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Segundo Tereza Cristina Carvalho, reuso de resíduos eletrônicos é o caminho para deixar de retirar matéria-prima de recursos não renováveis

Jornal da USP – As medalhas da Olimpíada de Tóquio, que começa no próximo dia 23 de julho, foram confeccionadas a partir da reciclagem de metais de aparelhos eletrônicos descartados. Ao todo, foram 778 mil toneladas de lixo tecnológico, de onde foram extraídos 32 quilos de ouro, 3,5 quilos de prata e 2,2 quilos de bronze que compõem cada medalha.

Ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, a professora Tereza Cristina Carvalho, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas da Escola Politécnica (Poli) da USP, pesquisadora do Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) e do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE), explica que essa prática faz parte dos conceitos de economia circular e mineração urbana. “Esse é o caminho de a gente parar de retirar matéria-prima de recursos não renováveis.”

No Japão, os metais foram retirados principalmente de celulares descartados. Segundo Tereza, entretanto, esse processo ainda não pode ser feito no Brasil. O Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir) da USP faz a coleta do lixo eletrônico, mas os materiais são enviados para o exterior. “Isso me chateia”, comenta a professora, ao explicar que o País tem capacidade tecnológica para esse processamento, mas ainda não há viabilidade econômica.

Cerca de 54 milhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidos por ano ao redor do mundo. No Brasil, são 200 mil toneladas de resíduos de informática anuais. Segundo a professora, somente entre 2% a 6% desses resíduos têm o encaminhamento correto. “Isso é a primeira conscientização que nós precisamos fazer, que as pessoas procurem na internet informações sobre para onde destinar seu resíduo eletroeletrônico”, afirma. Além disso, é importante que as pessoas que têm equipamentos pouco utilizados deem uma destinação correta para contribuir com a inclusão digital.

A USP também trabalha com outros exemplos de economia circular, como, por exemplo, plásticos feitos a partir do amido de mandioca e moda sustentável. “Precisamos incentivar essas pesquisas no sentido de praticar a economia circular e não gerar mais lixo”, comenta Tereza. Além de ouro, prata e bronze, alumínio, zinco e tungstênio são metais que podem ser retirados de resíduo eletrônico e têm aplicações em áreas como a medicina. 

Para a professora, é importante “redesenhar a indústria”. “Na hora que você concebe um produto, você já tem que imaginar o que vai acontecer no final do ciclo de vida, como que ele pode retornar para outra cadeia produtiva, ou para a mesma cadeia produtiva, de modo que a gente não gere mais lixo”, acrescenta.