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Segundo Pedro Luiz Côrtes, o avanço da mineração na região não só não traz benefícios para a União como também demonstra a falta de compromisso do governo com a preservação ambiental

Por Jornal da USP O general Augusto Heleno, ministro do gabinete de Segurança Institucional da Presidência, autorizou o avanço de sete projetos de mineração para a exploração de ouro em áreas preservadas da Amazônia. A área, conhecida como cabeça de cachorro, fica a mais de 800 km de Manaus, próxima às fronteiras do Brasil com Colômbia e Venezuela. Trata-se de uma das áreas mais preservadas da Amazônia e é caracterizada pelo grande número de terras indígenas. 

“Qual o preço da não preservação, o preço do meio ambiente devastado?”, questiona ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. A decisão tomada pelo ministro está alinhada com o histórico herdado da ditadura militar, que vê a floresta amazônica como uma fonte de recursos primários como minério e madeira. Para Côrtes, o atual governo possui implicações com medidas que preservem o meio ambiente, justificando que isso impede a exploração de recursos naturais que podem trazer benefícios ao País.  

“Por outro lado, ele esquece todos os serviços ambientais que a floresta ativa, a floresta íntegra, presta para o Brasil e para os demais países”, afirma o professor, ao destacar o papel que a floresta possui na regulação do clima nacional e mundial. Ele também ressalta que, ao expandir a exploração de minérios, haverá um aumento de possíveis conflitos com povos indígenas que moram naquelas regiões.

“É interessante como o governo, seja por omissão ou atos diretos, se mostra conivente com a grilagem de terras da União, a exploração ilegal de madeira e o garimpo ilegal”, afirma Côrtes, ao explicar que, ao permitir a exploração ilegal de recursos na Amazônia, na realidade, o governo causa danos à União. “Isso é um problema que merecia atenção do Conselho de Defesa Nacional, porque áreas públicas estão sendo dominadas por grandes grupos de desmatadores, de grileiros, de garimpeiros, sem que haja uma fiscalização efetiva sobre o que está acontecendo nessas áreas”, conclui Côrtes.