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Mais de 30 artistas, de vários estilos e gerações, pedem pela conservação do maior bioma brasileiro

“Não há plano B sem a Amazônia!” dizem os versos de Carlos Rennó interpretados por alguns dos maiores nomes da música brasileira

Foi lançado na noite deste domingo (5), no programa “Fantástico”, da Rede Globo (RJ), um novo projeto artístico em prol da conservação das florestas brasileiras: é a “Canção pra Amazônia”, a nova empreitada do compositor Carlos Rennó no mundo das canções engajadas. 

Disponibilizada em áudio e vídeo, a Canção pra Amazônia é um grande apelo pela conservação da maior floresta tropical do planeta. Em sua letra, ela cita diversos problemas ambientais que ocorrem naquele bioma e que agravam a crise climática – como garimpo, a extração predatória de madeira, o ataque aos povos indígenas, e “as boiadas” do governo Bolsonaro que aumentam a pressão sobre a floresta e seus povos. A letra foi feita por Carlos Rennó e a melodia, por Nando Reis.

Participam da canção Agnes Nunes; a dupla Anavitória; Arnaldo Antunes; Baco Exu do Blues; Caetano Veloso; a atriz Camila Pitanga; Céu; Chico César; Criolo; Daniela Mercury; Diogo Nogueira; Djuena Tikuna; Duda Beat; Elza Soares; Flor Gil; Gaby Amarantos; Gal Costa; Gilberto Gil; Iza; Majur; Maria Bethânia; Milton Nascimento; Nando Reis; Péricles; Preta Gil; Rael; Rincon Sapiência; Samuel Rosa; Thaline Karajá; Vitão; e o sambista Xande de Pilares.

Nando Reis contou que o objetivo da Canção pra Amazônia é chamar a atenção para a violenta e gravíssima destruição deste grande patrimônio natural brasileiro: “Essa destruição vai na contramão de todo pensamento moderno ou sensato que existe até mesmo sobre a produção de riquezas. A destruição da Amazônia tem transformado a riqueza da floresta em um deserto, algo que trará gravíssimas consequências para o mundo. Por isso, a única medida cabível é alertar sobre a conservação”, disse.

O cantor e compositor contou também que os artistas, devido a sua popularidade e notoriedade, contribuem para levar mensagens importantes para “mais gente”: “Mas o que está por trás de um movimento como esse, da Canção pra Amazônia, é o pensamento de um cidadão. De todos nós emprestarmos as ferramentas que temos disponíveis em favor dessa causa”, contou o músico.

Amplificar vozes

É importante dizer que a Canção pra Amazônia não tem fins comerciais. Todos os custos envolvidos no processo foram para despesas fixas, como horas de gravação em estúdio. Os artistas participantes responderam a um convite e não receberam cachês, além de cederem sua imagem e voz para este projeto. “Queríamos mobilizar segmentos diversos, trazer artistas comprometidos com a causa e que pudessem amplificar, com suas vozes, o alcance da canção”, explicou Nando. Os cantores e cantoras participantes responderam ao chamado baseados em suas agendas, disponibilidade de tempo e afinidade com a pauta. 

Letrista da canção, Carlos Rennó contou que a Canção pra Amazônia é um projeto que existe há quase dois anos. A letra foi feita entre o final de 2019 e o início de 2020. “Entreguei a letra ao Nando no início do ano passado, quando a gente se preparava para colocar o projeto de pé. Mas aí veio a pandemia e mudou tudo”, disse o compositor. 

A gravação da música levou cerca de sete meses, entre fevereiro e agosto de 2021. Cada artista gravou seu trecho separadamente, como forma de minimizar os riscos de contaminação por Covid-19. Por isso, houve um intenso trabalho logístico nos bastidores para garantir que todos os artistas gravassem de maneira segura e eficiente, e pudessem também gravar sua participação no clipe da canção.  

Participação de todos

Coordenadora-executiva da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré afirmou que a luta pela vida e pela conservação das florestas exige a participação de todos aqueles preocupados com o futuro do planeta.

“Estamos vivendo um período de grandes retrocessos, de grande violência contra a Amazônia e de grandes agressões aos povos indígenas. Ter tantas vozes somando neste movimento e chamando a atenção para esses problemas é muito bonito e útil. Mas precisamos de mais gente, de mais ação e de mais atitudes se queremos mudar o futuro que está se desenhando e as perspectivas negativas que temos hoje para a Amazônia”, disse a coordenadora. 

Carolina Marçal é a Porta-Voz da Campanha da Amazônia do Greenpeace. Ela afirmou que apoiar este tipo de projeto faz parte da história da organização.

“O Greenpeace sempre procurou formas criativas e não-violentas de disseminar as mensagens que acreditamos e de engajar as pessoas na construção de um mundo mais verde e justo. Participar de um projeto desse porte, com tantos artistas importantes e relevantes da música brasileira, é uma maneira poética e forte de passar as nossas mensagens e de posicionar a sociedade a respeito da Amazônia. Apesar do desgoverno Bolsonaro que implementa uma agenda anti-ambiental destrutiva, nós continuaremos resistindo e lutando pela Amazônia. A arte é uma forma poderosa de ativismo, de luta e de resistência, e para nós é uma honra participar de um projeto como este”, disse a especialista. 

Dados

Canção pra Amazônia é uma iniciativa do Greenpeace e da Relicário Produções, que cuidaram da produção executiva da ação. Este projeto teve apoio também da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), da Coiab, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE Amazônia.

Recentemente, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que agosto de 2021 registrou 28.060 focos de calor, o terceiro pior índice da década! Este ano ficou atrás apenas de agosto de 2019 e agosto de 2020, mostrando como a gestão Bolsonaro tem sido ineficiente no combate ao fogo na Amazônia. 

Além disso, estudo recente do MapBiomas mostrou que, entre 1985 e 2020, a área utilizada para garimpo e mineração no Brasil cresceu seis vezes – saltando de 31 mil para 206 mil hectares. Só a Amazônia concentra 72,5% desse total. Isso significa que, de cada quatro hectares minerados no Brasil, três deles estão na Amazônia. Outro dado importante mostra que, entre janeiro e julho de 2021, 74% da abertura de novas áreas para mineração incidiu em áreas protegidas – como Terras Indígenas e Unidades de Conservação – revelando como o patrimônio natural brasileiro vem sendo depredado de maneira irracional e inconsequente.