A polêmica sobre a geração de resíduos radioativos pela técnica do fracking nos Estados Unidos

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Conheça mais um motivo que torna o fracking uma técnica prejudicial à saúde e ao meio ambiente

Protesto contra o fracking em Nova Iorque.

A sociedade continua sendo muito dependente do petróleo e do gás natural, que estão presentes no nosso cotidiano em inúmeras situações. Entretanto, as reservas convencionais estão, em sua maioria, concentradas no Oriente Médio, região de grande instabilidade política. Após as crises das últimas décadas, iniciaram-se pesquisas para viabilizar a retirada de gases presos em formações rochosas, e assim surgiu ofracking. Muito utilizado nos Estados Unidos o fracking, ou fraturamento hidráulico, se caracteriza como uma técnica de extração alternativa de gás, possível apenas em grande profundidade e em alta pressão (saiba mais aqui). Desde o início de sua aplicação, houve grande debate sobre os prós e contras do uso da técnica. Apesar de ser muito vantajosa para a economia, significativos impactos ambientais e para saúde foram encontrados (saiba mais aqui).

Mais recentemente, o fracking trouxe uma nova consequência: a geração de toneladas de materiais radioativos. Tais substâncias estão naturalmente presentes na crosta terrestre, portanto era de se esperar que os processos de extração gerassem materiais radioativos. Quando bombeados, os fluídos contêm, além das substâncias químicas utilizadas na perfuração, metais pesados, radioativos, compostos orgânicos voláteis e perigosos poluentes do ar. O fraturamento também cria espaços para o vazamento e trasporte dessas substâncias por meio das formações rochosas, podendo também contaminar aquíferos.

Apesar da pressão da sociedade e de entidades, não há legislação federal nos Estados Unidos para regulamentar subprodutos da extração de gás e óleo. Então para onde vão as toneladas de resíduo radioativo gerados? Cabe a cada estado definir a destinação final e os procedimentos a serem adotados, muitas vezes de acordo com seus interesses econômicos.

Marcellus Shale é uma área de extração em que o fracking é bastante aplicado. Entre 2011 e 2012, a extração de gás na área teve o crescimento mais rápido nos Estados Unidos. A área é conhecida pela sua grande concentração de urânio e os quatro estados abrangidos pela área não possuem controle total sobre a destinação dos resíduos radioativos. Os estados possuem abordagens distintas: a Pensilvânia aumentou a restrição para disposição de resíduos de extração, enquanto a Virgínia Ocidental possui aterros em que é permitida a disposição de quantidades ilimitadas. Ohio ainda não possui legislação válida e Nova Iorque, apesar de proibir o fracking, aceita resíduos de extração sem muita fiscalização.

Os resíduos podem ser armazenados temporariamente em contêineres ou reservatórios, porém informações a respeito ainda são escassas. Os reservatórios podem chegar a ter o tamanho de um campo de futebol e armazenar mais de 37 milhões de litros. Na Pensilvânia, é estimado que haja cerca de 25 reservatórios - apesar de teoricamente impermeáveis, foram registrados vazamentos em alguns deles.

A concentração de substâncias radioativas deve estar dentro dos limites estipulados, porém muitos aterros aceitam resíduos radioativos ilegalmente. É o caso de alguns aterros na Virgínia Ocidental. Desde 2015 é necessária a instalação de um detector de radiação para fiscalizar caminhões que chegam trazendo resíduos; se atestada a radioatividade, um alarme toca e é necessário preencher um formulário para ser entregue ao órgão responsável. O alarme tocou mais de 70 vezes desde então. Nos relatórios entregues faltam informações básicas como quantidade, de onde vieram e se foram aceitos ou não no aterro.

Recentemente o Department of Environmental Protection da Virgínia, publicou um estudo ambiental inédito sobre os impactos da disposição de resíduos de extração em aterros. Apesar do parecer final apresentar os impactos como “pouco preocupantes”, foi a primeira vez que o estado afirmou que resíduos de extração não são apenas solo e pedras.

O aterro do condado de Wetzel já recebeu mais de 650 mil toneladas de resíduos de extração desde de 2013, e tem planos de construção de novas células possibilitando o recebimento ilimitado desses resíduos. No mesmo período de tempo o condado de Harisson recebeu 900 mil toneladas incluindo materiais com muita radioatividade para poder ser disposto no estado da Pensilvânia. No ano de 2013, em Ohio, seis aterros receberam 583 mil toneladas e, em Nova Iorque, desde de 2010, dados mostram que sete aterros receberam cerca de 460 mil toneladas de resíduos do fracking.

Outro problema que emerge do fracking é a geração de efluentes líquidos, que também podem ser radioativos. Estudos realizados pela Duke University em uma estação de tratamento de água no estado da Pensilvânia, onde o efluente de extração era destinado, mostraram que há redução de 90% de radioatividade no efluente, porém essas substâncias não somem de forma tão simples. Grande parte da radioatividade é transferida para o lodo e destinada a aterros, criando um novo problema.

Apesar de ser uma alternativa para a dependência energética de certos países, a regulamentação da técnica ainda é muito deficiente. Agências governamentais omitem informações, estados priorizam interesses energéticos, falta de legislação federal e de informação sobre a geração e disposição do resíduo radioativo gerado dificultam o desenvolvimento de um manual e de recomendações para os estados. Isso mostra que, apesar dos Estados Unidos serem um país desenvolvido, ainda há grandes falhas nas questões ambientais.


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