IPT realiza testes para melhorar índice de reciclagem de livros didáticos

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Instituto de Pesquisas Tecnológicas faz testes que mostram a viabilidade da reutilização destes papéis

Anualmente no Brasil, cerca de quatro milhões de toneladas de papel são recicladas, número equivalente a 43,5% do total consumido no país no mesmo período. Mas esse número ainda pode aumentar muito se locais específicos que têm maior gasto de papel aumentarem a qualidade da reciclagem, como no caso dos livros didáticos. Com o aproveitamento de livros usados por alunos de escolas públicas e particulares (mas com grande frequência nas públicas), onde os exemplares são repassados, ao final de cada ano, aos alunos mais novos, o descarte ocorre após três anos de uso, mas nem todas as partes são recicladas.

Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE), quase 138 milhões de exemplares foram distribuídos no Brasil no ano passado. Levando em conta os materiais que constituem o livro (papel miolo com gramatura 75 g/m², formato de 20,5x27,5 cm e 200 páginas), um total de 123 mil toneladas de papel tem potencial para reciclagem. Pensando nisso, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) realizou pesquisas de amostras do miolo e das capas dos livros que mostra a viabilidade do reaproveitamento desses materiais em produtos de menor ou maior valor agregado.

O projeto Laboratório Papel e Celulose, do IPT, fez uma proposta para preencher lacunas de estudos específicos sobre a reciclagem de livros didáticos. A maioria deles é impressa em quatro cores, possui lombada quadrada e miolo fixado em cola de poliuterano. Para que se consiga reaproveitá-los totalmente, a reciclagem deve promover a remoção dos pigmentos coloridos e da cola, a fim de evitar os chamados stickies (materiais pegajosos que se depositam sobre o papel e prejudicam seu uso e sua aparência).

Embora reduza o uso de recursos naturais, a reciclagem é um processo complexo quando comparado à obtenção de fibras virgens porque os papéis a serem recuperados possuem uma mistura de diferentes fontes, além de uma série de contaminantes, como corantes, revestimentos, tintas de impressão, laminação, adesivos e outros materiais que acabam sendo misturados durante o ciclo de vida, como arames, plásticos e outras impurezas.

Estudos

O laboratório do IPT realizou estudos com livros didáticos de seis editoras diferentes. As lombadas foram retiradas totalmente para a obtenção de aparas e para evitar contato com o local onde a cola de encontrava.

Os pesquisadores trabalharam com dois tipos de amostra. Uma delas era formada por aparas do miolo e a outra por aparas de miolo e capa. Os testes foram feitos considerando os dois processos de reciclagem para o estudo, um deles usa somente a desagregação das amostras e o outro utiliza as operações de cozimento em soluções alcalinas e destintamento.

A equipe utilizou uma série de equipamentos adquiridos no projeto de modernização do IPT, com destaque para a célula de destintamento por flotação, principal método de reciclagem de materiais impressos por sua grande capacidade de retirar partículas hidrofóbicas.

As semelhanças das amostras de livros didáticos usadas nos testes nos permitem a geração de aparas mais homogêneas, o que facilita o processo de reciclagem. Os processos que envolvem cozimento com solução alcalina e destintamento resultaram em papéis com pouca ou quase nenhuma sujidade, além da alvura equivalente à dos papéis utilizados na confecção de livros didáticos.

A reciclagem por desagregação não obteve muito sucesso. Os papéis obtidos mostraram um alto teor de sujidade, a ponto de impedir sua alvura, mas isso não impediu sua reutilização. Cartões multicamada e chapas de papelão ondulado são algumas aplicações onde ele pode ser utilizado, pois não exigem requisitos de aparência.


 

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