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O projeto da FEA-USP com a Universidade Zumbi dos Palmares incentiva a igualdade racial no ambiente coorporativo e pretende começar suas atividades em 2022, comenta o professor Moacir de Miranda

Uma parceria entre a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP  com a Universidade Zumbi dos Palmares (Unipalmares) promove a criação de uma escola de negócios e empreendedorismo para jovens negros e o lançamento de um centro de estudos e pesquisas em economia, gestão, negócios e diversidade racial empresarial.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1° Edição, o professor Moacir de Miranda, do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, destaca que o surgimento da parceria é interessante e importante, principalmente quando se olha para os mais de 51% de ingressantes da USP, em 2021, da escola pública, sendo 44,7% do grupo PPI (pretos, pardos e indígenas). “Nossa visão não é só o acesso, mas a inclusão, porque muitos alunos podem não ter condições de se manter dentro da universidade. Eles entram na universidade, agora em um período de covid, e alguns não têm notebook, acesso à internet e nem um smartphone. E essa parceria surge dentro desse contexto em que USP avança, especificamente da questão racial”, comenta Miranda.

O debate racial ainda é muito sensível no Brasil, destaca o professor, principalmente diante do mito da democracia racial. “A gente sabe que é um mito diante das evidências de disparidades salariais, do número de assassinatos de jovens negros pela polícia, da ausência de lideranças negras no ambiente empresarial, que mostram, ao contrário do mito da democracia racial, a realidade do racismo estrutural”, explica. “A parceria entre a maior universidade da América Latina, que é a Universidade de São Paulo, com a maior universidade com ênfase no debate racial, a Unipalmares, propõe avanços na redução da desigualdade racial no País e no ambiente de negócios e trabalho”, enfatiza.

Miranda também explica que o projeto irá se desenvolver em quatro dimensões: a criação do centro de estudos e pesquisas sobre a questão racial no ambiente de negócios; iniciativas de fomento a lideranças negras no mercado de trabalho; aplicação da metodologia do Índice Empresarial pela Igualdade Racial; e o desenvolvimento do empreendedorismo negro. “Então nós estamos muito interessados em fazer com que esta onda do empreendedorismo também seja surfada pelos empreendedores negros. Nós queremos não apenas lideranças negras no ambiente coorporativo, mas também queremos negros fundando unicórnios, empresas que valem um bilhão de dólares”, ressalta o chefe do Departamento de Administração da FEA-USP.

Ainda de acordo com Miranda, o empreendedorismo negro está em alta e afirma que se faz necessária a distinção entre o empreendedorismo por necessidade e o de base tecnológica. “É este que a gente quer fomentar, não só o de base tecnológica, mas intensivo em conhecimento e tecnologia, porque é este que tem potencial de alta escalabilidade, salários mais elevados e riqueza para a sociedade”, revela. Os cursos das iniciativas estão sendo estruturados, segundo o professor, para o próximo ano. “Estamos trabalhando para que isso ocorra em 2022 porque nós temos um movimento importante, desde montar uma estrutura com robustez interna e políticas pedagógicas que entendam a complexidade dessa questão, mas também de articulação externa com parceiros”, complementa. “É um projeto para fazer a diferença na vida de dezenas de milhares de jovens negros”, finaliza.