190 gigatoneladas de carbono podem ser liberadas no Ártico, segundo estudo

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Aquecimento global desencadearia processo, que pode elevar em muitos graus a temperatura terrestre na próxima centena de anos

Uma pesquisa publicada recentemente em uma conceituada revista de ciência norte-americana aponta a intensificação do degelo da região do Ártico, especificamente do permafrost e da cobertura de gelo no mar. Esse degelo, de acordo com o estudo, vem sendo causado pelo aumento das temperaturas globais e da potencialização do efeito estufa, como resultado das ações humanas.

O permafrost é o tipo de solo encontrado na região do Ártico e é constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congeladas e cobertas por uma camada de gelo e neve - no inverno, em alguns locais, chega a atingir 300 metros de profundidade. No verão, com o aumento das temperaturas, essa camada chega a 0,5 metro de profundidade.

A tundra é o bioma que compõe a vegetação e o clima no Ártico. Esse bioma, de baixa temperatura e curtas estações, tem árvores baixas, arbustos e vegetação rastreira.

O solo de permafrost tem grandes quantidades de carbono e gases do efeito estufa (GEE) armazenados e congelados em sua composição e, com o aumento das temperaturas, o Ártico, que era considerado um sumidouro de carbono, pode se tornar uma grande fonte emissora de gases do efeito estufa.

A pesquisa está tentando identificar a que velocidade esse carbono será liberado, para verificar a possibilidade de alguma ação que minimize os efeitos dessa liberação de carbono. A zona do permafrost se estende por grande parte do globo, e os efeitos de uma liberação de gás carbônico, metano e outros GEEs que fazem parte da composição do solo seriam catastróficos.

Um estudo da Universidade do Alasca indica que a quantidade de carbono que pode ser liberada em todo o permafrost é equivalente à metade de todas as emissões a partir da revolução industrial até os dias atuais, o que levaria um aumento de três a seis graus da temperatura global num período de cem anos. Seriam 190 gigatoneladas (190 milhões de toneladas) de carbono liberadas na atmosfera, provocando uma reação em cadeia devido ao aumento da temperatura do globo.

Em contrapartida, estudos realizados pela Fundação Nacional de Ciência e pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, ambas dos Estados Unidos, vêm fazendo simulações e pesquisas sobre o comportamento do Ártico em situações de aquecimento. São ensaios controlados sobre a reação do permafrost e das tundras, caso ocorra o descongelamento e a liberação dos GEEs.

Os estudos apontam que, com o degelo do Mar Ártico e do permafrost, haveria também uma captura muito grande de carbono, já que o degelo proporcionaria a reprodução de fitoplanctons, que absorveriam o carbono, contrapesando a emissão dos gases no permafrost. Além da captura do carbono no mar, seria possível capturar carbono também nas tundras, pois com o permafrost descongelando e a temperatura aumentando, seria possível um maior desenvolvimento da vegetação - o que aumentaria a captura do carbono.

Ainda que a captura de carbono possa compensar as emissões no Ártico, é de extrema importância que as ações do homem sejam mais bem pensadas, pois tudo se resume a uma reação em cadeia. Apesar de haver teóricos que defendem que o aumento da temperatura terrestre não sofre influência das ações humanas, é cada vez mais difícil sustentar essa tese, até porque já há algumas comprovações científicas contrárias.

Fonte: Scientific American

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