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A presença de microplásticos na atmosfera ganhou um novo peso no debate climático. Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change revelou que partículas microscópicas de plástico espalhadas pelo ar atuam como agentes de aquecimento global, com capacidade de reter calor em níveis próximos aos provocados pelo carbono negro, substância associada à fuligem gerada pela queima de combustíveis fósseis.

Os pesquisadores identificaram que microplásticos coloridos absorvem radiação solar com muito mais intensidade do que partículas transparentes ou sem pigmentação. Tons escuros, como preto, azul e vermelho, apresentaram capacidade de absorção de luz até 74,8 vezes superior à dos plásticos sem cor. Esse processo transforma energia solar em calor e contribui para o aumento da temperatura atmosférica.

O levantamento foi conduzido por cientistas da China e dos Estados Unidos, que analisaram as propriedades ópticas de diferentes tipos de plástico presentes no ar. A equipe mediu como cada cor reage à luz solar, avaliando o quanto essas partículas refletem ou absorvem radiação. Em seguida, os dados foram combinados com mapas digitais de ventos e padrões meteorológicos para estimar a concentração de partículas plásticas na atmosfera.

A pesquisa utilizou um modelo computacional de transferência radiativa, ferramenta empregada para calcular os efeitos do calor na atmosfera terrestre. Os resultados indicaram que os microplásticos e nanoplásticos exercem um efeito médio global de aquecimento equivalente a 0,039 watts por metro quadrado.

Os autores destacam que as partículas coloridas ampliam em mais de 15 vezes o impacto climático quando comparadas às versões sem pigmento. Em determinadas regiões do planeta, o fenômeno se mostrou ainda mais intenso. No Giro Subtropical do Pacífico Norte, área conhecida pelo acúmulo de resíduos plásticos marinhos, o efeito de aquecimento provocado pelos microplásticos chegou a superar em quase cinco vezes o impacto local da fuligem atmosférica.

Os microplásticos e nanoplásticos surgem principalmente da degradação lenta de embalagens, roupas sintéticas, pneus e outros produtos derivados do petróleo. Essas partículas variam de alguns milímetros até dimensões microscópicas medidas em bilionésimos de metro. A dispersão global desse material já foi identificada em neve da Antártida, água potável, organismos marinhos e até no corpo humano.

Os cientistas alertam que pesquisas anteriores subestimavam o papel climático dos microplásticos porque desconsideravam a influência das cores na absorção de calor. Objetos escuros tendem a absorver mais energia solar, enquanto superfícies claras refletem maior quantidade de luz. Essa diferença altera diretamente a forma como o calor permanece retido na atmosfera.

Além da pressão climática, os autores descrevem os microplásticos como uma ameaça dupla. As partículas aquecem o planeta e interferem no equilíbrio do carbono atmosférico, criando impactos simultâneos sobre o sistema climático global.

A descoberta amplia a preocupação em torno da poluição plástica, tradicionalmente associada à contaminação de oceanos, rios e organismos vivos. O estudo reforça a necessidade de políticas voltadas à redução da produção de plástico descartável, ao controle de resíduos industriais e à limitação de fibras sintéticas liberadas no ambiente.


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