passado, a área com alertas de desmatamento por corte raso, quando toda a cobertura florestal é retirada, teve aumento de 19%. Houve aumento também em outras classes de desmatamento, com destaque desastroso para o aumento de 335% nas áreas com cicatriz de queimadas e de 135% nos alertas de degradação, que é quando há uma retirada parcial da floresta, que deixa as áreas mais vulneráveis aos incêndios. No mesmo período, os alertas de desmatamento em Terras Indígenas atingiram 7.369km² , um aumento de 7% na comparação com o ano passado.   

Novo ministro, mesmos problemas

Depois de dois anos e meio ocupando o posto de “ministro contra o meio ambiente”, Ricardo Salles finalmente deixou o cargo, no final de junho, deixando um legado de destruição e os órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio, em frangalhos. 

A nomeação de seu sucessor, Joaquim Álvaro Pereira Leite, entretanto, não nos permite muito otimismo de que essas políticas desastrosas venham a ser revertidas. Leite foi conselheiro de uma entidade ruralista (SRB – Sociedade Rural Brasileira) por 23 anos e sua família, composta por fazendeiros de café, tenta abocanhar um pedaço da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo. 

O principal motivo da descrença, no entanto, é claro: Joaquim Álvaro Pereira Leite se torna ministro de um presidente da República que já provou, em diversas ocasiões, não estar preocupado com a conservação da floresta e seus povos — e também não gosta de ser contrariado por seus ministros. 

Para Rômulo Batista, com a recorrência de indicadores ambientais desastrosos – só nos dois primeiros dias de julho, o Deter já registrou 216 Km² de alertas – “empresas, governos e a opinião pública devem pressionar para que a destruição ambiental cesse e não devem se enganar com um novo rosto na cadeira do ministro, tendo em vista que a política antiambiental estabelecida no Brasil nos últimos 30 meses tem na figura do presidente o seu líder maior e o apoio cego do presidente da Câmara Arthur Lira.”   

Sabemos que, se depender do Congresso e do governo Federal, temos motivos para nos preocupar. Projetos de Lei, como o 2633/2020, que anistia grileiros, e o 490/2017, que abre terras indígenas para atividades predatórias, acrescentam mais uma camada de pressão sobre nossas florestas, que já são muitas. 

“Ao invés dos parlamentares estarem focados em conter os impactos da pandemia e combater o crime que avança na floresta, e que não só queima nossas riquezas naturais, mas também a imagem e a economia do país, eles tentam aprovar projetos que irão acelerar ainda mais o desmatamento, os conflitos no campo e a invasão de terras públicas. Nosso país não precisa da aprovação destes projetos. O que precisamos é de vontade política para avançar no combate ao desmatamento, queimadas e grilagem de terras”, finaliza Rômulo.