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Estudo com restos mortais indica cultivo de kūmara e taro como pilar alimentar e ritual no século 18

Sete ancestrais maori, incluindo quatro crianças, tinham uma alimentação majoritariamente vegetal antes da chegada dos europeus à Nova Zelândia – revela uma nova pesquisa científica feita em parceria com comunidades indígenas da região de Waikato. A descorita, publicada na revista Nature Communications, reformula o entendimento sobre os hábitos alimentares e práticas funerárias pré-coloniais.

Os kōiwi tangata (restos humanos) foram localizados por acaso durante escavações arqueológicas da rodovia Waikato Expressway, em uma cova de empréstimo aberta para retirada de cascalho usado no preparo do solo para o cultivo de kūmara. Ali, os tūpuna (ancestrais) haviam recebido um sepultamento secundário – prática comum em períodos de conflito ou ligada a rituais de tapu (sagrado).

O estudo, liderado pela Universidade de Otago – Ōtākou Whakaihu Waka, só foi possível graças à aprovação e orientação dos hapū e iwi Waikato: Ngāti Maahanga, Ngāti Wairere, Ngāti Koroki Kahukura e Ngāti Hauā. A arqueóloga Sian Keith, responsável pela escavação no trecho de Hamilton, destaca que o trabalho exigiu confiança mútua e respeito ao conhecimento tradicional.

Com técnicas avançadas de isótopos e análise de peptídeos do esmalte dentário, os pesquisadores identificaram a dieta, o local de residência na infância e o sexo cromossômico dos sete indivíduos. Os dentes mostraram desgaste típico de alimentos macios, ricos em amido e pegajosos – compatíveis com kūmara (batata-doce) e taro. As crianças, segundo os isótopos, foram desmamadas para esses vegetais ainda nos primeiros dois ou três anos de vida.

A coautora do estudo, dra. Rebecca Kinaston, diretora da consultoria BioArch South, afirma que os resultados oferecem evidência biológica direta que corrobora as narrativas orais maori, relatos etno-históricos e achados arqueológicos anteriores. O colega Jonny Geber, da Universidade de Edimburgo, acrescenta que os enterramentos revelam como os tūpuna foram cuidados e tratados ritualmente antes das grandes transformações culturais impostas pela colonização.

A pesquisa, uma das poucas na Nova Zelândia a usar análise científica de restos mortais humanos, beneficia o meio ambiente acadêmico e a valorização da herança indígena ao demonstrar que a horticultura – especialmente de kūmara e taro – já ocupava papel central na sociedade maori do século 18, contrariando visões antigas de que a alimentação pré-colonial seria quase exclusivamente carnívora.


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