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Por volta do dia 17 de novembro, a lama da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, deve chegar à foz do rio Doce e desembocar no oceano. Até lá, os resíduos da barragem que rompeu na última quinta-feira (05), em Mariana (MG), deverão impactar três unidades de conservação marinha: a Reserva Biológica (Rebio) de Comboios, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas e a Reserva de Vida Silvestre (RVS) de Santa Cruz, todas localizadas no Espírito Santo.

O rompimento da barragem destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na região central de Minas, onde viviam cerca de 600 pessoas, e deixou uma mancha de destruição no meio do caminho: já são 8 pessoas mortas e 26 desaparecidas. Os impactos ambientais ainda estão sendo calculados ao longo da extensão por onde passa a lama.

A equipe de analistas ambientais da Rebio de Comboios, localizada nos municípios de Linhares e Aracruz, no Espírito Santo, estão colhendo amostras da água junto com pesquisadores da Universidade Vila Velha (UVV), que fará a análise do material. Por enquanto, a mancha ainda não chegou na unidade: “Queremos fazer um retrato da situação antes e depois do evento. O objetivo original é analisar a presença de metais pesados no segmento e na fauna e fazer a comparação de antes e depois”, afirma Antonio de Pádua Almeida, conhecido como Toninho, gestor da Reserva.

Em uma coleta preliminar de material feita pela prefeitura de Governador Valadares, os níveis de ferro, manganês e alumínio apresentaram valores muito acima dos limites aceitáveis. A cidade mineira faz, inclusive, campanha para recebimento de água mineral devido ao corte de abastecimento de água por causa do desastre.

Tamar retira ovos

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar), do Instituto Chico Mendes, removeu cerca de 22 ninhos da espécie em Vila de Regência, no Espírito Santo.

O objetivo é proteger os ninhos mais próximos da foz e evitar a contaminação das tartarugas pelos resíduos tóxicos vindos da barragem. A foz do rio Doce, é uma importante área de concentração de desovas da tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea).

“[Os ninhos] foram transferidos para uma área segura, como proteção a uma possível lama contaminada ou mesmo a uma erosão acentuada aqui da foz”, explica o coordenador nacional do Projeto Tamar, João Carlos Joca Thomé.

Mas o principal trabalho que está sendo realizado no momento é a construção de uma espécie de “desvio” para que a lama não atinja a área de restinga e vá direto para o oceano. O projeto está sendo realizado pela Prefeitura de Linhares com o apoio do Tamar. A Prefeitura está abrindo uma canal medindo entre 70 e 80 metros para escoar a água suja até o mar.

“O trabalho que fazemos aqui nesse momento é uma preparação da boca da barra que estava fechada para a navegação por conta da seca. Nós estamos preparando a boca da barra aqui, junto com a Associação de Moradores, Prefeitura e Estado, para que, caso chegue essa água contaminada, ela flua pro mar, e não contamine o estuário, a zona mais sensível”, afirma João Carlos Joca Thomé.