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Com aquecimento global, árvores devem crescer mais rápido e capturar mais carbono por um tempo, porém tendência é que tenham vida útil curta

Imagem de Berend Leupen no Unsplash

“Viva rápido, morra jovem” é um truísmo frequentemente aplicado a estrelas do Rock, mas poderia facilmente descrever árvores, de acordo com novas pesquisas. As árvores que crescem rapidamente têm uma vida útil mais curta, o que pode significar más notícias para o enfrentamento da crise climática.

As árvores crescem mais rápido em condições mais quentes e isso deve atuar como um freio natural no aquecimento global, pois a vegetação absorve e armazena mais dióxido de carbono do ar à medida que cresce. Porém, um novo estudo lança dúvidas sobre esse ciclo benéfico, descobrindo que quanto mais rápido as árvores crescem, mais cedo elas morrem – e, portanto, param de armazenar carbono.

Algumas árvores de crescimento rápido, incluindo espécies de coníferas em regiões frias, há muito são conhecidas por apresentarem expectativa de vida mais curta, mas o que não se sabia era o impacto das condições mais quentes, capazes de estimular o crescimento à medida que o aquecimento global se acelera. Uma equipe internacional de pesquisadores, cujo trabalho foi publicado esta semana na revista científica Nature Communications, descobriu uma forte relação entre um crescimento mais rápido e uma vida útil mais curta em várias espécies de árvores em diferentes latitudes.

Roel Brienen, professor associado de geografia da Universidade de Leeds, principal autor do artigo, explica: “Começamos uma análise global e ficamos surpresos ao descobrir que essas compensações são incrivelmente comuns. Isso ocorreu em quase todas as espécies que observamos, incluindo árvores tropicais.”

As árvores que crescem mais rápido em condições mais quentes atingem seu tamanho máximo mais cedo – e isso parece aumentar sua chance de morrer. Árvores que crescem mais rapidamente também podem ser mais vulneráveis ​​a fatores como secas, doenças e pragas. Quando as árvores morrem, elas abrem mão do carbono armazenado gradualmente, na forma de metano, um gás de efeito estufa.

Isso significa que muitos modelos de mudança climática padrão relacionados ao uso de florestas como sumidouros de carbono, para absorver o dióxido de carbono produzido pela queima de combustíveis fósseis, provavelmente superestimaram os benefícios. O novo estudo sugere que, embora as florestas do futuro possam crescer mais rápido com o aumento das temperaturas, elas também podem armazenar menos carbono à medida que as árvores morrem mais cedo.

“Nossas descobertas indicam que há características nas árvores de crescimento mais rápido que as tornam vulneráveis, enquanto as árvores de crescimento mais lento têm características que permitem que elas persistam”, disse Steve Voelker, do departamento de biologia ambiental e florestal da Syracuse University New York, co-autor do estudo. “As taxas de absorção de carbono pelas florestas provavelmente estão diminuindo à medida que as árvores de crescimento lento e persistentes são suplantadas por árvores de crescimento rápido, mas vulneráveis.”

David Lee, professor de ciências atmosféricas na Manchester Metropolitan University, que não esteve envolvido no estudo, disse: “Atualmente, os modelos climáticos do sistema terrestre prevêem a continuação ou aumentos no tamanho do sumidouro de carbono das florestas maduras e este estudo mostra o contrário, que o aumento de CO2 compromete as florestas como sumidouros de carbono. A ideia de que as emissões de combustíveis fósseis podem ser compensadas plantando árvores ou evitando o desmatamento realmente não resiste ao escrutínio científico.”

No entanto, Keith Kirby, ecologista florestal da Universidade de Oxford, disse que os resultados não negam o valor do cultivo de árvores para evitar a crise climática. “Não podemos contar tanto com o aumento do crescimento por unidade de área para manter e aumentar o potencial de sumidouro de carbono da floresta, mas isso pode ser compensado pela desaceleração do desmatamento e por um aumento em programas de extensão das florestas, onde isso pode ser feito de forma sustentável”.

Para o estudo, a equipe internacional analisou dados de mais de 200.000 amostras de anéis de árvores representando 110 espécies de árvores, em todos os continentes, exceto na África e na Antártica. Eles descobriram que o crescimento mais rápido estava ligado a uma expectativa de vida mais curta em árvores da mesma espécie e em diferentes espécies, e não dependia do clima ou do solo.

Os pesquisadores também realizaram uma simulação de computador, usando dados sobre o abeto negro (Picea mariana), para ver que impacto um crescimento mais rápido teria no armazenamento de carbono. Os resultados mostraram que a maior propensão para as árvores morrerem após crescerem mais rapidamente poderia reduzir a capacidade das florestas globais de absorver e armazenar dióxido de carbono, conforme aumentem as temperaturas.

O cultivo de árvores e a preservação das florestas existentes são uma das formas mais importantes de evitar os piores impactos da crise climática. Mas vários estudos lançam dúvidas sobre a capacidade das florestas globais de agirem como sumidouros de carbono à medida que o clima muda. Um estudo publicado em março descobriu que as florestas tropicais estavam perdendo sua capacidade de armazenar carbono, e pesquisas publicadas em maio mostraram que as florestas do mundo estavam se tornando mais curtas e mais jovens.



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