Uso excessivo de agrotóxicos na Costa Rica tem ligação direta com alto índice de leucemia infantil

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Pesquisa aponta que Costa Rica se torna o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e cientistas relacionam uso excessivo ao alto índice de leucemia infantil

O consumo de agrotóxicos tem se mostrado um problema em vários países, inclusive no Brasil. Conforme dossîe, nosso país é o que mais usa desse artifício, o que colocava o país no patamar de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Porém, parece que perdemos o posto.

Os costa-riquenhos são os novos campeões mundiais no consumo de agrotóxicos, segundo dados dos WRI (World Resources Institute), organização dedicada a investigar questões ambientais. Calcula-se o uso de tais substâncias em 51,2 quilos por hectare de terras, sendo que, em 2010, o Serviço Fitossanitário do MAG (Ministério de Agricultura e Pecuária, em sua sigla em espanhol), reportou o uso de 14 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos, isto é, três quilos consumidos para cada habitante da Costa Rica.

Um dos produtos mais usados é o chamado Mancozeb, muito utilizado nas culturas de milho no controle de doenças mancha branca e cercosporiose. Porém, o uso deste fungicida, conforme a Ficha de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), acarretou no desenvolvimento de tumores tiroidianos em ratos com nível de concentração de 750 partes por milhão na dieta. Não foi observada evidência de carcinogenicidade em estudos de longo prazo com camundongos.

Apesar disso, o engenheiro agrônomo costa-riquenho Fernando Ramírez explicou que este produto gera efeitos tóxicos em longo prazo e doenças crônicas. Ele ainda atentou para o uso de alguns fosforados e fungicidas, como o Paraquat (indefirido pela FEPAM, Fundação Estadual de Proteção Ambiental-RS)  e o Endosulfan, que já foram suspensos em muitos países, devido os seus efeitos sobre a saúde e o meio-ambiente.

Os agrotóxicos e a Leucemia

O uso excessivo de agrotóxicos, mesmo diante do conhecido fato de que estes causam danos à saúde e ao ambiente, motivaram ações que pudessem alertar para a necessidade de maior regulamentação dessa questão. Com isso, o Instituto Regional de Estudos sobre Substâncias Tóxicas (IRET) e o Instituto Karolinska, da Suécia, realizaram, em 2008, o estudo “Exposição ocupacional e ambiental de pais e mãe a agrotóxicos, outros contaminantes e leucemia”.

“Dois fatores nos motivaram a promover esse estudo. O primeiro é que a Costa Rica tem uma das mais altas incidências mundiais de leucemia infantil, e o segundo é que entres as causas mencionadas na literatura internacional figura a exposição ou contato com substâncias químicas”, de acordo com a doutora Patrícia Monge Guevara, pesquisadora do IRET. 

O resultado desse estudo mostrou que existe uma relação entre a incidência de leucemia e o uso de substâncias tóxicas e que o risco de desenvolver a doença (entre os que se expõe a agrotóxicos) é até três vezes maior que o normal. O estudo também mostrou que esta relação acaba sendo ainda mais alta quando o contato com essas substâncias é feito pela mãe durante a gestação e no primeiro ano de vida da criança.

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