Se acordo de Paris der certo, clima levará 50 anos para normalizar, diz meteorologista-chefe da ONU

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Para Peteri Taalas, da Organização Meteorológicas Mundial, “estamos no rumo de três a cinco graus de aquecimento”

Mapa calor OMM
Imagem: Mapa de temperaturas de 2017 da OMM

Se a humanidade tiver sucesso em implementar o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris e estabilizar o aquecimento global em 1,5°C, o mundo seguirá batendo recordes climáticos negativos até por volta de 2060. A avaliação sombria foi feita pelo finlandês Petteri Taalas, chefe da Organização Meteorológica Mudial (OMM), em 6 de novembro – que emendou, no entanto, que “até agora não estamos nos movendo nessa direção”.

Taalas apresentou à imprensa, na abertura da COP23, em Bonn, na Alemanha, as conclusões preliminares do Estado do Clima Global, um relatório produzido anualmente pela OMM que registra as principais alterações do clima da Terra. Em 2017, o relatório contou com participação de outras nove agências da ONU, como o FMI, que estimou também as perdas de PIB causadas pelo aquecimento global no mundo.

Os problemas são variados: 2017 será o segundo ou terceiro ano mais quente de todos os tempos desde o início das medições, em 1880, e o mais quente da história sem El Niño, superando de longe 2014; entre janeiro e setembro, a temperatura ficou 1,1°C acima da média de 1880 a 1900; as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera em 2016 foram as maiores em três milhões de anos, ultrapassando 403 partes por milhão, mesmo num ano em que as emissões de carbono por uso de energia não cresceram; recordes também foram batidos nas concentrações de metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), respectivamente o segundo e o terceiro gases de efeito estufa mais importantes.

A alta temperatura causou ondas de calor e incêndios florestais no sudoeste da Europa, na Califórnia e no Canadá; na Patagônia argentina, os termômetros bateram 43,5°C abaixo da latitude 45 Sul; secas agravaram guerras no Iêmen, no Sudão do Sul e na Somália.

E tudo isso para não falar na temporada de furacões de 2017, a mais cara de toda a história, com duas supertempestades (Harvey e Irma) tocando terra nos EUA, três furacões de categorias quatro e cinco se sucedendo em duas semanas e o furacão de categoria cinco mais duradouro da história, o Irma.

“A Organização Mundial da Saúde começa a ver um aumento no número de pessoas expostas a ondas de calor. São 175 milhões por ano”, disse Taalas. E as estimativas do FMI dão conta de que os países mais pobres da América Latina, da África, do Sudeste Asiático e da Oceania estão vendo um encolhimento de suas economias da ordem de 2% a 4% devido a mudanças decorrentes da elevação de 1oC na temperatura global.

Imagine agora que as discussões em Bonn visam tentar limitar o aquecimento a quase o dobro disso. Segundo o chefe da OMM, mesmo que esse esforço seja bem-sucedido e a humanidade consiga nos próximos 20 anos atingir a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, limitar o aquecimento a 1,5°C, o número de eventos extremos continuará crescendo por décadas.

“A coisa negativa sobre o sistema climático é que nós emitimos tanto que vai levar 50 anos para [o planeta] se recuperar, o que significa mais tendências negativas e mais recordes desconfortáveis”, disse Taalas. “Se nós conseguirmos implementar o Acordo de Paris, poderíamos ver uma redução disso a partir dos anos 2060. Caso contrário, claro, isso continuará por milhares de anos, dada a persistência do CO2 na atmosfera.”

O problema, afirmou, é que não há nada hoje que nos autorize a antever o melhor cenário. “Até aqui não temos caminhado nessa direção; caminhamos para 3°C a 5°C de aquecimento neste século.”



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