Excesso de microplásticos em região dos Grandes Lagos, nos EUA, preocupa cientistas

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Grande concentração de microplásticos nos lagos Huron, Superior e Erie, nos Estados Unidos, é preocupante para todo o meio ambiente

Três dos cinco Grandes Lagos dos Estados Unidos estão "banhados" em plástico. Pelo menos é o que afirma um estudo que será publicado no segundo semestre de 2013. nos EUA.

De acordo com a professora Sherri "Sam" Mason, da State University of New York at Fredonia, a maior parte do plástico encontrado nos lagos Huron, Superior e Erie são da categoria microplásticos, cujo tamanho varia de 1 a 5 milímetros. Após um exame preciso feito por meio de microscópio eletrônico de varredura, foi constatado que muitas das partículas são pequeninas esferas plásticas.

E esse formato não ocorre por acaso. Essas "bolinhas" são utilizadas por empresas de cosméticos na composição de esfoliantes, produtos de ação abrasiva no processo de esfoliação facial e corporal. Após a sua utilização em banhos ou tratamentos de beleza, essas esferas minúsculas não são detectadas pelo sistema de filtramento das estações de tratamento de água. Em seguida, são escoadas para os Grandes Lagos.

Durante o 245º Encontro e Exposição da Sociedade Americana de Química, em Nova Orleans, a doutora em química Lorena Rios, da Universidade de Winsconsin e colaboradora do estudo da professora Sherri "Sam" Mason, juntamente com o Instituto 5 Gyres, anunciou que estudos de sua equipe de pesquisadores foram capazes de estimar concentrações entre 1,5 mil e 1,7 milhão de partículas plásticas por 2,5 quilômetros quadrados (equivalentes a uma milha quadrada) nos Grandes Lagos, com destaque para o lago Erie.

Degradação da Fauna

Além da poluição que as pequenas esferas causam, elas ainda possuem enorme capacidade de absorver poluentes químicos despejados na água. A maior preocupação dos cientistas é que a fauna da região, que acaba se alimentando dos plásticos infectados, possa sofrer danos irreversíveis. Essa dieta pode privar os animais de nutrientes, quando não ocorre o pior: os microplásticos, por não serem digeríveis tendem a ficar alojados nos estômagos dos animais, bloqueando todo seu sistema digestório. Trata-se de uma questão que requer muita atenção, afinal, toda a cadeia alimentar pode estar comprometida, incluindo alimentação humana.

A tendência é que se confirme a hipótese de que os peixes estão se alimentando de microplásticos. Uma estação de pesquisa ligada à pesca e vinculada ao Departamento de Recursos Naturais de Ohio encontrou plástico em percas amarelas no decorrer de um estudo acerca de sua dieta.

Porém, pesquisas realizadas em peixes do lago Superior não se mostraram conclusivas, por não ter sido encontrado qualquer plástico no sistema digestivo dos animais. Muito disso se deve ao fato de que o lago Superior possui maior fluxo de águas, além de ser o que contém menos resíduos entre todos os demais. Lorena Rios acredita que vão surgir resultados mais conclusivos em um futuro próximo, tendo em vista que a pesquisa ocorrerá no lago Ontario, que é onde desembocam as águas do lago Erie.

O buraco é mais embaixo

A pesquisa de Lorena Rios também inclui estudos referentes ao detritos plásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) encontrados na grande ilha de lixo do pacifico. Em análises feitas nas águas do lago Erie, foram revelados vários níveis de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), bifenilos policlorados (PCBs) e outros organoclorados.

Esses poluentes podem permanecer no ambiente por mais de 50 anos, influenciando diretamente na cadeia alimentar das espécies da região.

Rios pretende estudar qual a situação atual dos sistema endócrino dos peixes, e caso encontre danos, quer saber se os problemas persistem na cadeia alimentar.

Em estudo anterior da mesma pesquisadora, ficou demonstrado que, nos oceanos, os plásticos e microplásticos causam impactos (imediatos e também de longo prazo) em toda a vida marinha. Os POPs permanecem nos organismos vivos, repassando as substâncias tóxicas para outras gerações, o que reduz as taxas de sobrevivência dessas espécies.

Nos próximos estudos, a professora Sherri Mason também pretende analisar, nos lagos Erie, Michigan, Ontario e no rio Saint Lawrence, como a luz solar decompõe os plásticos, além de identificar as fontes mais exatas dos microplásticos. Segundo o diretor-executivo do Instituto 5 Gyres, Marcus Eriksen, há mais facilidade em localizar as fontes dos microplásticos em estudos nos Grandes Lagos, por causa da sua área geográfica menor em comparação aos oceanos.

Empresas de cosméticos recuam

Ericksen e outros ativistas da causa em prol do meio ambiente estão pleiteando junto às empresas de cosméticos para que substituam as esferas plásticas em seus produtos por materiais menos danosos, como pedra-pome, aveia, damasco ou cascas de noz, que empresas de cosméticos, como Burt's Bees ou St. Ives já empregam em seus produtos.

Recentemente, graças às campanhas do Instituto 5 Gyres em companhia de parceiros, como a Fundação Plastic Soup e a Plastic Free Seas, as empresas de cosméticos estão recuando sobre utilização dos microplásticos em seus produtos.

A L’Oréal anunciou que vai parar de utilizá-los em seus itens de limpeza facial e corporal. A Johnson & Johnson afirmou que deixará de utilizar o material em todos os seus produtos. A Unilever declarou que banirá os microplásticos até 2015.

Porém, ainda há empresas parecem indicar resistência em deixar de utilizar o material. Ericksen aguarda a publicação da pesquisa da professora Sherri Mason para que possa convencê-las a reconsiderarem o uso das esferas plásticas em seus produtos.

Como colaborar com a diminuição da poluição

Ainda que haja muita pesquisa a ser feita, já é evidente a importância do debate e da conscientização sobre esse assunto. E você já pode começar a colaborar com a causa.

Não são apenas os esfoliantes que se transformam em microplásticos, mas grande parte dos plásticos destinados incorretamente e que acabam indo parar nos oceanos também possuem tal destino. Utilize menos, reutilize e recicle produtos feitos de plástico. Contribua para o crescimento da coleta seletiva e pressione as autoridades da sua região. Conscientize-se de que suas ações contribuem com o destino de nossa espécie e daquelas que conosco coabitam o planeta.

Visite nossa seção Recicle Tudo para saber como dar o primeiro passo e informe-se sobre os pontos de reciclagem de cada tipo de material!

Imagens: Scientificamerican.com e Instituto 5 Gyres
Fonte: Scientificamerican.com

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