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Descubra o que é ninfomania e conheça o conjunto de sintomas que podem indicar transtorno de hipersexualidade

Imagem de Dainis Graveris em Unsplash

Ninfomania, junção dos vocábulos gregos nýmfi (ninfa) e manía (loucura, fúria, ódio), é um termo não oficial para descrever o transtorno hipersexual, ou transtorno de comportamento compulsivo, especificamente em mulheres. Quando identificado em homens, o problema é chamado de satiríase.

Apesar da aceitação social do termo, a ninfomania não é um transtorno psiquiátrico aceito pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM) da American Psychiatric Association. Aliás, a polêmica é tão grande que até mesmo entre especialistas não há consenso a respeito do que configura um transtorno de compulsão por sexo, uma vez que esta é uma questão permeada por subjetividades.

Ninfomania ou hipersexualidade?

As descrições de ninfomania apareceram pela primeira vez no século 17, mas somente no final de 1800 o rótulo foi transformado em um diagnóstico psiquiátrico e amplamente aplicado a mulheres “excessivamente sexuais”.

Os tratamentos para ninfomania costumavam ser bastante severos. A remoção do clitóris e dos ovários, sangramento da vagina, banhos frios e repouso forçado eram comumente prescritos. Os sintomas incluíam insaciabilidade sexual, relações sexuais com múltiplos parceiros, avanços obscenos a homens (ou mulheres) e a prática do prazer próprio por meio da masturbação.

Em 1886, o Dr. Theophilus Parvin, famoso obstetra e ginecologista argentino, recomendava exercícios regulares e uma dieta vegetariana, combinados a uma aplicação vaginal de cocaína, para tratar o problema. Já em 1980, a ninfomania – assim como o sexo oral, a masturbação e a homossexualidade – foi finalmente removida do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM) da American Psychiatric Association.

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde lançou uma nova versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) que incluía, pela primeira vez, o comportamento sexual compulsivo como um distúrbio de saúde mental, definindo-o como um “padrão persistente de falha em controlar impulsos sexuais repetitivos e intensos ou impulsos que resultam em comportamento sexual repetitivos e intensos ou impulsos que resultam em comportamento sexual repetitivo”.

Entretanto, muitos especialistas ainda hesitam em caracterizar níveis ou marcas da sexualidade como patológicos, uma vez que é difícil saber onde traçar a linha entre os impulsos sexuais saudáveis ​​e não saudáveis. Alguns pesquisadores veem essa tendência como um problema de regulação do comportamento, enquanto outros se perguntam se o desejo sexual hiperativo poderia derivar de um impulso sexual mais intenso ou de problemas de controle de impulsos mais abrangentes.

Há ainda especialistas que acreditam que as verdadeiras causas do comportamento incluem estados emocionais, como ansiedade, depressão, transtorno bipolar ou conflitos de relacionamento. Para alguns indivíduos, questões morais, como vergonha e culpa, também podem estar envolvidas. Diante de tantas controvérsias, nem mesmo a hipersexualidade foi incluída na última edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Possíveis sintomas

Quer a condição exista ou não, a psicoterapia pode ser útil para indivíduos que buscam regular as emoções e obter insights sobre a própria sexualidade. Embora o comportamento sexual seja uma parte normal e saudável da vida, a hipersexualidade pode se tornar problemática quando causa sofrimento significativo a um indivíduo ou o coloca em risco de ferir a si mesmo ou a outra pessoa.

Os critérios a seguir podem ser uma forma de identificar uma possível hipersexualidade (ou a ninfomania, para usar um termo menos técnico). Se você, por mais de seis meses, notar algum dos sintomas abaixo, é recomendável buscar orientação psicológica e/ou psiquiátrica:

  1. Você tem fantasias, desejos e/ou comportamentos sexuais intensos e recorrentes;

  2. Seus comportamentos sexuais, incluindo compulsão por acessar pornografia, interferem de forma consistente com outras atividades e obrigações;

  3. Os comportamentos ocorrem em resposta a estados de humor disfórico (ansiedade, depressão, tédio, irritabilidade) ou eventos estressantes da vida;

  4. Envolve-se em esforços consistentes, mas sem sucesso, para controlar ou reduzir fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais;

  5. Envolve-se em comportamentos sexuais, ao mesmo tempo que desconsidera o potencial de dano físico ou emocional a você mesmo ou a outros;

  6. A frequência ou intensidade das fantasias sexuais, impulsos ou comportamentos causam sofrimento ou prejuízo significativo a você mesmo ou a outros.

Como mencionado, a hipersexualidade também pode estar ligada à depressão e ansiedade. Alguns indivíduos podem evitar emoções difíceis, como tristeza ou vergonha, buscando alívio temporário em práticas associadas ao comportamento sexual compulsivo. Os desejos sexuais muito intensos, portanto, podem mascarar outros problemas, como depressão, ansiedade e estresse


Fontes: CNN Health, Psychology Today, The Reward Foundation, Sexualidad, Salud e Sociedad, Wellcome CollectionThe Conversation e Mayo Clinic


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