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Pesquisadores do Instituto Mamirauá descobriram que os peixes-bois-da-amazônia (Trichechus inunguis) sabem exatamente a hora de migrar

Os peixes-boi da Amazônia têm o timing certo para migrar de região para poderem sobreviver. A descoberta foi feita graças aos sinais de rádio-transmissores colocados nos peixes-bois que sumiam durante a estação seca. Por meio de ribeirinhos, os pesquisadores do Instituto Mamirauá, no Amazonas, confirmaram uma rota de migração entre as Reservas de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e Amaña. As ações contaram com a ajuda do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O motivo da migração seria que a várzea onde vivem os animais costuma ser um local rico em alimentos, porém quando a estação da seca chega, o rio recua e eles precisam partir para procurar novos lugares. O lago Amanã, no Amazonas, para onde ocorre a migração não tem tanto alimento, porém eles conseguem se alimentar de matéria orgânica quando adentram localidades mais profundas.

Saber a hora exata de partir é imprescindível, pois se o peixe-boi migrar antes do tempo, perde a oportunidade de se alimentar mais para aguentar a dieta dos meses seguintes; e se demorar muito pode ficar encalhado no meio do caminho. Os pesquisadores do Inpe e de Mamiruá também descobriram que os peixes-boi são capazes de se adaptarem às mudanças naturais que ocorrem nos ciclos de cheia e seca da Amazônia, partindo de dois a quatro dias antes dos trechos mais rasos do percurso (que recebem o nome de gargalo) secarem. Segundo o estudo, os peixes-boi possuem um mapa cognitivo atualizável do ambiente e além da percepção de profundidade, eles também podem perceber alterações químicas na água e na quantidade de nutrientes. É por conta dessas percepções aguçadas que eles conseguem partir na hora exata para se alimentarem e sobreviverem.

O lago Amaña não é o único refúgio dos peixes-bois

Segundo os pesquisadores do Instituto Mamirauá, o lago Amanã não é o único lugar onde os peixes-bois buscam refúgio – existem dezenas de outros lagos. Se fizessem um monitoramento, poderiam ter uma estimativa melhor do número de locais que os peixes-boi migram durante a estação seca.

Construções de barragens hidrelétricas na Amazônia

Os peixes-boi amazônicos já estão bem habituados com os gargalos migratórios pois são formações naturais, porém, se no futuro forem feitas construções de barragens hidrelétricas na Amazônia, estas criarão mais gargalos e regimes de inundações menos previsíveis, aumentando a mortalidade não somente dos peixes-boi, como também de botos, ariranhas e outras espécies que vivem nesta região.



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