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Pesquisa da Universidade Estadual da Pensilvânia mostra que o melhoramento genético reduziu a complexidade química das flores, mantendo apenas compostos-chave para a atração de polinizadores

A busca humana por alimentos mais produtivos e saborosos ao longo dos séculos modificou profundamente a química das plantas cultivadas. Uma pesquisa recente publicada no Journal of Chemical Ecology demonstra que esse processo de domesticação alterou os aromas naturais que as flores de abóbora emitem para atrair suas polinizadoras específicas, as abelhas-da-abóbora. A transformação nos perfis de compostos voláteis florais cria um novo cenário de comunicação entre planta e inseto, com consequências diretas para a eficiência dos agroecossistemas.

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Investigadores da Universidade Estadual da Pensilvânia caracterizaram os compostos orgânicos voláteis (COVs) em diversas espécies de abóbora, comparando variedades domesticadas com suas parentes silvestres. A análise estatística dos perfis químicos, representada por ordenação multidimensional, confirmou um agrupamento claro entre espécies e, sobretudo, entre o status de domesticação. As flores das plantas cultivadas apresentaram uma assinatura química distinta daquelas que evoluíram sem intervenção humana.

Experimentos comportamentais e fisiológicos com as abelhas especializadas complementaram a descoberta. Ao expor as antenas dos insetos aos diferentes COVs, a equipa observou que as abelhas detectam compostos diferentes nas plantas silvestres, com as quais coevoluíram, em comparação com os emitidos pelas variedades domesticadas. Testes de campo monitoraram a atratividade das flores, e armadilhas com iscas de compostos puros identificaram quais moléculas efetivamente guiam as visitas das polinizadoras.

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Os resultados apontam para uma redução geral na riqueza e quantidade de compostos voláteis nas flores domesticadas. No entanto, um composto específico destacou-se: o 1,4-dimetoxibenzeno. Esta molécula não só persistiu em variedades amplamente cultivadas, como a abóbora-pescoço-torto e a abóbora-bolota, como também se mostrou capaz de atrair abelhas quando isolada. A descoberta sugere que este COV em particular manteve um papel funcional fundamental mesmo após intensa seleção artificial.

O estudo identificou ainda outros dois compostos associados a um aumento na aproximação das abelhas e na ingestão de néctar, enquanto duas outras moléculas demonstraram tendência para dissuadir esses comportamentos. A mudança no bouquet químico altera os sinais olfativos que as abelhas especialistas utilizam para localizar flores, podendo produzir uma mistura que, em última análise, atrai mais ou menos polinizadores.

A pesquisa, liderada pela professora Margarita López-Uribe, abre novas perspectivas para a compreensão das interações planta-polinizador em ambientes agrícolas. Cerca de 40% da superfície terrestre é ocupada por cultivos domesticados, e culturas como tomate, mirtilo e girassol também dependem de polinizadores especializados. Compreender como a domesticação modifica esses diálogos químicos é um passo para estratégias de melhoramento genético que considerem a eficiência da polinização, visando aumentar a produtividade agrícola de forma sustentável.

Os próximos passos da investigação incluem replicar o experimento em diferentes regiões geográficas, incluindo a área de distribuição ancestral das abelhas, onde a interação com plantas silvestres ainda ocorre, e em áreas onde elas convivem exclusivamente com cultivos domesticados, como na Pensilvânia. Esses estudos testarão a consistência das respostas e aprofundarão o impacto ecológico da alteração química induzida pelo homem.


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