Acidente de laboratório no Ceará pode amenizar poluição mundial

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Jovem pesquisadora descobriu material capaz de ajudar a conter vazamento de petróleo

Cristal poroso
Imagem: Cristal liso desenvolvido por Myllena. Foto: Arquivo Pessoal.

Depois de quase começar um incêndio em um dos laboratórios de química do Instituto Federal do Ceará, a estudante Myllena Cristyna da Silva, de 19 anos, acabou criando um material poroso que pode ser usado para conter vazamentos de petróleo no mar. O que começou com um acidente na estufa do laboratório pode contribuir para amenizar um dos maiores problemas de poluição ambiental em todo o mundo.

Estudante do curso técnico em Meio Ambiente, Myllena estava estudando os polímeros que compõem o isopor e acabou esquecendo uma parte do material na estufa do laboratório. O estudo pegou fogo e Myllena levou o material em chamas para a pia. Ao jogar água, o choque térmico acabou criando "cristais de isopor", que ela chamou de cristal liso.

Myllena
Imagem: A jovem pesquisadora Myllena Cristyna da Silva. Foto: Arquivo Pessoal

O acidente rendeu uma suspensão de 30 dias do laboratória da escola, período que a jovem cientista aproveitou para estudar questões teóricas relacionadas aos polímeros. Na volta, ela percebeu que os cristais lisos repeliam líquidos e imaginou que poderiam ser usados para evitar vazamentos de óleo em navios petroleiros. Seus testes revelaram que o material realmente funciona para esse fim.

O trabalho foi apresentado durante a Intel ISEF 2018, a maior feira de ciências do mundo, e tem um grande potencial. Além da capacidade de absorver petróleo, a jovem realizou ainda outro procedimento, em que conseguiu transformar isopor em um material cristalino, mas dessa vez poroso. Colocando nesse material uma bactéria conhecida por degradar isopor e plásticos, ela percebeu que o processo de decomposição bacteriano se dava muito mais rápido a partir dos cristais. De modo natural, as bactérias demorariam mais de 150 anos para devorar o isopor tradicional, mas para comer os cristais porosos elas levaram apenas sete meses.

Outro item curioso foi revelado pela análise do subproduto gerado pela degradação dos cristais pelas bactérias, ou seja, o que era excretado por elas após comerem o isopor cristalizado. Myllena conta que era óleo de etileno, que é a matéria prima do isopor. Ou seja: a jovem descobriu um ciclo fechado.

Esse ciclo fechado acontece basicamente pelo fato de ela utilizar o produto industrializado, o isopor, para produzir a sua própria matéria-prima após alguns processamentos. Em outras palavras, é possível recolher isopor descartado incorretamente no meio ambiente, ou mesmo fazer uma coleta seletiva do material nas cidades, e reciclá-lo em sua totalidade usando essas bactérias.

A participação no evento, que aconteceu na última semana em Pittsburgh, nos Estados Unidos, também rendeu boas notícias para a vida pessoal da jovem cientista: ela levou dois prêmios especiais na feira e foi convidada a estudar em duas universidades norte-americanas (Universidade do Arizona e Universidade Estadual do Arizona) diferentes com bolsas integrais.


Fonte: TEC Mundo

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