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Idade de cachorro é muito diferente da humana, já que as duas espécies envelhecem de modos distintos

Quem tem cães sabe que idade de cachorro é algo muito relativo e há quem goste de tentar calcular a relação dos anos que o cachorro vive com a idade de um humano. A máxima de que basta multiplicar a idade do cachorro por sete para ter uma comparação com a idade humana não é totalmente precisa. Pensando nisso, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego analisaram a relação entre os genomas caninos e humanos para criar um gráfico mais preciso que ajuda a saber qual seria a idade de cachorro em anos humanos.

Os resultados, publicados na revista Cell Systems, indicam que um cachorro pode ser mais velho do que parece. Os pesquisadores analisaram o DNA de 104 animais da raça labrador, de 0 a 16 anos, para traçar um paralelo mais preciso entre o envelhecimento canino e humano. A principal descoberta foi de que existe, sim, uma correlação entre as idades das duas espécies, mas que ela não é linear como reza a sabedoria popular. “Um cachorro de nove meses de idade pode ter filhotes, então já sabemos que a proporção de 1:7 não é uma medida exata da idade”, observou o professor de medicina Trey Ideker no estudo.

Analisando amostras de sangue dos labradores, a equipe coordenada pela bióloga Tina Wang verificou que os cachorros envelhecem mais rápido nos primeiros anos. Com o passar do tempo, o ritmo de envelhecimento desacelera: é como se com 1 ano, o cachorro tivesse 30 anos humanos; com 4 anos, sua idade biológica equivale a 52 anos de um ser humano. É importante observar que a pesquisa foi baseado em labradores – algumas raças vivem mais ou menos.

Idade de cachorro x idade de humano

Confira o gráfico elaborado com base na pesquisa:

Idade de cachorro
Fonte: Wang. T. Et AL., Cell Systems, 20202. Imagem por Portal eCycle

O método usado para medir e comparar as diferentes fases do desenvolvimento e o envelhecimento entre cães e humanos foi quantificar a metilação do DNA, ou seja, como grupos metila (conjunto de três átomos de hidrogênio e um de carbono, CH3, com um elétron livre) se incorporam ao material genético com o passar do tempo. De acordo com a bióloga Clarissa Carvalho, doutora em biologia evolutiva pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, os padrões de metilação funcionam como “rugas” moleculares que indicam a idade de células, tecidos ou organismos com precisão.

No jargão da biologia, essa relação entre os níveis de metilação do DNA e o tempo de vida dos organismos opera como um relógio epigenético. A epigenética estuda mudanças no funcionamento dos organismos que ocorrem sem que a sequência de bases do DNA tenha sido modificada, como é o caso das alterações causadas pelas metilações.

Os pesquisadores têm outras aspirações além de ajudar a perceber que seu cão é “mais velho” do que você pensava. O estudo quer articular uma nova fórmula para determinar a idade de uma célula, tecido ou organismo, o que deve trazer muitas possibilidades. A pesquisa pode abrir caminho para medir a idade de cachorros adotados ou medir a eficácia de intervenções antienvelhecimento (para humanos, nesse caso), entre outras opções.

De acordo com Trey Ideker, professor dos departamentos de Medicina e de Bioengenharia e Ciências da Computação na UCSD, em entrevista concedida a órgãos da própria universidade, “cães são animais interessantes para estudar porque, ao viver tão próximos de nós, estão expostos aos mesmos fatores ambientais e químicos que afetam os humanos ao longo da vida, além de receber cuidados de saúde parecidos com os nossos”. Ele explica ainda que entender melhor o processo de envelhecimento pode orientar diagnósticos e tratamentos veterinários, além de servir para o desenvolvimento e avaliação de medicamentos antienvelhecimento.



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