Papéis de fax são feitos com material de difícil reciclagem

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Conheça as dificuldades encontradas na reciclagem do papel de fax

Apesar da invenção do scanner e das facilidades para troca de informações virtuais, o aparelho de fax ainda é muito utilizado em escritórios por sua agilidade (o documento em questão já é enviado e impresso no outro local imediatamente). Mas com pilhas e pilhas de papel de fax lotando o escritório, uma pergunta que fica é: esse papel pode ser descartado como os demais?

Não, pois se trata do papel termo-sensível, isso porque a impressão dos dados é térmica (feita a partir da temperatura da máquina, reagindo com o papel). Embora pareça inofensivo, esse tipo de papel apresenta em sua composição o bisfenol-A, ou BPA, que é potencialmente nocivo à saúde. Segundo informações divulgadas no site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo (SBEM-SP), “vale a pena ressaltar que alguns dos efeitos deletérios do bisfenol, como por exemplo, os de alterar a ação dos hormônios da tireoide, a liberação de insulina pelo pâncreas, bem como os de propiciar a proliferação das células de gordura, foram observados com doses nanomoleculares, ou seja, doses extremamente pequenas, as quais seriam inferiores à suposta dose segura de ingestão diária. (Fonte: Melzer et al, Environmental Health Perspectives, 2011)”.

De maneira geral, o BPA desequilibra o sistema endócrino, modificando o sistema hormonal. O efeito do BPA no organismo pode causar aborto, anomalias e tumores do trato reprodutivo, câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição da qualidade e quantidade de esperma em adultos, endometriose, fibromas uterinos, gestação ectópica (fora da cavidade uterina), hiperatividade, infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, obesidade, precocidade sexual, retardo mental e síndrome dos ovários policísticos.

Normalmente, a contaminação se dá pela ingestão, o BPA se desprende dos recipientes plásticos e acaba contaminando o alimento. Uma pesquisa publicada pela Analytical and Bioanalytical Chemistry, mostrou que, no caso dos papéis termo sensíveis, a contaminação pode ocorrer pelo contato com a pele. Segundo a pesquisa, a contaminação varia de acordo com a quantidade de BPA presente na composição do papel, e é bem menor do que a contaminação pela ingestão, mas ainda sim devemos estar atentos.

Atualmente já é possível encontrar papel térmico livre de BPA. No entanto, em seu lugar é utilizado o Bisfenol-S (BPS) cujos efeitos sobre a saúde humana ainda são um mistério.

A partir de 2010, o Carrefour começou a utilizar recibos livres de BPA na Europa, mas não informam sobre a composição do novo papel utilizado.

O que fazer?

Sempre que possível evite a impressão de extratos e comprovantes, dê preferência às versões digitais, como a comprovação do débito por SMS, por exemplo. Embora o papel termo sensível seja reciclável, devido à presença de BPA em sua composição, o Pollution Prevention Resource Center (PPRC) recomenda o descarte desse tipo de papel no lixo comum para evitar a contaminação por BPA, que é liberado no processo de reciclagem. Segundo a pesquisa, a reciclagem do papel termo sensível pode aumentar a exposição humana ao BPA, uma vez que, durante o processo, pode haver contaminação de outros produtos de papel reciclado. O BPA já foi encontrado, por exemplo, em papéis toalha.


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