Um estudo recente aponta que a água vendida em garrafas plásticas pode conter uma concentração de partículas sintéticas minúsculas significativamente maior do que a água proveniente de torneiras. A descoberta, que contou com uma nova metodologia de detecção, lança um alerta sobre a contaminação por plásticos em um produto amplamente consumido pela população.
A pesquisa analisou amostras de seis marcas de água engarrafada e de quatro estações de tratamento de água na região do Lago Erie, nos Estados Unidos. Os resultados indicaram que a água embalada apresentava, em média, três vezes mais nanopartículas plásticas do que a água que passa por processos de tratamento convencionais. As partículas, conhecidas como microplásticos e nanoplásticos, originam-se da degradação de resíduos plásticos no ambiente.
A maior parte dos fragmentos encontrados nas garrafas tem origem provavelmente na própria embalagem. A fonte da contaminação na água de torneira, no entanto, permanece indeterminada. Mais da metade de todas as partículas identificadas no estudo eram nanoplásticos, categoria de tamanho extremamente reduzido e de difícil análise até então.
A detecção só foi possível graças à combinação de técnicas avançadas de imageamento e identificação química. Este método permitiu aos cientistas rastrear partículas em escalas antes não alcançadas, revelando uma presença mais ampla desses contaminantes do que se estimava. A inclusão dos nanoplásticos na análise mostrou que a contaminação plástica total no ambiente pode estar subestimada.
Embora os efeitos completos dessas partículas na saúde humana ainda não sejam totalmente compreendidos, especialistas apontam que os fragmentos menores, os nanoplásticos, têm maior potencial para atravessar barreiras biológicas essenciais no organismo. A ingestão constante desses materiais sintéticos pode representar um risco latente ao bem-estar.
A pesquisa, publicada na revista Science of The Total Environment, defende que a escolha pela água de torneira, onde disponível e tratada, pode reduzir a exposição individual a esses compostos. As descobertas também abrem caminho para aprimorar tecnologias de filtragem e tratamento, visando a remoção mais eficiente desses invasores invisíveis dos recursos hídricos.
A constatação reforça a urgência de revisar hábitos de consumo e pressionar por inovações que garantam água potável com menor impacto ambiental e à saúde. O estudo serve como um documento sobre a penetração silenciosa da poluição plástica no ciclo da água e no cotidiano da sociedade.