Os microbiomas atuam como aliados invisíveis na saúde das plantas, melhorando a disponibilidade de nutrientes no solo e protegendo contra patógenos
Pesquisadores do Reino Unido descobriram que os carvalhos, árvores que podem viver centenas de anos, contam com uma estratégia de sobrevivência silenciosa e subterrânea para lidar com a escassez de água. Um experimento de dois anos em uma floresta natural em Norfolk, Inglaterra, revelou que, sob condições de seca prolongada, as árvores recrutam bactérias benéficas em suas raízes, mantendo a estabilidade de seu ecossistema mesmo quando o solo se torna mais seco.
Cientistas das universidades de Birmingham, Bangor e do Forest Research (Comissão Florestal do Reino Unido) uniram forças para simular cenários de estresse em 144 carvalhos de 35 anos. Para isso, construíram coberturas que excluíam a chuva e realizaram anéis de incisão no caule (anelamento) para bloquear o transporte de água e nutrientes entre raízes e folhas. Em um grupo específico, também inocularam besouros e bactérias associados ao declínio agudo do carvalho, uma doença fatal que causa feridas necróticas. O objetivo era monitorar, por meio de sequenciamento de DNA, as comunidades microbianas presentes nas folhas, caules e raízes ao longo do tempo.
Apesar das condições adversas, as comunidades microbianas se mostraram resilientes. A composição geral dos micróbios nas folhas e caules sofreu pouca alteração. A grande surpresa veio das raízes após a seca prolongada: houve um aumento sutil, mas significativo, de Actinobacteriota, um grupo de bactérias conhecido por conferir tolerância à seca, além de gêneros de fungos e bactérias com propriedades promotoras de crescimento.
Os microbiomas atuam como aliados invisíveis na saúde das plantas, melhorando a disponibilidade de nutrientes no solo e protegendo contra patógenos. Enquanto a maioria dos estudos se concentra em plantas de ciclo de vida curto, este trabalho inova ao focar em árvores maduras, cuja longevidade as torna particularmente vulneráveis às mudanças climáticas rápidas. A pesquisa sugere que, ao compreender melhor os mecanismos moleculares dessa interação, será possível no futuro ajudar na tolerância das árvores, talvez inoculando-as com esses micróbios benéficos.
O fato de as árvores com sintomas da doença não terem mostrado grande mudança no microbioma pode ser explicado pela idade: o declínio agudo do carvalho costuma afetar exemplares com mais de 50 anos, e os estudados eram mais jovens. Os cientistas agora planejam investigar como esses microrganismos tornam seus hospedeiros mais resistentes e como as mudanças climáticas podem influenciar desde a severidade de doenças até os ciclos biogeoquímicos e o papel dos carvalhos no sequestro de carbono. A estabilidade observada nessas comunidades microbianas aponta para um fator essencial na manutenção das florestas diante de um futuro mais seco.