Plantas companheiras: forma natural de combate às pragas

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Consorciar plantas companheiras é uma alternativa para a agricultura orgânica

plantas companheiras
Imagem de Annie Spratt no Unsplash

Consorciar plantas companheiras é uma ótima forma de evitar agrotóxicos, contribuir para a biodiversidade e aumentar o rendimento de uma produção vegetal.

Os agrotóxicos e pesticidas são péssimos para o meio ambiente e para a saúde de quem se alimenta de vegetais que foram "dedetizados". Há formas alternativas para tentar manter o desenvolvimento de uma plantação. Uma das formas é uma técnica batizada como "plantio consorciado".

De acordo com o estudo publicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o plantio consorciado é um sistema no qual duas ou mais espécies de são cultivadas em conjunto, permitindo uma interação biológica benéfica para todas as espécies cultivadas. Espécies que têm essa relação são conhecidas como plantas companheiras. O consórcio permite otimizar o uso de recursos ambientais, como nutrientes, água e radiação solar, uma vez que as espécies de plantas possuem ciclos de crescimento diferentes. Dessa forma, as plantas companheiras não competem por nutrientes, espaço, luz e nem apresentam efeitos tóxicos (alelopáticos) umas sobre as outras.

O consorciar plantas companheiras passa a ser uma alternativa tecnológica para o pequeno produtor rural, uma vez que o segundo cultivo torna-se uma nova fonte de renda, fortalecendo a estabilidade financeira, e tendencia a aumentar a produtividade da cultura e diminuir a quantidade de agrotóxicos. Uma das finalidades do consórcio de plantas companheiras é o manejo ecológico de insetos e pragas que atacam culturas mais vulneráveis, como a de tomate e de morango, por exemplo.

Segundo a Embrapa, o tomate é uma das hortaliças mais consumidas no mundo, se destacando no Brasil tanto na produção de agricultura familiar quanto na de grande escala. Devido ao grande impacto que o cultivo de tomate tem na produção alimentar, vários estudos estão sendo conduzidos para descobrir quais plantas são suas companheiras. A Embrapa identifica as principais pragas encontradas no tomateiro, como insetos causadores de danos diretos, a traça-do-tomateiro, ácaros e insetos transmissores de doenças, como mosca-branca, tripes e pulgões.

Plantas companheiras

Um possível companheiro do tomate é o coentro que, de acordo com o relatório publicado pela Embrapa, atua como repelente natural de pragas devido ao forte odor que exala, reduzindo a colonização por insetos. O resultado do estudo mostrou que o coentro colaborou para a diminuição da densidade populacional de ovos, lagartas, e insetos adultos da traça-do-tomateiro. Também produziu o incremento de inimigos naturais da pragas em quantidade e variedade de espécie, como aranhas, formigas e joaninhas - atraídos pelas flores do coentro, sem contar que se alimentam das traças-do-tomateiro.

Outra planta companheira do tomate que atua de forma semelhante ao coentro é o manjericão. Essa combinação vem sendo associada à redução da mosca-branca, transmissora de um vírus prejudicial ao crescimento da planta. De maneira parecida ao coentro, a flor do manjericão atrai os predadores da mosca para a plantação.

Em outro relatório publicado pela Embrapa é apresentada a eficiência da arruda no consórcio com o tomate por ela possuir uma substância chamada cumarina, que não é apelativa ao paladar das pragas por ter um gosto muito forte. Além disso, a cumarina é uma inibidora natural do processo de germinação, inibindo espécies indesejáveis de crescerem no entorno.

O cultivo de plantas companheiras é uma alternativa para o controle biológico de pragas e uma ferramenta para a agricultura orgânica.

Assista o vídeo (em inglês) para verificar como consorciar o tomate com o manjericão.


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