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Uma nova análise, abrangendo mais de 84 mil setores censitários nos Estados Unidos e Porto Rico, revela um padrão sistêmico: os grupos populacionais mais vulneráveis não só estão expostos a mais fontes de poluição, como também suportam impactos ambientais de maior intensidade e de forma simultânea. O estudo, publicado na revista Environmental Research Letters, analisou a sobreposição de até 13 fatores de estresse ambiental, como descarte de efluentes, emissões tóxicas no ar e proximidade a locais contaminados.

A pesquisa coordenada por Paul Mohai, da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Michigan, aponta que comunidades não brancas e aquelas com domínio limitado do inglês apresentam a maior probabilidade de viver em áreas onde se acumulam múltiplas agressões ao meio ambiente. De acordo com os pesquisadores, a correlação mais forte encontrada foi entre a concentração dessas cargas e a composição racial e étnica das localidades – um reflexo, na avaliação do estudo, de políticas públicas históricas de segregação e marginalização.

Charles Lee, coautor do trabalho e ex-diretor do Escritório de Justiça Ambiental da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, ressaltou que as pessoas convivem na realidade com um conjunto de poluentes e fatores de estresse social, e não com ameaças isoladas. A disponibilidade crescente de dados, como os compilados pela ferramenta federal EJScreen, permitiu pela primeira vez uma análise cumulativa em escala nacional. Lee avalia que o estudo valida a viabilidade de uma nova geração de instrumentos de mapeamento de impacto, essenciais para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Embora a administração federal atual tenha desativado a plataforma EJScreen, iniciativas estaduais avançam. Nova Jersey, por exemplo, tornou-se o primeiro estado a exigir a negativa de licenças ambientais em áreas sobrecarregadas, utilizando uma ferramenta própria de avaliação cumulativa. O trabalho acadêmico fornece subsídios metodológicos para que outras jurisdições adotem medidas semelhantes.

Os pesquisadores admitem limitações nos dados disponíveis, especialmente no que diz respeito aos efeitos concretos na saúde e na economia das populações afetadas. No entanto, parte-se do pressuposto de que o aumento no número e na intensidade dos problemas ambientais eleva correspondentemente os danos sofridos. A continuidade do monitoramento e do aprofundamento das pesquisas é vista como fundamental enquanto persistirem as disparidades.

Mais informações: Paul Mohai et al, Cumulative environmental burdens and vulnerable populations: taking into account the intensity and count of burdens in environmental justice analyses, 
Environmental Research Letters (2026). 
DOI: 10.1088/1748-9326/ae2c0d


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