Sacola oxibiodegradável de PEAD: solução ou problema?

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Estudos questionam viabilidade para o meio ambiente 

O plástico oxidegradável apresenta vantagens e desvantagens que podem amenizar ou aprofundar problemas ambientais. Confira

PEAD, ou melhor dizendo, polietileno de alta densidade. É um material que compõe um tipo específico de termoplástico. Ele pode ser encontrado em frascos para detergentes, shampoos, cremes, desodorantes, sacolas de supermercados, garrafas de refrigerantes, baldes e muito mais.

Ele é obtido a partir do eteno, uma das substâncias adquiridas com o refinamento do petróleo. E é muito utilizado pela indústria por ser um material resistente a altas temperaturas, tensão, compressão e tração, além de ser inerte, atóxico e possuir baixa densidade em comparação a outros materiais.

Consumo significativo estimulou a criação das sacolas oxibiodegradáveis

De acordo com a Associação Brasileira de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF), a produção de plástico PEAD no Brasil é em torno de 1 milhão de toneladas por ano.

E de acordo com Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), a utilização de sacolas plásticas de mercado é de 1 bilhão de unidades por mês.

Tendo em vista todo esse consumo e a demanda pela sociedade civil por soluções mais sustentáveis diante do que a destinação incorreta dos diversos tipos de plásticos consumidos pode causar (como a formação de microplástico, por exemplo), algumas empresas começaram a investir em tecnologias de materiais plásticos que se dizem amigáveis para o meio ambiente. Esse é o caso do plástico verde, do plástico PLA, do plástico de amido e do plástico oxibiodegradável (que compõe as sacolas oxibiodegradáveis, tema dessa nossa matéria).

Como deveria funcionar oxibiodegradação das sacolas de PEAD

A proposta dessa sacola oxibiodegradável de PEAD é que após a adição de pró-degradantes derivados de sais metálicos, sua vida útil possa ser controlada. Dessa forma, se for descartado em ambientes abertos em contato com calor, raios UV e o oxigênio, esse tipo de plástico começa a se fragmentar (oxidegradação) em um tempo relativamente curto se comparado ao plástico convencional, se transformando em pedaços cada vez menores até que possa ser metabolizado por bactérias (biodegradação) e transformado em CO2 e água, caracterizando um processo completo de oxibiodegradação.

Estudos colocam em questionamento a viabilidade dos produtos de plástico oxibiodegradável

Normalmente, quando adquirimos um produto com algum tipo de certificado ecológico ou alguma promessa de viabilidade ambiental costumamos ficar mais tranquilos. No caso das sacolas oxibiodegradáveis muita gente fica com a consciência tranquila imaginando que provavelmente após serem utilizadas elas sumirão na natureza e não causarão nenhum dano.

Entretanto, alguns estudos e instituições mostram alguns argumentos que estão tirando nossa tranquilidade.

Um próprio defensor dos oxibiodegradáveis, o renomado George Scott, afirmou em um de seus artigos que os plásticos oxibiodegradáveis "não foram feitos para serem compostados, degradados anaerobicamente (sem presença de oxigênio) nem para degradação profunda em aterros". O artigo de George Scott mostra que não é em qualquer ambiente que a sacola se oxibiodegradará, é preciso a presença de oxigênio, calor, luz e microorganismos capazes de decompor o material.

Um estudo feito pela Universidade de São Paulo, onde foram realizados testes com um tipo de plástico oxibiodegradável vendido no mercado nacional, constatou que, apesar de ele se fragmentar e virar pó, não é consumido por fungos, bactérias, protozoários e outros microorganismos – condição necessária para ser considerado biodegradável e desaparecer do solo ou da água.

Outro estudo feito pela Universidade Ben-Gurion do Neguev afirmou que mesmo quando ocorre a fragmentação (oxidação) em pedaços menores causada pela adição dos pró-degradantes, o plástico não necessariamente se biodegrada, não caracterizando portanto um processo completo de oxibiodegradação, uma vez que para estar completo precisa ocorrer além da fragmentação, a degradação por bactérias (biodegradação).

Além desses, um estudo feito pela Universidade Federal de Santa Maria, mostrou que após um período de 12 meses expostas à intempérie, sacolas oxibiodegradáveis não sofreram degradação completa.

Outro estudo realizado pela Universidade Assiz Gurcazs, mostrou que após um período de 150 dias, sacolas oxibiodegradáveis não apresentaram nem ao menos fragmentação (oxidação).

Como reconhecer uma sacola oxibiodegradável de PEAD

Normalmente nas sacolas biodegradáveis de PEAD vêm impressas três setas circulares (indicando que o material é reciclável) juntamente do número "2" e abaixo a sigla "PEAD" e o termo "oxibiodegradável". Às vezes nas sacolas oxibiodegradáveis é impresso apenas o termo "biodegradável", por isso para saber se foi adicionado algum aditivo pró-degradante caracterizando um processo de oxibiodegradação é preciso procurar melhor nas indicações, ou nome da marca fabricante de aditivos pró-degradantes.

Reciclagem da sacola oxibiodegradável de PEAD

Tendo em vista que a sacola oxibiodegradável de PEAD pode vir a fragmentar-se no ambiente e não necessariamente se biodegradarem, é preciso pensa em alternativas. Entretanto, de acordo com a ABIPLAST, a reciclagem não é uma delas, pois, segundo a instituição, se o plástico oxibiodegradável (incluindo sacola) virem a ser reciclados, darão origem à materiais que se degradarão rapidamente, diminuindo sua vida útil, o que inviabiliza a reciclagem.

Princípio da Precaução

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), por meio da Lei 12.305/2010, baseada no Princípio da Precaução, estabelece que todos nós (empresas, governo e sociedade civil) somos responsáveis pela correta destinação dos resíduos sólidos. E que a indústria de reciclagem deve ser incentivada, tendo em visto os benefícios ambientais e sociais (geração de renda) que a reciclagem trás. Por esse aspecto seria possível inferir que a utilização e destinação de materiais recicláveis está mais de acordo com o Princípio da Precaução. No entanto, a decisão sobre utilização ou não de materiais não recicláveis cabe inteiramente ao consumidor, bem como a responsabilidade pelo descarte correto.

No portal eCycle você pode conferir os Postos de Reciclagem mais próximos de sua residência e descartar corretamente seus resíduos.



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