Ibama pede paralisação de turbinas de Belo Monte por morte de peixes

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Depois de constatar a morte de uma tonelada de peixes no início deste ano, órgão pediu que os testes na hidrelétrica do Xingu sejam suspensos

Construção da usina de Belo Monte

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) notificou a concessionária Norte Energia, dona da hidrelétrica de Belo Monte, para que paralise os testes e operações de suas nove turbinas até que apresente uma solução para evitar a morte de peixes no lago da hidrelétrica. O órgão encontrou uma tonelada de peixes mortos no local entre fevereiro e março.

Milhares de peixes, inclusive espécies no período de desova, têm morrido a cada teste e acionamento das máquinas de Belo Monte, averiguou o Ibama. A decisão foi tomada na última sexta-feira (9), depois que técnicos confirmaram que o problema tem sido recorrente - a Norte Energia já foi multada mais de uma vez pelo Ibama por conta da morte de peixes no rio Xingu, no Pará, onde está instalada a usina de Belo Monte. A situação persiste apesar de a empresa supostamente já ter tomado medidas para acabar com o problema.

O que causa a morte dos peixes é a força gerada pelos rotores das turbinas no fundo do reservatório. Ao entrarem em operação ou mesmo durante sua fase de testes, as turbinas sugam os peixes. Cada uma das turbinas de Belo Monte tem potência de 611 megawatts, o equivalente a quase tudo o que será entregue pela hidrelétrica de São Manoel, construída na fronteira do Mato Grosso com o Pará e que possui capacidade de atender cerca de 2,5 milhões de pessoas.

Até meados de 2019, o projeto de Belo Monte prevê que 18 turbinas com essa capacidade estarão em operação. Oito delas já foram acionadas pela concessionária, que agora espera a liberação do setor elétrico para iniciar a atividade da nona máquina. O grande problema, segundo o Ibama, é que as regras de acionamento não têm incluído medidas que protejam os peixes do Rio Xingu e é por isso que o órgão solicitou que os testes sejam suspensos.

Quando a Norte Energia colocou sua oitava máquina para rodar, entre janeiro e fevereiro, o Ibama já havia notificado a empresa para que tomasse medidas e resolvesse o problema. Relatórios apresentados ao Ibama na semana de 16 a 24 de fevereiro apontaram que 395 quilos de peixes (936 unidades de várias espécies) foram retirados mortos do rio, segundo dados do jornal O Estado de S. Paulo.

No dia seguinte, a concessionária informou o uso de duas técnicas para acabar com o problema: a injeção de ar com alta pressão no tubo de sucção das turbinas (para espantar os peixes) e a utilização de uma equipe de mergulho que tentou afugentar os animais entrando nesse mesmo tubo. Ambos os métodos não obtiveram sucesso, segundo o Ibama. O problema da morte de peixes persistiu na primeira semana de março.

Em outro caso, na hidrelétrica de Teles Pires, na Amazônia, os casos de mortes de peixes só foram solucionados com a instalação de uma “grade anticardume”. O Ibama não se manifestou sobre a notificação enviada à Norte Energia. A concessionária confirmou que houve morte de peixes em fevereiro acima dos valores esperados para esse momento do ano. A empresa diz que aplicará recursos para implantar e desenvolver barreiras e outras soluções tecnológicas que evitem a entrada de cardumes de peixes no tubo de sucção. Sobre a paralisação da usina, declarou que a medida geraria graves efeitos à população local e às regiões para onde a produção da usina é escoada, o que resultaria em elevação dos custos das tarifas e prejuízos ambientais, decorrentes do acionamento das termoelétricas.



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