Atlas de répteis demonstra importância de regiões secas para biodiversidade

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Lagartos se beneficiam de ambientes quentes e secos

Cyrtodactylus bintangtinggi

Um mapa com a ocorrência de répteis em todo o mundo coloca a Caatinga brasileira entre as regiões mais importantes para a conservação da biodiversidade na Terra. O estudo apresenta informações sobre mais de dez mil espécies de lagartos, cobras e tartarugas conhecidos e completa o mapeamento de todos os vertebrados que vivem em ambientes terrestres no planeta.

A pesquisa, liderado por pesquisadores das Universidades de Oxford, Reino Unido, e Tel Aviv, Israel, com participação de outras 30 instituições, inclusive brasileiras, foi publicado em 16 de novembro na revista científica Nature Ecology & Evolution. Ele demonstra que regiões áridas e semiáridas podem ter importância vital para a manutenção da variedade de espécies que existem no planeta.

São regiões que não apareciam com destaque em outros mapas, que incluíam mamíferos, anfíbios ou aves. Península Arábica e Levante (região do Oriente Médio próximo ao Mar Mediterrâneo), regiões áridas da África do Sul, estepes asiáticas, desertos da região central da Austrália e Sul dos Andes também estão entre as regiões que precisam ser conservadas, para proteger a biodiversidade.

“Lagartos especialmente tendem a ter uma distribuição peculiar e frequentemente gostam de locais secos e quentes”, afirma o autor principal do artigo, o biólogo da conservação Uri Roll, da Universidade Ben-Gurion, em Israel. “Então muitas das novas áreas identificadas como prioritárias para a conservação são terras secas e desertos. Elas tendem a não ser prioritárias para pássaros ou mamíferos. ”

Entre os 10.064 répteis que puderam ser mapeados, a maioria são lagartos (6.110 espécies). Serpentes são o segundo grupo mais numeroso (3.414 espécies), seguidas pelas tartarugas (322 espécies), anfisbenas ou cobras-cegas (193 espécies), crocodilianos (24 espécies) e a tuatara (uma espécie parecida com o lagarto e que vive exclusivamente na Nova Zelândia).

O biólogo Richard Grenyer, professor associado em Oxford, destaca que nas regiões secas há terras com pouco valor econômico, o que é bom para a conservação. Mas elas abrigam também grandes projetos de irrigação e usinas de energia solar. “Algumas vezes são áreas de degradação generalizada, guerras ou conflitos”, afirma o professor. “Isso as torna ambientes desafiadores para conservacionistas trabalharem”, completa.

Os autores do estudo destacam que o mapeamento é importante para usar melhor os recursos destinados à conservação. Antes dos dados dos répteis serem apresentados, já havia estudos semelhantes para aves (dez mil espécies), anfíbios (6 mil espécies) e mamíferos (5 mil espécies).


Fonte: O Eco

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