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Neste mês, os moradores participam de capacitação para o uso do aplicativo

Por IPAM Amazônia Durante a reunião “Quilombo, o território coletivo”, realizada em março no município de Mata Roma, no Maranhão, cerca de 25 integrantes do quilombo de Bom Sucesso estiveram presentes na divulgação do aplicativo Tô no Mapa, cujo objetivo é reforçar a luta pela identidade coletiva e demarcação de seu território. Neste mês, os moradores participam de capacitação para o uso do aplicativo.

“O Tô no Mapa incentiva reflexões sobre como o quilombo se autodenomina na comunidade, e sobre a importância de ser reconhecida e de possuir a demarcação do território coletivo. Nesse sentido, em um primeiro momento, o aplicativo inspira diálogos internos na comunidade e, em um segundo momento, possibilita que estas sejam visibilizadas e beneficiadas com políticas públicas que assistam povos e comunidades tradicionais, além de fortalecê-las com este instrumento de gestão do território”, afirma a pesquisadora no IPAM Isabela Pires, responsável por apresentar a ferramenta na ocasião.

“Se uma comunidade tradicional não é identificada ocupando um determinado território, seja em dados oficiais, seja em mapas, por exemplo, ela dificilmente será objeto de políticas públicas que a fortaleçam e a protejam”, acrescenta Pires.

O encontro, realizado pela Secretaria de Igualdade Racial do Maranhão (SEIR), também encaminhou a inclusão da comunidade de Bom Sucesso na “Rota Quilombolas” – trajeto turístico desenhado pelo Estado do Maranhão que visa valorizar a cultura e a história quilombola maranhense.

Importância para a comunidade

“A criação do aplicativo é uma boa iniciativa, pois dá visibilidade para o povo quilombola que há muito tempo frequenta o preconceito e o racismo”, comenta Marcelino Sousa Moreno, quilombola de Bom Sucesso. Ele complementa que o Tô no Mapa contribui para a luta quilombola, trazendo oportunidades de organização social, geração de renda, turismo comunitário e sustentável, entre outros.

Para o pesquisador doutorando em Geografia pela Unicentro/PR (Universidade Estadual do Centro-Oeste, campus do Paraná) Luís Fabiano de Aguiar, que trabalha junto à comunidade quilombola, o acesso ao aplicativo permite a valorização histórica pelo uso daquele território.

“Trata-se do reconhecimento do ‘lugar-território’ pela e para a comunidade, como uma cartografia social de valorização territorial. Pode ser visto como uma vitrine da resistência quilombola contra o avanço do modelo de devastação natural, econômico, político e cultural, mantendo, assim, a sua ancestralidade”, afirma Aguiar.

Sobre o Tô no Mapa

Lançado em outubro de 2020, o Tô no Mapa é resultado de uma parceria entre o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza) e a Rede Cerrado, com o apoio do Instituto Cerrados. A ferramenta pretende suprir a ausência de dados oficiais sobre Territórios Tradicionais em uma área de aproximadamente 32 milhões de hectares de Cerrado.

Levantamento realizado pelo IPAM e pelo ISPN em parte do Matopiba – nome que compreende os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – mostrou que na região existem 3,5 vezes mais comunidades do que mostram os órgãos governamentais responsáveis.

O Tô no Mapa está disponível para Android e para iOS.