Ceará vai dessalinizar água do mar para consumo

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Governo quer construir unidade de dessalinização para abastecer 720 mil pessoas em Fortaleza

Praia de Iracema, em Fortaleza
Imagem: Praia de Iracema, em Fortaleza. Por Mayra Pavanello Munerato. Licenciada em Creative Commons 3.0.

O governo do Ceará decidiu investir na dessalinização da água do mar para manter o abastecimento da população. Em uma região de secas frequentes (e vivendo um momento particularmente difícil), o estado espera, até 2020, atender pelo menos 720 mil habitantes de Fortaleza com o tratamento da água do mar.

Implantar uma unidade de dessalinização da água do mar foi a forma encontrada pelo governo para diminuir a dependência da cidade de Fortaleza com relação ao Açude do Castanhão, que fica a 280 quilômetros da capital e vive sua pior situação desde que começou a operar, em 2002 - o reservatório está funcionando com apenas 3% de sua capacidade. A meta do governo é que a água retirada do Atlântico atenda pelo menos 720 mil habitantes de Fortaleza.

A capital consome hoje cerca 8 m³ (metros cúbicos) de água por segundo. O projeto da planta de dessalinização deve entregar 1 m³ de água tratada por segundo, o equivalente a 12% do consumo na cidade. Fortaleza conta atualmente com 9 milhões de habitantes e o mar à sua frente oferece a chance de contornar os problemas do clima semiárido.

No final de 2017, uma empresa sul-coreana e outra espanhola foram escolhidas para apresentar propostas de engenharia. Elas devem indicar qual o melhor modelo tecnológico para retirar o sal da água e qual o melhor local para a instalação da usina de dessalinização. O governo deve receber os dois estudos técnicos até maio e o projeto tem um orçamento estimado em cerca de R$ 500 milhões.

O governo do Ceará quer contratar uma empresa para construir e ficar responsável pela operação, oferecendo como contrapartida a compra de toda a água tratada, que se ligará a um ponto de distribuição da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Será estabelecida a tarifa máxima que o governo pretende pagar por cada litro de água dessalinizada e vencerá a licitação a companhia que apresentar a menor tarifa, a ser paga pelo consumidor final.

Existem pelo menos 150 países que usam o método de dessalinização para seu abastecimento regular, em especial os de regiões desérticas ou com dificuldades de abastecimento, como os do Oriente Médio e do norte da África. Um dos líderes nessa tecnologia é Israel, onde cerca de 80% da água potável consumida pela população é proveniente do mar.

Em todo o mundo, são cerca de 300 milhões de pessoas que dependem da água dessalinizada para algumas ou todas as suas necessidades. Os dados são da Associação Internacional de Dessalinização, que indica que já existem mais de 18 mil usinas em todo o mundo capazes de dessalinizar a água do mar. Juntas, elas geram 86,8 milhões de metros cúbicos de água por dia.

A experiência internacional mostra que cada metro cúbico de água dessalinizada custa em média US$ 1 (cerca de R$ 3,31). O valor médio praticado atualmente pela Cagece para o tratamento do metro cúbico de água doce é de R$ 3, segundo a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará. Assim, substituir a água doce pela água do mar não representaria um aumento de custo muito grande nos preços da água tratada.

Plantas de dessalinização de maior porte, como as de Israel, por exemplo, conseguem chegar a US$ 0,60 para cada metro cúbico de água tratada. Se for bem sucedida, pode ser vantajoso expandir a unidade de dessalinização da água do mar - uma segunda unidade de tratamento já está em vista para o futuro.



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