Conheça o processo de descontaminação das lâmpadas fluorescentes

eCycle

Materiais presentes nas lâmpadas fluorescentes podem anular as vantagens que esse tipo de lâmpada proporciona, caso ela não seja descartada de modo adequado

Lâmpada fluorescente

A lâmpada fluorescente é um item muito comum nas residências e nos locais de trabalho por ser uma opção mais eficiente e econômica quando comparada com as lâmpadas incandescentes. Essas últimas, inclusive, deverão sair de circulação de modo gradativo (as lâmpadas de 60 watts serão comercializadas até 30 de junho de 2014 e as unidades de menor potência, até 30 de junho de 2017). Porém, além da sua qualidade, é preciso ficar atento ao lado negativo que as lâmpadas fluorescentes contêm, pois elas levam mercúrio e chumbo em sua composição, metais prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Anualmente, cerca de 40 milhões de lâmpadas são descartadas no Brasil, e se todas elas tiverem como destino locais inadequados, os riscos que daí decorrem são expressivos.

A despeito do incentivo por parte de governos quanto ao uso deste tipo de lâmpada, não se observa, em contrapartida, políticas consistentes que garantam que os resíduos ocasionados pelo consumo deste tipo de objeto sejam tratados de modo adequados. A falta de informação à população quanto aos riscos que este tipo de material frágil representa à saúde humana e ao meio ambiente e a paradoxal inépcia dos agentes que deveriam atuar no sentido de proteger àqueles que representam resultam em um enorme passivo ambiental acumulado em residências, empresas ou inadequadamente disposto em locais que contribuem para a contaminação. Veja a seguir os perigos incorridos e como deve ocorrer o processo adequado de descontaminação deste tipo de material.

O perigo

A lâmpada fluorescente é composta por vidro, alumínio, pó fosfórico, mercúrio e chumbo. Ao ser descartada intacta em aterros, lixões ou entulhos, ela pode se romper facilmente, emitindo vapores com aproximadamente 20 mg de mercúrio - que caso sejam aspirados, são absorvidos pelos pulmões, podendo causar problemas neurológicos e até hidragirismo (intoxicação que causa tosse, dispneia, dores no peito e outros problemas mais graves). A regulamentação que estabelece limites rigorosos à presença de mercúrio nos resíduos sólidos é a norma brasileira NBR 10004, que determina que o final do ciclo de vida das lâmpadas fluorescentes não é o lixo, e sim os locais de tratamentos especializados para resíduos mercuriais, ou seja, é considerado um resíduo perigoso.

Além dos riscos à saúde, o descarte incorreto das lâmpadas também pode causar transtornos ao meio ambiente. Caso o mercúrio (metal presentes nas lâmpadas fluorescentes) for parar no leito de um rio, por exemplo, ele contaminará toda a água que passa por ali. Além disso, os peixes que vivem nessas águas absorvem o mercúrio, que se acumula em todos os tecidos do organismo, chegando a atravessar a parede celular - o mesmo pode acontecer com o ser humano que se alimenta de um peixe contaminado. Por fim, quando o mercúrio é despejado de maneira irregular em rios, ele volatiza e passa para a atmosfera, causando prováveis chuvas contaminadas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a quantidade de mercúrio presente nos primeiros 100 metros de profundidade dos oceanos, proveniente das emissões relacionadas com a atividade humana, duplicou nos últimos 100 anos. E a concentração nas águas mais profundas aumentou 25%. Por isso, foi realizado, em 2013, A Convenção de Minamata sobre mercúrio, cujo objetivo é reduzir os níveis mundiais de emissões de mercúrio, bem como a produção e a utilização do metal, principalmente em processos industriais. O projeto foi adotado por 92 países em conferência diplomática no Japão, incluindo o Brasil. O texto ainda precisa, no entanto, ser ratificado para entrar em vigor.

A Convenção de Minamata, aliás, adotou esse nome não por acaso: na cidade de Minamata, milhares de pessoas foram envenenadas, por volta da década de 1950, após ingerirem frutos do mar contaminados com mercúrio.

Saiba quais os cuidados tomar em caso de acidente doméstico quando a fluorescente se quebrar.

O processo de descontaminação

A descontaminação de lâmpadas fluorescentes varia de acordo com o modelo do produto. Porém, esse processo se resume, basicamente, em separar os terminais (componentes de alumínio, soquetes plásticos e estruturas metálico-eletrônicas), o vidro (em forma de tudo, cilindro ou outro formato), o pó fosfórico (pó branco contido no interior da lâmpada) e, principalmente, o mercúrio, que será, no fim, recuperado em seu estado líquido elementar. Os processos ocorrem da seguinte maneira:

  1. Todo processo se dá por meio de equipamentos instalados sob circunstâncias especiais e em ambiente controlado, para que não haja fuga de vapores e a contaminação do ambiente e das pessoas;
  2. Em ambiente enclausurado e sob pressão negativa, as lâmpadas são rompidas, os soquetes/terminais das lâmpadas são separados e passam por um processo de segregação. O pó de fósforo contaminado com mercúrio é retido e segue para o processo de desmercurização;
  3. Os pedaços de vidro são limpos e testados, de modo que a concentração de mercúrio neles não exceda 1,3 mg/kg. Se estiver dentro dessas especificações, o vidro é reciclado para a fabricação de produtos não alimentícios;
  4. Depois de limpos, o alumínio e os pinos de latão são enviados para a reciclagem em uma fundição, e, no caso desses materiais, o mercúrio não deve exceder o limite de 20 mg/kg;
  5. A poeira de fósforo é enviada para a destilação, onde o material é aquecido até vaporizar o mercúrio (em temperaturas acima de 357°, ponto de ebulição do mercúrio). O material vaporizado a partir desse processo é então condensado e coletado em recipientes especiais ou decantadores. O mercúrio obtido passa por uma nova destilação, a fim de se remover suas impurezas;
  6. A única parte da lâmpada que não é reciclada é o baquelite existente nas extremidades da lâmpada.
  7. O vapor de mercúrio capturado na etapa de ruptura da lâmpada segue para o Sistema de Controle de Emissão de Gases, composto por filtros de cartucho, para retenção do particulado, e filtro de carvão ativado, que retém os vapores de mercúrio.

Mais recentemente, uma solução "parcial" tem sido divulgada com maior frequência no mercado: os trituradores de lâmpadas compactos, popularmente chamados de papa lâmpadas, equipamentos capazes de serem deslocados aos locais onde encontram-se as lâmpadas que, mediante deposição em seu interior, sofrem processo de trituração e, supostamente, sucede também o aprisionamento dos resíduos contaminantes, para subsequente encaminhamento à planta industrial capaz de proceder à efetiva descontaminação do material. Ocorre que tal equipamento, se por um lado apresenta a vantagem de reduzir custos e riscos de deslocamento das lâmpadas por largas distâncias, por outro apresenta desvantagens comprovadas por estudos que descrevem os riscos de vazamento de contaminantes no processo, bem como outros riscos inerentes ao seu manuseio. Além disso, alguns especialistas apontam que a trituração pura e simples com acondicionamento em tambores não constitui a solução para o problema de destinação do resíduo. Entenda melhor o que são, como funcionam, as vantagens, desvantagens e riscos dos trituradores compactos de lâmpadas fluorescentes.

Visualize todas as etapas do processo de reciclagem da lâmpada fluorescente, aferindo o vídeo.


Creditos vídeo: Apliquim Brasil Recicle

Veja também:


 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail