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Alexander Turra diz que as comunidades litorâneas dependem da conexão entre o continente, a floresta, a roça e o mar

Por Jornal da USP A vivência dos caiçaras, habitantes tradicionais de áreas costeiras do Sul e Sudeste brasileiro, explicita a ligação entre o homem, o ambiente e as práticas culturais. As comunidades litorâneas encontraram na preservação de sua cultura uma oportunidade de firmar resistência contra as mudanças socioambientais que enfrentam, que vão desde a poluição à especulação imobiliária.

Dando sequência ao Especial Oceanos, o Jornal da USP no Ar 1ª Edição conversou sobre o tema com Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Turra conta que os povos caiçaras se mantiveram distantes de movimentações socioeconômicas até meados do século passado, quando tal isolamento foi rompido pela abertura e ampliação de vias de acesso ao litoral. “[Isso] criou um vetor de ocupação nessas regiões e todo um processo especulativo para a construção de casas de veraneio.”

Com a subsequente degradação do ambiente costeiro e marinho pela ação do setor imobiliário, muitos animais, antes capturados para consumo pelas comunidades, diminuíram consideravelmente em quantidade. “Mas houve um contraponto: a criação de áreas protegidas, parques de conservação, principalmente nos anos 70”, continua o professor. A iniciativa, no entanto, pouco beneficiou os caiçaras, uma vez que os parques não permitiam habitantes em seu interior. Como consequência, diversos ocupantes tradicionais precisaram se deslocar para outras regiões, que raramente apresentavam as condições necessárias para manter seus estilos de vida. “[Os caiçaras] dependem da conexão entre o continente, a floresta, a roça e o mar.”

Atualmente, o incentivo ao turismo de bases comunitárias auxilia a propagação do valor e memória caiçara. Esse formato de excursionismo valoriza as tradições, cultura e culinária típicas, além de todo o conhecimento populacional sobre a biodiversidade. “Esse é um brado, um grito que não se ouve, mas se vê, se sente”, diz Turra. ”Temos que garantir a qualidade do meio ambiente, porque, sem isso, não teremos gente, não teremos peixe e não teremos o brado, que nós precisamos fortalecer nessas comunidades”, finaliza.