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A tecnosfera é vista como uma espécie de nova camada da Terra, que está crescendo em ritmo acelerado

A tecnosfera pode ser entendida como a esfera ou reino da atividade tecnológica. Ela abrange todas as estruturas constituídas pelo trabalho humano no espaço da biosfera. Embora o conceito já exista há várias décadas, seu significado ainda é muito vago, o que faz com que seja objeto de estudo de inúmeros pesquisadores.

O termo tecnosfera foi desenvolvido pelo geólogo e engenheiro norte-americano Peter Haff, professor emérito na Duke University, nos Estados Unidos. De acordo com ele, além de abranger esses objetos tecnológicos, a tecnosfera também engloba os seres humanos e os sistemas profissionais e sociais por meio dos quais interagem com a tecnologia, como fábricas, escolas, universidades, bancos, entre outros. Ela inclui ainda espécies domesticadas, que foram escolhidas para prover alimento, fabricar instrumentos e vestimentas ou para auxiliar como força de trabalho, por exemplo.

Os resíduos produzidos pelos seres humanos e que são descartados na natureza também fazem parte da composição da tecnosfera. Uma equipe internacional liderada por geólogos da Universidade de Leicester fez a primeira estimativa do tamanho da estrutura física da tecnosfera do planeta, sugerindo que sua massa se aproxima de enormes 30 trilhões de toneladas. Isso equivale a mais de 50 quilos para cada metro quadrado da superfície terrestre.

Formação dos fósseis do futuro

Uma analogia pode ajudar a mostrar a natureza dessa nova estrutura planetária. Geologicamente, objetos tecnológicos podem ser considerados tecnofósseis, já que são construções robustas e resistentes à degradação. Assim, eles formarão os fósseis do futuro, caracterizando os estratos do Antropoceno.

Pesquisas sugerem que os diferentes tipos de tecnofósseis existentes já superam o número de espécies de fósseis conhecidos, enquanto a tecnodiversidade moderna também excede a diversidade biológica atual. Vale ressaltar que o número de espécies de tecnofósseis continua aumentando, uma vez que a evolução tecnológica supera em muito a evolução biológica.

Enquanto quase toda a energia da biosfera provém do Sol, parte da tecnosfera também é alimentada pela energia solar e por outros recursos renováveis. No entanto, a maior parte dela é carregada pela queima de combustíveis fósseis, incluindo o petróleo, o carvão mineral e o gás natural.

Durante milênios, os seres humanos têm utilizado fontes de energia como moinhos d’água, mas a enorme explosão de energia que agora é necessária para alimentar a tecnosfera está em uma escala completamente diferente. Uma estimativa sugere que os seres humanos consumiram mais energia a partir do início do século XX do que em todos os onze mil anos anteriores do Holoceno.

Tecnosfera está inundada de resíduos

A tecnosfera, no entanto, se diferencia da biosfera em um aspecto fundamental. A biosfera é capaz de reciclar os materiais dos quais é feita, e essa facilidade permitiu que ela sobrevivesse na Terra por bilhões de anos. A tecnosfera, por outro lado, é fraca em reciclagem. Alguns resíduos provenientes da ação humana levam muitos anos para se decompor na natureza. Um exemplo é o plástico, que vem se acumulando nos oceanos do mundo e nos litorais dos continentes. Outros tipos, sendo incolores e inodoros, são invisíveis para nós, como o dióxido de carbono proveniente da queima dos combustíveis fósseis.

Atualmente, a massa de dióxido de carbono emitido industrialmente na atmosfera é de cerca de 1 trilhão de toneladas por ano, o que equivale a 150 mil pirâmides egípcias. Esse rápido crescimento de produtos residuais é uma ameaça à existência continuada da tecnosfera e dos serem humanos que dependem dela.

Alteração das condições planetárias

O desenvolvimento da tecnosfera permitiu que a população humana aumentasse de algumas poucas dezenas de milhões para os atuais 7,3 bilhões de indivíduos que habitam o planeta. O modo de vida caçador-coletor possibilitou a evolução da espécie humana, mas o aumento populacional só foi possível graças às inovações e à fixação de residências. Os fertilizantes artificiais produzidos com o uso do processo Haber-Bosch são um bom exemplo de como uma única inovação tecnológica é capaz de manter viva cerca de metade da população humana atual.

As capacidades humanas de organizar estruturas sociais sofisticadas e de desenvolver e trabalhar com ferramentas foram fundamentais para o surgimento da tecnosfera, um sistema completo e que possui dinâmicas próprias. Embora a humanidade tenha sido fundamental para o desenvolvimento da tecnosfera, atualmente nossa existência depende dessa camada e, portanto, precisamos trabalhar para mantê-la, já que a tecnosfera nos fornece alimentos, abrigo e outros recursos.

Por alterar as condições de habitabilidade planetária, a tecnosfera pode ser considerada como um parasita presente na biosfera. As consequências disso incluem as elevadas taxas de extinção de espécies de plantas e animais, assim como as mudanças climáticas e na composição química dos oceanos, que são bastante prejudiciais às comunidades biológicas existentes. Essas mudanças, por sua vez, podem prejudicar o funcionamento da biosfera e das populações humanas. Por isso, os seres humanos devem buscar opções que ajudem a tecnosfera a evoluir para uma forma que seja sustentável a longo prazo.


Fontes: UNESCO e Phys.org

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