Falta de recursos afeta agricultura familiar, que mobiliza dois bilhões de pessoas

Paquistão (foto) foi um dos países estudados em relatório

Imagem: U.S. Embassy Pakistan / CC0

O Banco Mundial divulgou no mês de fevereiro o estudo ‘Diário de Pequenos Proprietários’, que investiga as condições de vida e de produção de agricultores familiares vivendo em Moçambique, na Tanzânia e no Paquistão. A pesquisa procurou esclarecer os desafios enfrentados por esse grupo de produtores, que constituem uma parcela significativa da população pobre do mundo, vivendo com menos de dois dólares por dia.

Segundo o organismo, atualmente, existem cerca de 500 milhões de propriedades agrícolas familiares no mundo, responsáveis por mobilizar mais de 2 bilhões de pessoas. A pesquisa do Banco Mundial, realizada por seu Grupo Consultivo de Apoio aos Pobres (CGAP), acompanhou 270 famílias de agricultores ao longo de um ano. A cada duas semanas, eram conduzidas entrevistas sobre o andamento da produção e sobre dificuldades cotidianas.

Uma das entrevistadas foi a moçambicana Alina que, em setembro de 2014, perdeu toda a sua produção de galinhas e a maioria dos patos que criava devido a uma doença.

Ela não tinha acesso a uma poupança, nem a crédito para emergências ou a um seguro de colheitas que lhe permitisse recuperar as perdas. Sua única opção era cortar os gastos com a própria alimentação. Entre janeiro e maio, foram muitas as vezes em que a produtora foi para a cama com fome.

A pesquisa do Banco Mundial revelou que, em Moçambique, quase dois terços dos pequenos produtores perderam uma parte considerável de sua produção devido a pestes e pragas durante o armazenamento. Para o organismo financeiro, esse diagnóstico é fundamental, pois pode orientar ações de organizações de assistência ou de projetos de financiamento futuros.

Na Tanzânia, Bertha, uma viúva e mãe de cinco filhos, foi vítima de um calote após vender um fornecimento considerável de batatas. Como não havia firmado um acordo formal com o comprador, a agricultora não conseguia achar um meio de receber o dinheiro. O prejuízo fez com que Bertha perdesse cerca de metade do seu potencial de rendimento agrícola.

Embora a informalidade das transações e a falta de recursos para enfrentar riscos de saúde, financeiros e agrícolas possam ser vistas como obstáculos gerais à produção familiar, o Banco Mundial enfatizou que é necessária atenção às circunstâncias particulares de cada caso. Fornecedores de crédito, por exemplo, precisam adequar suas abordagens e serviços, a fim de oferecer soluções concretas para as demandas de pequenos produtores.

“Não se trata apenas de fluxos de caixa”, afirmou a chefe da área de estudos relativa à Tanzânia e diretora da Bankable Frontier Associates, Kristy Bohling. “O principal são estas histórias relativas à educação, saúde, atividades geradoras de rendimentos e à vida em geral.”

Saiba mais sobre o estudo clicando aqui.

Fonte: ONUBr

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