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Desde o início de 2020, o mundo volta sua atenção à pandemia de coronavírus, que continua a pressionar os sistemas de saúde de forma intensa, expondo suas lacunas

Desde o início de 2020, o mundo volta sua atenção à pandemia de coronavírus, que continua a pressionar os sistemas de saúde de forma intensa, expondo suas lacunas. Neste momento em que os países pensam em como tornar seus sistemas de saúde mais resilientes a ameaças atuais e futuras, há uma ameaça que não pode ser subestimada: as mudanças climáticas, que também estão impactando a saúde humana e sobrecarregando serviços de saúde em todos os lugares.

Os riscos para a saúde relacionados às mudanças climáticas variam muito, desde o aumento da probabilidade de disseminação de doenças transmitidas por vetores até a diminuição do acesso a serviços básicos como resultado de desastres naturais. A poluição do ar, por exemplo – cujas fontes muitas vezes são as mesmas que causam as mudanças climáticas –, mata 4,2 milhões de pessoas por ano e deixa outras tantas doentes e debilitadas. O ozônio troposférico, um dos principais componentes na poluição atmosférica, é ainda mais prejudicial à saúde humana quando as temperaturas são mais altas. Fenômenos causados pelas mudanças climáticas, como furacões e inundações, também podem eliminar ou limitar o acesso a infraestruturas e serviços de saúde.

A saúde humana é prioridade em 59% dos compromissos nacionais relacionados à adaptação climática feitos no âmbito do Acordo de Paris e quase metade dos países reconhecem os efeitos negativos que as mudanças climáticas têm sobre a saúde. No entanto, os países lutam para entender riscos específicos, bem como para identificar e financiar ações abrangentes de adaptação. Apenas 0,5% do financiamento climático multilateral é direcionado a projetos de saúde. O financiamento interno também é ínfimo ou inexistente.

Considerando a necessidade de sistemas de saúde estáveis e resilientes, isso é inaceitável.

Um novo estudo do WRI apresenta maneiras pelas quais os países podem integrar os riscos relacionados à saúde impostos pelas mudanças climáticas em suas estratégias nacionais para o clima e a saúde e mostra como colocar essas estratégias em prática. Fazer isso é essencial não apenas para prevenir os piores impactos das mudanças climáticas, mas para manter as pessoas saudáveis e as nações prósperas.

Como as mudanças climáticas afetam a saúde humana?

Os riscos à saúde se relacionam com as mudanças climáticas de muitas formas. Os mais comuns incluem:

1. Maior risco de doenças transmitidas por vetores e pela água

As mudanças climáticas estão redistribuindo e aumentando os habitats ideais de mosquitos e outros patógenos que transmitem doenças. Em alguns casos, esses patógenos estão levando doenças contagiosas para comunidades que não as haviam desenvolvido antes. Temperaturas mais altas, por exemplo, expandem as áreas de reprodução de mosquitos, fazendo com que a malária se desloque para novos vilarejos.

Um estudo prevê que, devido às mudanças climáticas, um adicional de até 51,3 milhões de pessoas será exposto ao risco de contrair malária na África Ocidental até 2050. Essas variações podem intensificar o sofrimento, aumentar a incidência de doenças nos países e causar epidemias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um sexto das doenças e deficiências contraídas em todo o mundo se deve a doenças transmitidas por vetores, as quais devem se espalhar devido às mudanças climáticas.

Os efeitos climáticos relacionados a mudanças nos padrões de precipitação, qualidade da água e escassez também podem desencadear ou piorar as doenças em um país. Gana, por exemplo, enfrenta agora uma maior prevalência de cólera, diarreia, malária e meningite porque as inundações contaminam e agravam problemas de saneamento e qualidade da água. Os surtos de cólera em Gana têm uma alta taxa de mortalidade e são particularmente frequentes durante as estações chuvosas e nas regiões costeiras.

2. Maiores riscos de vida e para os meios de subsistência

De forma similar, temperaturas mais altas e eventos extremos – como chuvas intensas, ciclones mais fortes e aumento dos riscos de deslizamentos – podem causar ferimentos físicos, contaminação da águaqueda na produtividade no trabalho e transtornos mentais como ansiedade, depressão e transtornos de estresse pós-traumáticos. Dias quentes e ondas mais intensas de calor reduzem a capacidade das pessoas de trabalhar e se manterem saudáveis; um ambiente muito quente e úmido impossibilita o corpo humano de suar e pode levar a hipertermia e à morte.

Mudanças nas estações chuvosas e outras variações, riscos climáticos de início lento como a intrusão salina devido à elevação do nível do mar também podem ter impactos negativos nas safras e na qualidade dos alimentos ao longo do tempo. Isso pode levar à falta de segurança alimentar e casos de subnutrição. Bangladesh tem o maior delta de qualquer país do mundo, e a salinização crescente já afetou negativamente as safras, os peixes e a produção pecuária do país.

Mesmo nos lugares onde os rendimentos agrícolas podem aumentar devido às mudanças climáticas, surgiram evidências de que esse crescimento pode ocorrer às custas da qualidade nutritiva. Essas ameaças à segurança alimentar, por sua vez, afetam a saúde diária das pessoas, especialmente quando se trata do crescimento e do desenvolvimento infantil.

A degradação ambiental e a instabilidade e competição em relação aos recursos naturais, reforçadas por impactos climáticos, também podem contribuir para migrações forçadas e conflitos sociais. Essa situação pode expor as pessoas a condições estressantes para a saúde física e mental, agravar problemas de saúde existentes, levar a uma piora nas condições de vida e reduzir o acesso a tratamentos de saúde financeiramente acessíveis.

3. Maior risco de iniquidades sociais

Os efeitos das mudanças climáticas são sentidos principalmente pelos grupos mais vulneráveis, incluindo pessoas pobres, que são marginalizadas ou socialmente excluídas, mulheres, crianças, idosos e aqueles que já vivem com alguma doença ou deficiência. Sem apoio financeiro adequado, os grupos vulneráveis continuarão a ser os que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas na saúde.

A frequência, intensidade e duração crescentes de eventos climáticos extremos terão um impacto desproporcional nas capacidades física e econômica das pessoas e famílias que já vivem com a saúde debilitada e doenças crônicas. Por terem um sistema imunológico já debilitado ou enfraquecido, as pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias e outras condições de saúde pré-existentes correm maior risco de ferimentos ou doenças devido a desastres naturais e outros riscos relacionados ao clima.

Idosos e pessoas que realizam trabalho físico pesado, incluindo trabalhadores agrícolas, estão especialmente em risco devido aos efeitos do aumento do calor e de ondas de calor, que afetam o coração (com a possibilidade de causar uma parada cardíaca) e podem causar desidratação severa, prejudicando outros órgãos vitais como os rins.

Quando aliados a uma alimentação pobre em nutrientes e estresse hídrico, o resultado em geral é a piora de problemas de saúde já existentes, os quais podem consolidar ainda mais a pobreza geracional e vulnerabilidades sistêmicas. Esse cenário, por sua vez, contribui para o aumento da mortalidade e morbidade em uma escala mais ampla, aumentando a incidência de doenças nos países.<p>Gráfico mostra principais impactos das mudanças climáticas na saúde humana</p>“></p>



<p>Este infográfico ilustra as principais relações entre as mudanças climáticas e a saúde humana e não é estanque. A equidade social e os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade, que representam os anos de vida passados com a saúde debilitada ou com alguma deficiência, podem ser reduzidos em todos os tipos de exposição.</p>



<h2>Quais são os desafios para integrar a adaptação climática nos planos sanitários?</h2>



<p>Ainda são muitos os <a href=desafios técnicos e financeiros quando se trata de incorporar riscos relacionados ao clima nos sistemas de saúde. Muitos países e grupos não compreendem as relações entre mudanças climáticas e saúde. E esse cenário fica mais complicado quando consideramos que a relação causa e efeito é difícil, e às vezes impossível, de provar.

Embora autoridades de saúde ambiental e pública vejam as conexões, formuladores de políticas públicas podem não entendê-las sem um treinamento adequado para tanto. Essas lacunas de conhecimento podem levar a políticas inconsistentes e à falta de atividades de adaptação nos orçamentos da saúde.

Muitos países também apresentam um financiamento inadequado para implementar medidas de adaptação e saúde.

Como ilustrado pelo nosso estudo de caso, em Gana, por exemplo, formuladores de políticas contam com recursos humanos e habilidades limitados para identificar e desenvolver medidas apropriadas de adaptação para reduzir os riscos climáticos à saúde. Como resultado, é difícil convencer o Parlamento a dedicar um orçamento adequado para essas atividades. Mudanças frequentes na administração também podem dificultar que uma quantidade consistente de recursos públicos seja alocada para adaptação no setor da saúde.

Apesar de ser uma prioridade nas políticas nacionais e nos compromissos internacionais, as solicitações de apoio técnico e financeiro para iniciativas como a NDC Partnership e fundos climáticos multilaterais, como o Fundo Verde para o Clima, com frequência pouco contemplam atividades específicas para a saúde.

Em uma revisão global de mais de 100 países, a ONU descobriu que apenas um a cada cinco tem investido o suficiente para implementar compromissos climáticos relacionados à saúde. Essa lacuna será ainda maior em 2030, quando os custos diretos dos danos à saúde devem ser entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões por ano – mesmo desconsiderando efeitos indiretos.

Como os governos podem se adaptar para proteger a saúde humana dos efeitos das mudanças climáticas?

Embora seja difícil identificar, entender e reduzir os riscos climáticos para a saúde, a falta de informação não deve impedir ações ou adiar medidas de adaptação para fortalecer os sistemas de saúde. Ações para proteger as comunidades não gerarão arrependimentos, mesmo que os impactos climáticos não sejam tão severos como o esperado. Algumas dessas medidas são a construção de cadeias robustas de fornecimento de alimentos e medicamentos, a modernização de tecnologias e equipamentos, o aumento da capacitação das equipes médicas e a criação de proteções contra a interrupção de serviços de saúde.

Os governos podem estabelecer estruturas políticas e mecanismos de colaboração para oferecer a orientação e o apoio necessários a essas medidas de adaptação. Defensores das questões relacionadas ao clima e à saúde dentro e fora do setor de saúde podem reunir apoiadores e recursos essenciais para influenciar políticas e catalisar essas ações.

Fiji, um dos países mais vulneráveis ao clima no mundo, é um ótimo exemplo de como levar soluções adiante. O país desenvolveu e implementou seu Plano de Ação Estratégico para a Saúde e as Mudanças Climáticas e o integrou em diversos outros planos e políticas. Espera-se que as atividades de adaptação e saúde no plano de Fiji aumentem a habilidade do país de fornecer e utilizar informações confiáveis sobre os riscos climáticos para a saúde por meio de um sistema de alerta; melhorem a capacidade de instituições do setor de saúde de responder a esses ricos; e permitam que o país teste medidas-piloto de prevenção de doenças em áreas de maior risco.

Fiji também estabeleceu uma Unidade de Saúde e Mudanças Climáticas dentro do Ministério da Saúde e alocou recursos internos para avançar atividades relacionadas ao clima e à saúde, como sistemas de alerta e a capacitação de instituições de saúde na resposta a ameaças climáticas. A saúde e as mudanças climáticas também continuam na agenda política graças aos esforços contínuos e à liderança dos secretários do Ministério da Saúde, que estimulam a colaboração com outros ministérios.<p>Diagrama mostra estratégia de Fiji</p>“></p>



<p>Nota: o peso de cada elemento, bem como a sua escolha, é específico para Fiji e pode ser diferente no contexto de cada país</p>



<h2>Proteger a saúde das gerações atuais e futuras</h2>



<p>A relação entre as mudanças climáticas e a saúde continua a se tornar cada vez mais clara e comprovada. Governantes podem aproveitar o momento político ocasionado pela pandemia global para fortalecer a habilidade de seus países de responder a uma série de choques e abalos – incluindo os desafios inter-relacionados de doenças contagiosas e mudanças climáticas. O fortalecimento das capacidades e recursos dos sistemas de saúde como um todo aumentará a capacidade de adaptação para lidar com os impactos do clima, garantindo que as gerações atuais e futuras continuem saudáveis.</p>