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Por Nações Unidas Brasil – Durante a Cúpula One Ocean, que aconteceu na França na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres alertou sobre os efeitos da tripla crise ambiental — perturbação climática, perda de biodiversidade e poluição — nos oceanos. 

Responsável pela Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) anunciou planos de mapear pelo menos 80% do fundo do mar até 2030. Atualmente, apenas 20% das profundezas dos oceanos são conhecidas.

O evento antecede outro grande marco sobre a temática, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que acontecerá entre junho e julho deste ano em Lisboa, e discutirá desafios como poluição plástica nos mares, regulamentação da pesca e acidificação e aquecimento das águas do oceano.

pescadores puxam a rede na praia
Legenda: Mais de três bilhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para sua subsistênciaFoto: © Cassiano Psomas/Unsplash

Na Cúpula One Ocean, que aconteceu entre 9 e 11 de fevereiro em Brest, na França, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que “o oceano carrega grande parte do fardo” da tripla crise que o planeta enfrenta. A crise ambiental – que envolve perturbação climática, perda de biodiversidade e poluição – faz com que o oceano, um dos principais sumidouros de carbono e calor, fique mais quente e mais ácido, prejudicando ecossistemas aquáticos.

Temas como pesca, áreas marinhas protegidas, um possível tratado internacional em alto-mar e um plano da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para avançar no conhecimento sobre os oceanos marcaram o evento. A cúpula antecede outro grande marco sobre a temática, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que acontecerá entre junho e julho deste ano em Lisboa, Portugal.

Efeito cascata – Em sua fala no evento, António Guterres destacou o risco da crise para as comunidades que dependem do oceano: “Mais de três bilhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para sua subsistência”. 

Ele reforçou o quadro sombrio e a conjuntura alarmante, com espécies marinhas em declínio, recifes de coral doentes, ecossistemas costeiros transformados em “grandes zonas mortas” por servirem de depósito de esgoto, e nutrientes e mares sufocados por resíduos plásticos.

Além disso, os estoques de peixes estão sendo ameaçados por práticas de pesca excessivas e destrutivas, juntamente com a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. 

“Devemos mudar de rumo”, insistiu o secretário-geral.

Aderindo à lei – Há 40 anos foi assinada da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, descrita por Guterres como  “primordial”. Ele defendeu que a segunda Conferência dos Oceanos da ONU, que acontecerá eeste ano, é “uma oportunidade para cimentar o papel do oceano” nos esforços globais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e implementar o Acordo de Paris

Economia azul – O chefe da ONU enfatizou que esforços intensificados devem ser feitos para proteger o oceano, dizendo que uma “economia azul sustentável pode impulsionar o progresso econômico e a criação de empregos”, ao mesmo tempo que também protege o clima.

“Precisamos de mais e mais parcerias eficazes para abordar as fontes terrestres de poluição marinha, urgência na implantação de energia renovável nos mares, que pode fornecer energia limpa e emprego, e menos combustíveis fósseis na economia oceânica”, insistiu. 

Guterres saudou “medidas encorajadoras” tomadas por alguns países, incluindo a França, para acabar com os plásticos descartáveis ​​e instou outros a seguirem o exemplo.

Soluções baseadas na natureza – Com cerca de 90% do comércio mundial transportado por mar, o transporte marítimo responde por quase 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. “O setor de transporte marítimo precisa contribuir com o necessário para o corte de 45% nas emissões até 2030 e zero emissões até 2050, no esforço de manter vivas nossas esperanças de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC”, defendeu o chefe da ONU.

Também é necessário avançar na adaptação e resiliência para as comunidades costeiras cujas vidas, casas e meios de subsistência estão em risco. “Devemos capitalizar nas oportunidades que soluções baseadas na natureza, como manguezais e ervas marinhas, oferecem”, acrescentou.

Economia oceânica viável – Para promover uma economia oceânica sustentável, o secretário-geral destacou a necessidade de parcerias e investimentos globais, juntamente com maior apoio à ciência oceânica “para que nossas ações sejam baseadas no conhecimento e compreensão do oceano”.

“Muito permanece não mapeado, não observado e inexplorado”, complementou.

Ao longo desta Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, também conhecida como Década do Oceano, Guterres incentivou os cidadãos preocupados em todos os lugares a “cumprir nossa promessa coletiva de um planeta azul saudável para as gerações futuras”.

Avançando o conhecimento – A UNESCO anunciou planos de mapear pelo menos 80% do fundo do mar até 2030, ano que marca o fim da Década do Oceano. Atualmente, apenas 20% do fundo do mar está mapeado.

Para alcançar o objetivo, a diretora-geral da agência, Audrey Azoulay, disse que será preciso investir 5 bilhões de dólares, ou em torno de 625 milhões por ano, na próxima década.

A grande ambição é investir primeiro na mobilização de uma frota de 50 navios especialmente dedicados à atividade. A agência pretende ainda que navios autônomos usem sonares, as ondas de propagação sonora em meio submarino, e transmitam os dados cartográficos a governos e empresas.

Como ferramenta de monitorização, o mapa global do fundo do mar irá reportar progresso anual e identificar lacunas nesses ecossistemas.

Muitos benefícios aguardam – A UNESCO defende ainda que é essencial conhecer a profundidade e os relevos do fundo do mar para entender a localização das falhas oceânicas, o funcionamento das correntes oceânicas e das marés, bem como o transporte de sedimentos.

Esta informação contribui para proteger populações, antecipando riscos sísmicos, tsunamis e identificando sítios naturais que devem ser protegidos.

O mapa permite identificar recursos pesqueiros para exploração sustentável, ajudando a planejar a construção de infraestrutura offshore, ou mesmo a responder efetivamente a desastres como derramamentos de petróleo, acidentes aéreos ou naufrágios.

Segundo a agência da ONU, os dados têm ainda um papel importante na avaliação dos efeitos futuros das alterações climáticas.