Controvérsias de um mercado estratégico: seria a água um bem de todos ou produto comercial plastificável?

eCycle

A empresa que mais vende águas em garrafas nos EUA trabalha em projetos de sustentabilidade 

Garrafas

Em 2012, a companhia Nestlé Waters North America (Águas Nestlé da America do Norte) divulgou o seu terceiro relatório Creating Shared Value (Criando Valor Compartilhado). A plataforma da empresa de Criação de Valor Compartilhado visa basicamente criar estratégias que consigam abranger os três pontos principais da sustentabilidade: ser economicamente viável, socialmente benéfico, não causar impactos ambientais. O relatório foca em três principais preocupações da companhia: o quanto eles contribuem para a reciclagem nos EUA, os avanços rumo ao desperdício zero e seus esforços para serem os melhores da indústria de bebidas no uso eficiente da água.

Aman Singh da Green Biz conversou com a vice-presidente executiva de negócios corporativos, Heidi Paul, para investigar um pouco mais sobre a contradição da maior companhia de vendas de água em garrafas plásticas nos EUA em promover iniciativas sustentáveis e saudáveis, considerando os grandes impactos ambientais em sua produção. Existem muitas críticas à empresa em relação ao fato de tomar um recurso natural estratégico e transformá-lo em produto comercial, contribuindo assim para o aumento de garrafas acumuladas em aterros, poluição em rios e oceanos, além de tornar o que seria de direito básico do ser humano um produto de venda. A partir dessas críticas, Singh questiona como a empresa pode falar em criação de valor compartilhado, o que seria para ela no mínimo irônico, levando em conta seu papel na comercialização da água.

Segundo Paul, a pauta sustentável da empresa se baseia justamente no consumidor. Ela diz que 70% do consumo de bebidas dos americanos são bebidas industrializadas embaladas em variados tipos de materiais. A pesquisa realizada pela empresa aponta que 63% das pessoas dizem que, se não houvesse águas de garrafa, elas consumiriam outras bebidas industrializadas, em geral, bebidas mais calóricas e com adição de açúcar, como os refrigerantes, por exemplo. Para a vice-presidente executiva, os consumidores devem ter a escolha de uma opção saudável, pois de qualquer forma eles vão consumir outras bebidas que utilizam também embalagens para armazenar seus produtos. Junto ao seu time de trabalhadores, Paul iniciou uma intensa pesquisa sobre programas e sistemas de reciclagem, e ela aponta para o problema da falta de investimento em infraestrutura e no pouco incentivo à reciclagem, como atesta a pequena quantidade de instalações de pontos de coleta em empresas, espaços públicos e residências.

Singh questiona a posição de Paul e propõe a reflexão dos limites entre a escolha do consumidor e a responsabilidade do produtor. Além disso, ela questiona se as empresas não teriam o poder de também influenciar e mudar o comportamento do consumidor. Por sua vez, Paul chama atenção para o trabalho de educação, no sentido de esta ser capaz de reduzir os impactos ambientais e aumentar a conservação da água. E para tal, a empresa estaria focada na construção de um bom sistema EPR (Extended Producer Responsability, do inglês, Responsabilidade Estendida do Produtor). Ela afirma ainda que hoje as pessoas têm consciência da necessidade da reciclagem e sabem dos seus benefícios quando jogam uma garrafa na lixeira de coleta seletiva, sendo que, há 40 anos atrás, reciclagem significava apenas jogar na lixeira.

Parte da plataforma mundial de responsabilidade social da companhia, o relatório de Criação de Valor Compartilhado, também foi divulgado no Brasil. Ele aborda todos os projetos que vem sendo desenvolvidos pela empresa, e você pode conferi-lo clicando aqui.

Questionamentos como os de Aman Singh são da maior relevância, contribuem para o refinamento de nossas ações, para além de consumidores, enquanto pessoas capazes de refletir sobre as escolhas cotidianas associadas a nossas práticas de consumo. Nós já percorremos o tema da água e o problema das embalagens a ela associado no consumo, veja aqui. Não se trata de questão simples, pois controvérsias diversas daí derivam. De fato importa desenvolvermos melhor compreensão sobre o que a nós se apresenta no que se refere ao consumo, o que valoriza a experiência das relações entre pessoas e empresas. Projetos de sustentabilidade são oportunos e a iniciativa empresarial é fundamentalmente necessária, mas também importam iniciativas vindas da população, assim como políticas públicas de qualidade relacionadas ao tema.

Não deixe de reciclar seus objetos. Se precisar de ajuda com suas garrafas PET ou outros objetos, o eCycle oferece uma busca por postos de descarte próximos ao seu local, veja aqui.


Fonte: Green Biz

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